sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Algo


Ama-me

Ah, o que é o amor? Na história e em todo o tipo de ciência, tenta-se explicar o que é isso, contudo, sempre pecaram em suas vãs tentativas.
            É muito mais que palpitações no coração, muito mais que frio na barriga, bem mais que ter o ser amado o tempo todo, dia e noite, noite e dia, esta pessoa em sua cabeça. É bem mais que a razão, é mais complexa que a emoção, é quase, se não a base, do que é divino, é única e tão somente o que denominamos como Amor, esse que cria, esse que destrói, que é faca, mas que é curativo, que é felicidade, mas também desgraça... Amor, o que nós precisamos...
            Na Literatura, a arte que conheço, o amor também é tentado ser explicado, e em diversos momentos mostra-se a sua manifestação em momentos históricos.
            Primeiro com os pais do pensamento ocidental, os gregos, com o seu amor a pátria, que por vezes chegava até a contrariar as suas divindades. Havia também o amor a honra, este mais forte do que quase tudo; pouco se há do amor pleno ao lermos Hesíodo e Homero, os tragediógrafos frisaram isso, mas também mostraram brilhantemente o amor ao povo, tem-se ai Édipo Rei, a melhor tragédia para Aristóteles.
            Ah passemos do amor ao povo, que perdemos faz tempo, este não me interessa. Após os gregos vieram os romanos e com Constantino a propagação do amor Ágape, este que é divino. E estranhamente ao se propagar esse tipo de amor, que o homem soube manipular, o mundo entrou em trevas, ou se preferirem, o período Medieval.
            Nesse período brotam os trovadores, sujeitos tidos como a cigarra daquele período, até porque, a música nunca tem o seu devido espaço e reconhecimento. Eles foram belíssimos, declaravam seu amor pelas mulheres e esse amor tinha força, tanta força que os Renascentistas, Barrocos, neoclássicos (Árcades), Românticos e todo o resto baseia-se neles, idealizando a mulher amada.
            Pulemos o Humanismo, e já digo de antemão que pularei o Barroco também, nada de amor Ágape, só o Filia e o Eros, porém o amor Filia nunca teve muita força, sempre o Eros foi mais forte, pois o homem só ama o que lhe falta, aquilo que lhe traz alegria é pouco valorizado; enfim, é do Clássico que queremos falar, é de Camões, é de outros que foram bons, mas nem sei seus nomes, esses que tentaram explicar o que é o amor: “é tudo e é nada”, “é o céu, mas pode ser o inferno”, esse que deu uma legitimidade ao amor Eros. Fora um período fértil nessa temática, contudo parece que ele não tinha tanta foram o que também não ocorreu com os Árcades, dai então vem os Românticos.
            Ah esses Românticos, os dramáticos, os que pelo amor iam até as últimas consequências, os que são vistos atualmente como os babacas. Muitos os odeiam, porém são todos como eles, eu particularmente os amo, os admiro, sou quase igual a eles, adepto de seus ideias, menos a parte da morte, pois a modernidade me deu a opção da depressão que definha a pessoa.
            Mas porque tento mostrar o amor na história, se no meu tempo ele não é valorizado? Talvez eu só queira fazer isso pra que entendam que quando amo, amo de verdade, todavia provar isso a vocês é tolice, não é mesmo? Porém eu amo e queria explicar o que é o amor na minha torpe concepção: é a junção do Eros e da Filia, é o que me falta quando estou longe de ti, mas é o que me traz alegria quando estamos um do lado do outro.
            Amor, é algo que se sente e não algo que se explica, entretanto é por senti-lo que tentamos explicá-lo. Mas amor é como o vento, vem de repente, envolvente, não se vê, mas o sente, não o segura nas mãos, porém prende-se em seu ser, mas precisamente no coração, ele pode sumir, porém quando volta sabemos bem que é ele.
            Hoje eu não tenho a necessidade de explicá-lo, mas tento, só para ver um sorriso surgindo em seus lábios, rindo da minha redundância com este assunto, e isto é amor, pensar no ser amado primeiro. Talvez alguns achem que isso nos torna fracos, mas sem isso não teríamos chegado à lugar algum.
            É por isso que só sei dizer:

Chega de mansinho,
Bem devagarzinho,
E arrebata meu coração.

É algo inexplicável,
Algo admirável,
A negação da razão.

É o que não se explica,
Pois se não se complica,
Chamam isso de Amor.

Mas ele é mais que isso,
Constitui-se disto,
E de momentos de torpor.

Contudo és mais bela
Bem melhor que a tal de “Cinderela”,
É a personificação desse sentir.

És quem eu amo,
E disso não me engano,
Ao teu lado, encontro resposta para o existir.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Historinha

Sonho


Ele foi a passos pequenos até ela. Sorria, sereno e idiota como sempre. Parou na frente dela, e ela com aqueles olhos inquisidores, olhos de jabuticaba, belíssimos. Ela sorriu levemente também. Um pouco constrangido o garoto estende sua mão para ela e nesta palma havia um bombom.

- O que é isso? - Indaga ela.
- Aceitas,
Aceitas,
Que é de coração. - Responde ele.

Ela em resposta sorri, pega o alimento e se serve deste. Ele vira-se lentamente e vai indo embora serenamente, mas sôfrego. Queria ter causado uma boa impressão ou sabe-se lá o que.
Já longe, ele ouve alguém o chamando, porém como estava perdido em si, não deu atenção. Até que, repentinamente, surge diante de si a garota, sorrindo, estendendo para ele sua mão, contendo nela um anel feito com a embalagem do Sonho de Valsa.

