Mural
Talvez as pessoas me deturpem por isso, talvez venham me rechaçar, mas não me importo. O homem é o animal mais irracional que existe.
A vida é como um mural, repleto de lembretes, de textos corridos e incompletos, de fatos, etc. Tem horas que não cabe mais nada nele, e ai, retiramos aquilo que menos temos feito uso.
Sei que há gente que vai contrariar tais palavras com fervor, já disse que não me importo, pois há aqueles que creem e se encontram aqui, e são estes que me inspiram a continuar, a prosseguir.
Eu ando fazendo grandes alterações em meu mural: mudança de crenças, sentimentos e valores.
Há algo nele que insisto em tentar tirar, mas ele se esforça em prosseguir por lá.
Se trata de uma pessoa.
Uma...
A princípio ela tinha um rosto, um nome, características e singularidades próprias. Eras perfeita, e ao entender-se que não há perfeição, entendemos que ela era o mais próximo da excelência. Ela era, mas o tempo corrói, tira as máscaras e lhe mostra realmente quem é quem e o que é.
Ela era a minha musa, mas minhas frustrações foram alterando quem ela era em minha mente, em minha consciência, e pior ainda: em minha inconsciência.
Ao tempo que se chama hoje, ela ainda não saiu do mural, e sei que nem sairá, só que ela mudou; Agora é sem rosto, sem nome, sem características, sei cheiro, sem simplicidade, é um vazio, é uma incógnita, é talvez levando ao pé da letra, uma massa disforme, um nada. Mas eu ainda a amo.
Amo como no primeiro dia que nos vimos, amo como quando cai em mim e entendi o que era amor, amo como a ciência e a razão, que andam juntas, não explica e nem soluciona. Meu peito ainda pulsa e joga a todo o meu corpo o que sinto por ela.
Mas ela não tem rosto, não tem nome, não é ninguém...
É triste vermos que o que colocamos no mural vai se apagando, se recriando e coisas assim.
Mas o Amor nunca mudou, é a mesma coisa, se mantém intacto (ao menos em mim é claro). É a pedra no sapato, a fraqueza revelada. Em decorrência disso, resolvi tirá-lo do mural.
Por isso amo as crianças, no mural delas, não há um “papel” com Amor, o mural todo é Amor...
E tirá-lo do mural implica em uma mudança drástica e precisa, todavia é a prova suprema que posso dar ao mundo de que amo...

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