Andando
Félix andava pelas ruas de São Paulo, voltava para a casa da escola - aquelas frescuras eternas, de levar um papel inútil para a secretaria, para que no fim eles não façam nada e nenhum de seus problemas seja sanado -. Andava olhando para o nada, perdido em si mesmo, aquele momento, em que a frase, que outrora eu criei vem bem a calhar: olhar para o nada e ver tudo, era assim que ele estava. Via o céu, via o chão, via os outros, mas não observava ninguém.
Ele viu os prédios... Tão altos que o fazia se sentir pequeno e menor diante de tudo. Era mais uma construção do homem, que fora feita pelo coletivo, e ele estava ali solitário. E os solitários são tão sem graça, sem sal, mal são notados e geralmente, são os mais tristes que existem nessa terra.
Mas um solitário não é sozinho porque o quer, muito pelo contrário, porém ele é um imã, mas ao contrário, que só faz com que as pessoas se afastem dele. Mesmo porque, o solitário quer alguém com ele o tempo todo, e ninguém quer isso, não os que não vivem sozinhos...
Uma criança brotou ao seu lado, de mão dada com sua mãe, o pequeno sorria pela careta que a mãe fizera, e Félix notou que ele não era feliz, todavia o menino sim o era... Era na infância, um dia o futuro chegaria, mostraria que no mundo as mamães não fazem caretas, mas fecham a cara e demonstram não gostar de nenhum “desvio”, que nunca é de fato um “desvio”, de conduta.
Félix viu que o menino tinha um futuro tão aterrador à vista, que sofreu ao pensar nisso. Olhou para o céu e pensou consigo que o céu é igual para todos, mas a igualdade não. Viu que estamos todos no mesmo espaço, numa mesma Via Láctea, porém a quem se ache melhor e superior...
O menino certamente iria sofrer demasiadamente nessa vida, e como o Félix, só iria se lembrar desse instante, o de rir da careta de mamãe. Mamãe esta que no futuro virará bruxa e erguerá a bandeira de que você deve ser só mais um “normal”.
Repentinamente começou a chover, com o sol ali, brilhante com fulgor...
Félix sorriu.
Entendeu que é possível viver na imaginação e lá se refugiar sem medo, porque lá é só você...
Mas, ele cansou de viver na imaginação que ele estava há tempos...
... Era seu único momento de alegria em anos...
Nenhum comentário:
Postar um comentário