- O que é isso? - Pergunta ele, meio sem reação.
- Aceitas,
Aceitas,
Que é meu coração. - Respondeu ela.

domingo, 7 de outubro de 2012

Pra você *-*


1 + 1

            Tão confusos, tão bobos, tão imaginários, mas também, estupendamente reais. São babacas, mas no fundo no fundo, é isso que os torna tão fantásticos como o são.
            E como tudo começara? De uma forma estranha: Eles já haviam se visto algumas vezes, mas nunca, e enfatizo o NUNCA, haviam se falado. Todavia naquele dia sete de outubro de 2011, o maluco e insano decidiu tomar partido da coisa. Ela por sua vez, estava na sala de informática, quieta, com sua postura séria, estava mexendo no computador, e ele a observara e a achara “linda”, o que num curto espaço de tempo mudou radicalmente de concepção achando a muito mais do que isso; Quando ela fora sair da sala, ele por sua vez estava para entrar, se encontraram, e ele rindo como débil que é, fez uma singela brincadeira, apelidando-a de “Visita”, por “invadir”, na verdade estar ajudando sua amiga, no festival de teatro que estava próximo; Naquele ano ele seria a pseudo estrela e  estava com o ego inflamado, ela por sua vez, estava lá, dando apoio e suporte, porém mais discreta do que tudo; A fala dele causara o riso nela. Tudo começara assim, com o V de “Vistoso”, “Vantajoso”, “Vitória” e “Vacilo”, e com esses V’s é q a história deles fora se formando, se tecendo lentamente. O V de visita se tornou o V de Várias outras coisas.
            Naquele mesmo dia conversaram boa parte da madrugada pela internet, e estranhamente, um fora totalmente franco com o outro, havia algo que os ligava os fazendo ficar a vontade um com o outro. Algo que eu mesmo denominei como “necessidade”. Era preciso que isso acontecesse para que eles se tornassem próximos, era necessário, e um fora o crescimento do outro, pelo menos em alguma área.
            Não percamos tempo na história completa, pois ela pode tornar-se um romance no futuro, e se eu colocar tudo aqui perder-se-ia o gracejo das palavras em uma obra.
            O tempo é um enigma para todos, para eles não era diferente: a guria tinha medo de o sentimento esfriar; ele, de perdê-la.
            Houve risadas, brigas, encanto, desencanto, raiva, medo, tudo em grandes pratadas, pois ela se diz gorda, não o sendo, e ele é gordo de fato. Houve tudo, de verdade verdadeira.
            O tempo os distanciou, mas o que ao menos o garoto sentia não mudou, talvez tenha só se tornado mais forte. Por vezes a distancia dilacerou o menino, que é ingênuo e teimoso, que tentava não saber dela, mas as informações dela iam até ele. As informações eram como mísseis teleguiados, sempre o achavam. Mas ele não a queria mais, ou tentou se enganar com isso, que é de fato o mais correto. Ele fugiu, sabia arrumar belos esconderijos, mas ela sem querer o encontrava, mesmo não sabendo.
            Ele não sabe o que aconteceu com ela, na verdade sabe, mas não do todo, pois ele estava ferido, e como um bom guerreiro, saiu do campo de batalha para se reerguer.
            Foi um bom tempo longe, um tempo interminável, e oh que falta de graça, e essa graça em tom divino, que é seres que se completam estarem longe, mesmo estando próximos. Tudo dizia que havia acabado que de fato o sentimento estava esfriado, mas uma vez ele dissera para ela “se meu sentimento esfriar, eu o coloco em bolsa térmica” ou em outra ocasião “se meu sentimento sumir, é que eu o escondi”, e era isto o que realmente aconteceu. Ele camuflou tudo, até para consigo mesmo. Fora sábio, porém a saudade venceu...
            Estão ai...
            Ele voltou até ela, e ela estava lá, séria, em seu canto. Séria não no sentido de brava, mas no sentido de “eu lhe esperei, mesmo sem saber que foi isso que fiz”.
            Hoje eles são um mais um, porque estranhamente eles se entendem, e parece que o mal que aconteceu, não aconteceu, ou melhor, serviu para validar o que a amizade deles significa...
            Ele a ama, mais não diz, por ser tonto. Ela o ama, mas tem vergonha de dizer, porém demonstra mais que ele.
            E hoje, faz um ano que a palhaçada deles existe, cada vez mais palhaça como tem que ser...
            E My Heart continua a tocar na mente e coração deles, fazendo um pensar no outro. E os telefonemas retornaram, sem nada pra falar, mas sendo crucial para a felicidade de ambos. Os carinhos imperceptíveis aos olhos dos outros ocorrem a todo o momento, seja no olhar que um lança o outro. Hoje, o tempo passou, mas na realidade, para eles o tempo parou, fez-se submisso, pois eles são melhores do que a grande maioria, mesmo parecendo ser idênticos a grande maioria. Eles sofrem, mas juntos, eles são dois, e dois é maior que um, e humanidade é no singular, eles já são no plural, logo, são maiores e melhores, mesmo que não seja isso que eles queiram, o que eles querem é só poder ser eles mesmos, plenos um com o outro, continuando com as singularidades um do outro, prosseguindo com o amor em silêncio que há entre eles, amor de amigo, amor de amantes, amor de irmãos, amor que eu não me proponho a esclarecer.
            Um ano, e a história parece ser muito maior, talvez seja porque a vida os preparou um pro outro, ou coisa assim...

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Retalho


Flores lanço a Ofélia,
Pelo beijo que me deu,
Sigo agora em Romaria,
Pois Ofélia enlouqueceu.

Deitada em linho,
Estas desvairada.
Queria levar-te ao meu ninho,
Mas estais toda acabada.

Queria paz,
Mas tudo era turbilhão,
E agora jaz,
Nessa perdição.

Seu corpo estremece,
Está descarrilhado.
Ela já empalidece,
Está tudo acabado.

O pai morrera,
E o amado, ela a velar,
Por isso enlouquecera.
Além de dois, queria se alto enterrar.

Decidiu o que fazer,
Saiu do seu lugar,
Pois-se a correr,
Sabia o que buscar.

Queria a flor mais bela, 
A mais elevada,
Mas não sabia, que a mais bela era ela,
Por isso caiu na escalada.

Agora jaz na água,
Seu corpo a flutuar,
"Ofélia doce e bela
Seus amados fora encontrar".


quarta-feira, 29 de agosto de 2012

...


Eles

 

            E quem os visse, jamais imaginaria que deles prouvesse um casal. Ou até podem, contudo um casal bem turbulento, errante, e que dali, o que irá prover de bom?

            E lá estão eles, sentados nos degraus de acesso da casa da menina, esta pequena, de olhos grandes, inquisidores, faiscantes, fascinantes, olhos que o menino se derretia. Ele por sua vez, ah, falar da figura masculina é uma decadência. Enfim, estavam sentados, naquela escada que é íngreme, mas de degraus singelos, que mal dava para que eles ali se assentassem.

            Os dois pareciam tristes, e isso se deve a uma porção de motivos, dos quais este ser ignóbil que escreve tenta dizer, mas que sabe que não terá o real êxito.

            O primeiro motivo:  Erasmo de Roterdã, ao criar com maestria seu “Elogio da Loucura”, mostra que as melhores ações provem dela, a Loucura, sendo assim, tudo o que provém do Amor, e de seus derivados, e aos olhos humanos parecer Louco, é uma dádiva. Assim um casal como o mencionado anteriormente, que não é esperado por ninguém, é totalmente bem aceito pela Loucura, sendo até gracejado por esta. Pois a discordância do mundo, mostra a concordância dos céus.

            O segundo motivo: Goethe, um precursor do Romantismo no mundo, nos mostra que o Amor é insano, é de dos lugares dos quais sequer se imagina. Isso ele mostrou, mas antes Shakespeare fez com grandessíssima maestria, seguido também, esse depois de Goethe na história, por Camilo Castelo Branco. Autores que escrevem sobre o amor e que todo escrito é pouco e que sequer prova algo, só prova que falta muito.

            O terceiro motivo: Se sentiam tristes porque tinham um ao outro, mas faltava à formalidade do namoro, e isso os entristecia, mas ali na escada, era um pouco pequeníssimo.

            E porque complicamos tanto assim nesse jogo que é a vida? É tão mais simples...

            E lá estavam eles. Em silêncio, de mãos dadas, que é o sinal mais perfeito, sublime e divino de que o amor é algo surpreendente, encantador, e sem igual.

            Eles viviam o novo: a garota, não sabia que podia sentir aquilo, era diferente, o medo da perca, o medo de que o menino se apaixonasse por outra, ou a largasse porque ela fora aquela que disse “sim” e num momento sem sequer se refletir. Aquele “sim” que mudou tudo, que os fizera felizes e sonhadores. Ela tinha medo em seus olhos, ao fitar o vazio ela tentava prever o futuro, e por mais que o agouro viesse consigo, ela não se desprendia da ideia de um futuro junto com ele...

            Ele... Oh céus, como é tolo, pensava naquele gesto que são as mãos dadas, ele nunca pensara antes em ser amado, e essa ideia quando veio de encontro a si, lhe causou choque, ele não soube lhe dar com aquilo. Sempre fora o desprezado, mas agora tudo era diferente, ele se sentia forte, vigoroso, ridículo, como todo apaixonado, mas será que ele era mesmo um apaixonado? A priori não, mas ali naquela escada, naquele dia, ele descobriu que era um enlouquecido pela garota que estava com ele. Ele não sabia lidar com o amor que lhe foi oferecido, mas ele abraçou isso com tanta força, que ele se sentiu o garoto mais realizado do mundo.

            Já não nos cabe julgar esses dois... Eles são o nós de verdade, o nós do povo, o nós que se perdeu, o nós da singeleza e delicadeza, elementos tais que o Amor sempre requisitou, mas que o mundo hoje mal consegue ver isso. O nós deles, é diferente do nós universal, é um nós atemporal, é um nós que não se materializa com a presença deles no mesmo local, mas é o tempo todo materializada. O nós deles tem força, força pra viver, pra voar, pra ser livre de tudo o que tentam dizer. O nós deles, é chamado pelos gentios de AMOR, pois eles são a matéria bruta desse sentimento universal mal interpretado. E não cabe a ninguém falar um A, pelo fato deles já não pertencerem a ridicularização da qual a sociedade embarcou atualmente.

sábado, 25 de agosto de 2012

Eu não digo adeus


Até Loguinho
            E ao sair do metro eu olhei para dentro dele, ai então vi seus olhos marejados e pensei “essa é a ultima vez...”. Talvez esse fosse o fim de uma história, eu mesmo cheguei a pensar assim, mas percebi que não, era só uma breve pausa, ou coisa assim.
            Por favor, não me odeie, sei que é chato ficar lembrando do passado, contudo lembrar de coisa boa é válida, é ou não é?
            Confesso que ao pensar na escrita desse texto eu chorei, sei lá porque, talvez nem motivo tenha, mas chorei, como é para um menino fazer. O mundo não nos ensina a dizer “adeus”, e eu aprendi quando pequeno assistindo “O caminho para El Dourado” que amigos nunca dizem adeus, e é o que eu me recuso a fazer, porque é um “até breve” nada de adeus.
            Eu lembro o dia em que você chegou, era uma festa, festa da qual o pessoal nem saiu da sala pra participar, só os chefes, porque chefe tem permissão, os que tomam as chibatadas não. Então você se sentou numa cadeira e ficou nos ouvindo dizer bobagens, eu olha pra você e pensava “ela deve estar realizada, entrou em dia de festa, deve ta achando que nem trabalho tem”, essa foi a sua recepção, não muito acalorada, digo até que abafada, festa bendita.
            Quando chegou seu ex-atual lugar era ocupado, dessa forma, o único lugar que sobrou foi do meu lado. Eu me lembro de você toda séria aprendendo a mexer no programa, e eu sempre de vez em quando lhe enchia, fazia uma brincadeira, e pouco a pouco, mal nos demos conta que a nossa amizade se tornava muito mais forte.
            Ai eu me recordei do dia em que não almoçamos e compramos um lanchão, cada um o seu, e você comprou uma garrafa pequena de coca e dividiu comigo, eu tinha prometido que faria o mesmo da próxima vez... Mas não houve uma próxima.
            Foi você que me deu metade do seu lanche do subway, e foi a primeira vez que comi, sem ser uma mordida, e sim um pedaço mesmo. Foi muito bom, mais ainda ao saber que foi você quem me deu.
            Agora eu me recordo, e tudo em flashes, dos nossos episódios naquele lugar, das pessoas que falávamos, e a como falamos: da sem moral, da maluca, da conduta, do Harry, do namoro do Harry, do namoro da sem moral, da insanidade do povo, ou era mania de perseguição? Sei lá, das dedadas, não terá mais um “obrigado” daquela voz insuportável, não vai ouvir mais falar da esposa e da amante, entretanto essas pessoas nem importam, o que realmente importa é a distância...
            Sabe, eu fico realmente triste, porque a vida irá nos abocanhar e ficará cada vez mais difícil de nos falarmos, mas por sorte, ou não sei lá me eu, eu tenho várias histórias na cabeça.
            Como no seu aniversário, e que festa hein?, nós no ponto de ônibus por quase duas horas aguardando a bosta de um busão, e quando quase chego no lugar, achamos que a estação estaria fechada, quase entrei em desespero e você viu isso e riu. E riamos, como rimos desse episódio.
            Eu lembro também de você do nada dizendo que ia pro Rio de Janeiro só pra ver o povo que fazia uma série, Jesus, você é mais maluco do que eu, e eu gosto dos malucos, não, eu os amo, na verdade  - sei lá se você lembra de quem fala isso -.
            Vou parar agora, já falei muito e meus olhos estão prestes a derrubar lágrimas, e isso nunca é legal.
            Vou sentir muito a sua falta, às 18h nunca mais serão as mesmas, nunca mais vou mandar pra alguém o single do momento “Sai Capeta”, era você que me inspirava a fazer piada ali dentro, agora serei um beija-flor, mas sem a flor.
            Espero que seja feliz, e como diria a tia “ela vai ser muito feliz!”, e eu acredito nisso ardentemente.
            No dia seguinte ao aniversário, a despedida.
            Mas eu não digo adeus, pois a vida não me ensinou isso.
            A vida tentou me ensinar a dizer “até loguinho”, mas eu também não me atrevi a aprender, ou não consigo aprender, já nem sei ao certo.
            Porém, não importa se eu aprendi ou não, agora é tarde, ou cedo.
            Então...
            Até Loguinho.

domingo, 19 de agosto de 2012

Verso em Prosa


A Ti

      Eu poderia invocar clamando auxílio às Musas para esse momento, pois é assim que todo bom e fantástico escritor do período Homérico e de seus predecessores, Hesíodo, por exemplo, o faziam. Todavia, essas tolas mulheres, deusas, nada fariam de pleno, pois a ti nem as melhores palavras diriam quem és, o quão fantástica és, o quão sublime. Nem o mais belo canto delas entoaria, e outra, já não existem...
         Se já não existem, então seria a maior heresia do mundo afirmar que és filha de Afrodite... Se fosse para ser filha de um dos deuses, seria em parte de Athena, mas na verdade, de Hefasto, o deus ao qual todos os outros necessitam. É ele o mais sublime, o construtor e destruidor. O coxo, o estranho, mas aquele que lhe reflete bem, por mostrar que não é perfeito, nem belo, mas inestimável, imprescindível e inesquecível.
         Poderia mencionar a filosofia, mas Pascal já define esse momento tão belamente, e ao mesmo tempo não define nada, mostrando que toda e qualquer filosofia é errônea nesse conceito: “O coração tem razões, que a razão desconhece”. Então se eu clamasse pela razão, seria o cão bastardo do léxico e consequentemente do pensamento poético...
         Poesia, essa sim me fez rir, e rir de prazer por achar talvez uma resposta certa. É a ti a quem recorro para tentar falar o mínimo da garota de olhos verdes. A ressaca de Capitu, já não está aqui, perdera, para uma docilidade animal. O ardor de Rita Baiana esvaiu-se diante de ti. A inteligência de Carmem, passara longe, pois a tua és a verdadeira primazia. E por fim, Frida, que não é dona de uma beleza surpreendente, mas de uma perspicácia digna de nota, entretanto, nem ela é capaz de saber lidar contigo...
         Mas oh céus, eu fui para a prosa sem perceber... Como sou tolo, vamos aos poetas: e começaremos por ele... Camões o homem que dizia amar, que descreveu o amor como a coisa mais ambígua que existe, que é tudo e ao mesmo tempo é o nada, é o silêncio e o grito, é a euforia e a tristeza. Mas eu não quero usá-lo, em conta de sua poesia, ele deixou sua amada partir, e não partir no sentido de “ida a outro lugar”, mas sim que ela caísse morta.
         Vamos a Shakespeare, que apesar de deter-se mais no campo do teatro, suas peças ainda sim eram verdadeiras poesias em cena. E em dada personagem ele coloca a fala, que em linhas gerais quer dizer “Duvide de tudo, menos que o amo”, eu poderia tomar essas palavras, você também poderia, mas se a tomássemos como nossa, certamente o nosso ser múltiplo não deixaria que essa verdade acontecesse.
         Ah, que porcaria, falei, escrevi, pensei, me martirizei, para dizer algo belo a teus olhos, pois é só eles que me importam neste instante, e pra ser franco eu não disse nada de útil até agora. E certamente, embora me esforce nada conseguirei... Já não desejo escrever mais sobre isso, pelo simplório fato de que ao falar de ti meu léxico, que não é bom, seca-se, some, porque diante de ti eu perco minhas palavras e ponho-me a contemplá-la, como uma criança que ama aquele seu melhor brinquedo, que por ele faria o impossível, e tornaria possível somente para ter o brinquedo consigo para a eternidade. Termino aqui, a escrita, porque pensar, isso nem os seres mais sagazes de todo o mundo, nem céu, nem terra e nem mar, conseguem fazer com que eu pare, somente você pode fazer isso, pode fazer tudo em mim parar por segundos, soltando suspiros diante de tua presença. É a ti esse texto tolo, é a ti minhas palavras, é a ti que  meu coração pulsa, embora não seja eterno e nem a todo momento, ainda sim, é com toda a intensidade que podes imaginar.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

NADA

Andando

Félix andava pelas ruas de São Paulo, voltava para a casa da escola - aquelas frescuras eternas, de levar um papel inútil para a secretaria, para que no fim eles não façam nada e nenhum de seus problemas seja sanado -. Andava olhando para o nada, perdido em si mesmo, aquele momento, em que a frase, que outrora eu criei vem bem a calhar: olhar para o nada e ver tudo, era assim que ele estava. Via o céu, via o chão, via os outros, mas não observava ninguém.
Ele viu os prédios... Tão altos que o fazia se sentir pequeno e menor diante de tudo. Era mais uma construção do homem, que fora feita pelo coletivo, e ele estava ali solitário. E os solitários são tão sem graça, sem sal, mal são notados e geralmente, são os mais tristes que existem nessa terra.
Mas um solitário não é sozinho porque o quer, muito pelo contrário, porém ele é um imã, mas ao contrário, que só faz com que as pessoas se afastem dele. Mesmo porque, o solitário quer alguém com ele o tempo todo, e ninguém quer isso, não os que não vivem sozinhos...
Uma criança brotou ao seu lado, de mão dada com sua mãe, o pequeno sorria pela careta que a mãe fizera, e Félix notou que ele não era feliz, todavia o menino sim o era... Era na infância, um dia o futuro chegaria, mostraria que no mundo as mamães não fazem caretas, mas fecham a cara e demonstram não gostar de nenhum “desvio”, que nunca é de fato um “desvio”, de conduta.
Félix viu que o menino tinha um futuro tão aterrador à vista, que sofreu ao pensar nisso. Olhou para o céu e pensou consigo que o céu é igual para todos, mas a igualdade não. Viu que estamos todos no mesmo espaço, numa mesma Via Láctea, porém a quem se ache melhor e superior...
O menino certamente iria sofrer demasiadamente nessa vida, e como o Félix, só iria se lembrar desse instante, o de rir da careta de mamãe. Mamãe esta que no futuro virará bruxa e erguerá a bandeira de que você deve ser só mais um “normal”.
Repentinamente começou a chover, com o sol ali, brilhante com fulgor...
Félix sorriu.
Entendeu que é possível viver na imaginação e lá se refugiar sem medo, porque lá é só você...
Mas, ele cansou de viver na imaginação que ele estava há tempos...
... Era seu único momento de alegria em anos...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Poema (Quando?)

Quando?

Quando foi que mudamos tanto?
Quando foi que abandonamos a meninice?
Quando deixamos de emprestar os brinquedos?
Quando passamos a pensar só no “EU”?
Quando deixamos de ser crianças,
E nos tornamos jovens?
Quando o nosso presente,
Virou passado?
Passado esse que sinto falta,
E queria viver novamente,
Vivê-lo eternamente.
Quando nos tornamos tão perfeccionistas?
Quando viramos tão racionais?
Quando paramos de crer em Papai Noel?
Quando deixamos a nossa essência se perder?
Quando?
Quando?
Quando eu perdi a novidade,
E cai na rotina?
Quando eu deixei com que,
Tudo o que amo se perdesse?
Quando perdi minha sensibilidade,
Métrica e rima?
Quando eu deixei tudo ir embora,
E virar cinzas?
Quando?
Quando?

Mural


Mural

            Eu me metamorfoseei em jovem, em corpo, estatura e trejeitos, contudo, isso não tirara a minha essência, a pequenez de outrora, o espírito. Ainda sou um menino, gosto disso, me alegro e me completo com isso. Não sou um Peter Pan e jamais o quis ser, só quero a ingenuidade dos pequenos, a leveza, a sinceridade, intensidade e também a essência criativa.
            Talvez as pessoas me deturpem por isso, talvez venham me rechaçar, mas não me importo. O homem é o animal mais irracional que existe.
            A vida é como um mural, repleto de lembretes, de textos corridos e incompletos, de fatos, etc. Tem horas que não cabe mais nada nele, e ai, retiramos aquilo que menos temos feito uso.
            Sei que há gente que vai contrariar tais palavras com fervor, já disse que não me importo, pois há aqueles que creem e se encontram aqui, e são estes que me inspiram a continuar, a prosseguir.
            Eu ando fazendo grandes alterações em meu mural: mudança de crenças, sentimentos e valores.
            Há algo nele que insisto em tentar tirar, mas ele se esforça em prosseguir por lá.
            Se trata de uma pessoa.
            Uma...
            A princípio ela tinha um rosto, um nome, características e singularidades próprias. Eras perfeita, e ao entender-se que não há perfeição, entendemos que ela era o mais próximo da excelência. Ela era, mas o tempo corrói, tira as máscaras e lhe mostra realmente quem é quem e o que é.
            Ela era a minha musa, mas minhas frustrações foram alterando quem ela era em minha mente, em minha consciência, e pior ainda: em minha inconsciência.
            Ao tempo que se chama hoje, ela ainda não saiu do mural, e sei que nem sairá, só que ela mudou; Agora é sem rosto, sem nome, sem características, sei cheiro, sem simplicidade, é um vazio, é uma incógnita, é talvez levando ao pé da letra, uma massa disforme, um nada. Mas eu ainda a amo.
            Amo como no primeiro dia que nos vimos, amo como quando cai em mim e entendi o que era amor, amo como a ciência e a razão, que andam juntas, não explica e nem soluciona. Meu peito ainda pulsa e joga a todo o meu corpo o que sinto por ela.          
            Mas ela não tem rosto, não tem nome, não é ninguém...
            É triste vermos que o que colocamos no mural vai se apagando, se recriando e coisas assim.
            Mas o Amor nunca mudou, é a mesma coisa, se mantém intacto (ao menos em mim é claro). É a pedra no sapato, a fraqueza revelada. Em decorrência disso, resolvi tirá-lo do mural.
            Por isso amo as crianças, no mural delas, não há um “papel” com Amor, o mural todo é Amor...
            E tirá-lo do mural implica em uma mudança drástica e precisa, todavia é a prova suprema que posso dar ao mundo de que amo...

Palavras


Palavras

            E há quem diga que a ação vale muito mais do que a palavra, entretanto, a palavra já não é por si só uma ação?
            Amo as palavras, pois ela é mais eficaz que qualquer outra ação, atinge o mais profundo, o mais oculto, arrebata os nossos sentidos, nos rouba as percepções naturais, aguça o nosso ser, eleva o nosso espírito. Ela explica, ou ao menos se esforça, para explicar o inexplicável.
            A ação, bruta, é a materialização de palavras refreadas, mas a ação não explica o intrínseco, não explica o que nos sonda, as palavras sim.
            A palavra é o eu, a palavra é o tu, a palavra é o nós. A palavra é vida, por isso eu a amo.
            Amo, não porque alguém disse que ela é bela, mas sim pelo simplório fato dela se tornar verdade em mim, transformar e completar algo em mim.
            Preciso delas, e ela não precisa de ninguém, porém ama e aceita a todos.
            Ela não faz seleção, abarca em si a todos, e todos deveriam respeitá-la como merece.
            É a palavra que preenche o vazio, ocupa a mente, e nos impulsiona a agir, ou não.
            Ela é quase que divina, é palavra, e sendo palavra, és perfeita, talvez a única perfeição que há nesse mundo babaca e errante.
            Por tudo isso, e muito, MUITO MAIS, é que as amo ou amo, como preferirem.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Conto "Livre"

Livre

As coisas andavam quentes no cenário nacional. De igual modo como acontecera em 1964, os fatos prosseguem da mesma forma no “hoje”, em 2025, uma revolta, uma revolução, uma Ditadura. À esquerda contra a direita. Uma batalha voraz, mas ao mesmo tempo silenciosa, com muito em jogo, mas com nada em vista a não ser poder, e poder, é o caos da História.
            Se os fatos são quase similares, a prisão de alguns da esquerda é evidente, e a captura do embaixador americano da mesma forma. E é nesse ponto que a história de difere e toma um rumo novo...
            Alta Detenção de Franco da Rocha.
            O Sargento Josival Doravante acabara de receber o comunicado para libertar o preso Vicentino Costa e Silva, o maldito que fora pego tentando explodir uma parte dum parlamento militar no centro de São Paulo junto com seu bando de esquerda o PCJ – Partido das Causas Justas.
            Doravante assumira o comando da Prisão em Franco da Rocha, sendo esta uma das mais sombrias prisões de todo o Brasil, ou melhor, a mais bem cuidada e vigiada, a mais rigorosa e coisas do tipo. Não é a toa que ele assumira tal patente, sempre fora compromissado e conhecido no país como “o cão fiel do exército”, o mais temível de todos os sargentos, e rumores dizem que ele subirá de patente em breve. É alto, moreno de cabelos escuros, tem seu olho direito totalmente branco azulado devido a um exercício que falhou no exército em seu tempo de calouro. Sempre fora um ponto de referência para os iniciantes, é também impecável em tudo o que assume, desde as vestes quanto ao serviço exercido. Medo e terror são duas palavras que definem bem o que as pessoas sentem quando estão diante dele.
            Ele estava explodindo diante dos seus subalternos, a respeito da notícia que recebera para libertar o preso:
            - Mas que porra é essa? O cara tenta atacar o parlamento em São Paulo e o a República age dessa forma? Que governantes de merda nós temos lá? – Ele berrava com toda sua força, fazendo tremer a sala em que ele e os seus estavam reunidos. Ele também dava murros em sua grande mesa.
            - Senhor, a sua água... – Dizia Marli sua secretária.
            - Eu não quero essa merda!
            - Acalme-se Sargento, ficar assim só irá piorar as coisas. – Dizia Ancelmo, o mais chegado do Sargento.
            - Ok, ok. Dá essa água aqui...
            Em um só gole Doravante tomou a água e como uma bomba caiu em sua cadeira fechando seu olho esquerdo. A cena para os que o viam era horripilante, mas essa sensação de assustar os outros dava forças ao homem para que ele pensasse. Houve silêncio na sala, por cerca de quinze minutos todos estavam quietos, até que o mesmo varão dá um murro na mesa abrindo os olhos, assustando a todos, e horripilantemente sorridente:
            - Eureca! Tenho a resposta... – Todos o olhavam assustados, mas se recuperando. – Quero que liguem para o chefe do manicômio ao lado e peçam a ele que inicie a sessão de choque nos pacientes imediatamente, daqui a quinze minutos deem a hora de lazer dos presos. Não se esqueçam de pedir ao Bernardo que faça os loucos gritarem como nunca.
            Seus assistentes ficaram estatelados, de olhos esbugalhados sem reação, até que ele urrou um  “VÁ” tão forte que a porta a uns nove metros dele vibrara com intensidade, fazendo seus servos se dispersarem. E assim ocorrera, a hora de lazer dos presos acontecera e os gritos que vinham do manicômio eram sinistros, sendo que os presos não conseguiam ter lazer algum, mas sofriam tanto quanto os que levavam choque.
            Isso também acontecia com Vicentino, que já estava nauseado com aquilo, com o corpo marcado de golpes que recebera dos policiais. Estava espremido em um canto da imensa área. Todos os presos estavam em silêncio, complacentes a dor dos amigos insanos que se encontravam tão perto, todavia tão longe. A desigualdade sempre fora marca no Brasil, na Ditadura isso fica latente. E também o que é insanidade? Está mais em quem vê, do que em quem a possui...
            Da área onde os policiais ficavam observando, o Sargento, surge de postura impecável e diz ao seu braço, a breve frase: “prepare um furgão do exército, chame os mais chegados e um motorista de confiança”, ao que foi prontamente atendido. Após tal fala, o chefe, partiu como um raio no meio da área de lazer com um pano preto em sua mão direita, indo em direção de Vicentino, que nem o notará a não ser ao vê-lo de frente. Tentara se levantar, mas quando dera por si já estava em pé sendo segurado pelo Sargento, acompanhado dos urros do mesmo com uma espécie de saco preto em sua cabeça.
         Os presos não fizeram, sequer puderam fazer algo. Ficaram calados como se encontravam a cena composta pelos gritos dos malucos deram uma completude quase que infernal. Se aquilo fosse uma prova, certamente o inferno seria um alívio!
        Vicentino fora colocado no furgão, aos berros, claro. Sem entenderem nada os servos, obedientes e disciplinados como cães, começaram a berrar também. A ordem da viagem era até Francisco Morato, cidade vizinha, no meio dum morro, e assim fora. Viagem rápida, contudo macabra.
       Lá chegaram, saltaram do veículo e foram levando mata adentro o “liberto”. Ao chegarem lá, o Sargento tira as pressas o pano da cabeça do livre, e com um pontapé duma força incalculável, jogara o ex-preso à frente. Este por sua vez, fica de olhos arregalados com o corpo todo a tremer. Faz-se silêncio, o mundo gira, o mundo conspira, era o fim?
      Ouve-se o som de uma arma sendo preparada para o disparo, e a voz rouca, abafada e agourenta do Sargento em um tom baixo, mas sinistro:
      - Ande sem olhar para trás. Fique quieto...
      A reação de Vicentino é a mesma da anterior, pernas tremendo e falta de reação. O que incitara o ódio no Sargento:
     - VAI PORRA!
    O grito certamente assustara o pequeno homem, o reacionário falido, que por sua vez, com o corpo todo tremendo e lágrimas saindo de seus olhos se joga no chão aos prantos dizendo em desespero:
     - Por favor, não me mate! Eu conto a vocês tudo o que quiserem sobre os de esquerda, mas, por favor, me deixem vivo...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Poemas

Duas composições singelas a vocês:


Tuas unhas flagelaram meu ser,
Olhai pra elas e vês,
Não fique com “porquês”
Deixai tudo percorrer...

Veja a verdade estampada,
Está bem em nossa cara,
Oh alma desregrada,
Fizera feliz essa alma tapada.

Agora corro pra ti,
Diante de ti, só falo “si si”
Já não ser o que fazer.

Sinto-te me acariciando,
Meu ego se inflamando,
Isto não é sofrer.











E teus lábios se tocaram aos meus,
Explosão, insanidade, mesura.
Tudo o que supera essa minha vã,
- E pequena,
Loucura.

Já mal sei compor,
Sei pensar em ti,
Sei desejar-te,
Sei, que nada sei,
Ou melhor,
Sei que o que sei, é que lhe quero.

Não afaste de mim este cálice,
Nem que eu caia,
Nem que eu enlouqueça.
Pois a ausência é pior que tudo o que podes me fazer.

Agora olhai e vês o monstro que criaste,
Um velho em corpo jovem que somente anseia
Por sentir-te.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Poema


Por favor, não me peçais boas palavras,
Pois mal sei escrever.
Mal sei tecer,
Um texto de figuras aladas.

... Peço-te perdão,
Pois tudo o que falo é vazio,
Não possui nem um pio,
Um burro (ser), pior que um cão.

Ja perdera a minha métrica,
Não peçais que eu fale com a boca,
Pois só falo com o coração.

domingo, 3 de junho de 2012

My Lolita

DOCE

Fizeste- me sonhar...
Encantaste o meu viver,
Fizera transbordar o meu ser.
Conseguiu abrir um sorriso numa boca “fechada”.

Não és tudo o que espero,
Mas é o que preciso,
O que necessito,
É tudo o que eu mais quero.

Meus erros ti afugentaram,
Minhas palavras ti afastaram,
Lhe fiz infeliz.

Mas hoje peço desculpa,
Deixai de lado vossa repulsa,
E venha, em mim, ser feliz!

terça-feira, 15 de maio de 2012

Solitário



Porque está tudo tão vazio?
Porque nos perdemos nesse lugar frio?
Porque estou só?
Porque voltarei ao pó?

Vendo e vindo,
Vendo e perco,
Não mais sentindo,
Não mais vivendo.

Porque vocês riem?
Porque estão tão bem?
Ou será que fingem também?

Agora já não sei o que fazer,
Não sei a quem recorrer,
Por isso, o melhor é desaparecer...




























sábado, 21 de abril de 2012

História


Ser



Com seu cachimbo, assentado sobre a varanda de sua casa em uma cadeira de balanço, ele com a pouca força de seus pés – que já mal aguentavam o peso de seu corpo, que não era lá esses pesos, o que denominamos de “normal” -, empurra seu corpo para trás e fica a balançar lentamente, colocando e tirando o cachimbo, soltando fumaça sucessivamente.

Sua mente não para. E eis uma dádiva da vida: tudo pode parar, mas a mente, esta mesmo dormindo já não descansa, todavia lhe lança sonhos como lembretes duma realidade que se almeja ser vivida ou ser evitada.

Mas Teodoro era velho... Tinha vivido tempos de glória, é bem sabido, contudo agora, era um caquético, um morfético, onde esperar ali, naquele lugar, pelo fim, era uma benção imensurável e a única esperança que ele encontrava...

Porém meus caros permitam ao velho sonhar. Se entregar a simplicidade, ao que é pleno, ao que a ciência não explica por meio de seus termos acadêmicos, e assuntos dos quais, por mais que a academia contemple, nunca irá conseguir entendê-lo ao todo por meio dessa razão pequena...

Balançava, soltava a sua fumaça, e olhava as crianças brincarem na rua. Já fora num passado não tão distante, o velho que furava as bolas dos pequenos, que ficava nervoso pela gritaria daquele pandemônio de miniaturas, mas tudo mudará... No dia em que ele viu Clementino, o garoto de chinelas surradas de tanto correr na rua, de pais separados, que fora esquecido pelo Destino, abandonado pelo Porvir, isolado da sociedade, de cara suja, de medo no peito, mas de coragem na fala.

Se conheceram por acaso, ou não, a bola do pequeno cairá na casa do velho, e Clementino pulara o portão do ancião para pegar o objeto redondo. O velho também saiu ao encalço da bola e ai ouve o encontro...

Gritos do velho, olhar trêmulo da criança. Urros, as crianças se aglomerando no portão do senhor, as velhas fofoqueiras aparecendo em suas janelas aos bolos.

- Peste de criança! Isso dá cadeia! Dá cadeia! – Urrava o velho, quase que perdendo os sentidos.

- Desculpe. Desculpe. Desculpe. – Sussurrava Clementino, tendo sua voz abafada pelo gritos do outro.

E a cena ficou assim, até que o garoto se aproxima do velho esbarrando no mesmo falando com uma voz embargada, calando  o velho por alguns instantes:

- Desculpe... Eu só queria rir um pouco. Essa bola é o que eu tenho. Foi meu pai quem deu ela, e ele se mudou... Ele sumiu, me deixou. Ela é igual uma foto pra mim do rosto do meu pai, é tudo o que eu tenho dele. Minha mãe já não liga pra mim porque arranjou um namorado melhor que eu... E essa bola, mais os meus amigos, é o que faz eu sorrir e esquecer um pouco de tudo o que acontece na minha vida...

“Eu só queria rir um pouco” Teodoro foi fisgado por isso: há quanto tempo não ria? Há quanto tempo só via a vida com os olhos de um pré-defunto? Desse dia em diante, ele mudou... Ele deixou de ser um morto, e voltou a ser um “SER” que ama viver, que ama rir, que ama ser...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Espelho

Espelho

     Olhei-me no espelho. Figura degradante. Pra começar as olheiras sobre mim e aquele cabelo... Todo bagunçado, no alto da cabeça era liso, porém curto, mas dos lados era ondulado. Ah, ignoremos minha aparência, a minha pessoa!
     É estranho se olhar no espelho. Ele não revê-la você de verdade, mas sim a imagem que se quer passar, uma espécie de ilusão. Só vemos o que é superficial, aquilo do qual nos esforçamos e almejamos ser, nunca nós de fato, nunca o essencial.
     Agora que pensei nisso, penso em outra coisa: o quão falso nós, animais “racionais” herdeiros do Homo Sapiens, somos. Dissimulamos, simulamos e compomos mentiras – não que não sejam verdades, e quero deixar claro que muitas vezes o é – o tempo todo, por isso, só somos verdadeiros na dor...
     ... Mas isso o espelho não mostra.
     Somos um bando de figuras vis. A espécie rara, que se multiplica e se auto-extermina – ah Schopenhauer se estivesse vivo, que discípulo teria -.
     Isso também o espelho não mostra.
     Realmente é deprimente viver e fazer parte da sociedade contemporânea, falamos muito, fazemos pouco. Somos tão solidários até nos machucarem, ai viramos bicho, e compomos, a negação da negação, que por meio da razão chamamos de verdade.
     Ai, esse mundo me cansa...
     ... Mas no espelho, tudo é belo.
     Lá o mundo é da verossimilhança, igual na Literatura. Tudo fingido, tudo nublado, tudo diferente do real, no real tudo tem um fim, mas lá não, há só uma imagem...
     Queria ir pra lá. Talvez lá achasse esperança pra esse mundo de caducos!
     O engraçado do espelho é que tudo é osrevni, ai o lixo vira luxo, e o ovo, ah, ainda é ovo.
     Mas não há mais esperança. Corremos ansiosos para o nosso fim, cavamos e almejamos isso. É a única coisa da qual nascemos condicionados: irmos ao fim, outros chamam isso de morrer.
     Somos tão idiotas que mal percebemos que a cada dia que passa, mais perto do fim estamos. A criança já nasce pra morrer. E isso não é triste, é vida, ou melhor, é morte!
     Esqueçam isso, olhem no espelho e finjam que tudo é belo, que tudo está bem, enquanto caminhamos, a passos largos, para a derrota, para o suplício, estamos imergidos no agouro, e marchamos para o doce - e almejo que seja macabro, e sei que será- fim.
     Um brinde a nossa ruína eminente raça de víboras, raça de abutres!!!