quarta-feira, 29 de agosto de 2012

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Eles

 

            E quem os visse, jamais imaginaria que deles prouvesse um casal. Ou até podem, contudo um casal bem turbulento, errante, e que dali, o que irá prover de bom?

            E lá estão eles, sentados nos degraus de acesso da casa da menina, esta pequena, de olhos grandes, inquisidores, faiscantes, fascinantes, olhos que o menino se derretia. Ele por sua vez, ah, falar da figura masculina é uma decadência. Enfim, estavam sentados, naquela escada que é íngreme, mas de degraus singelos, que mal dava para que eles ali se assentassem.

            Os dois pareciam tristes, e isso se deve a uma porção de motivos, dos quais este ser ignóbil que escreve tenta dizer, mas que sabe que não terá o real êxito.

            O primeiro motivo:  Erasmo de Roterdã, ao criar com maestria seu “Elogio da Loucura”, mostra que as melhores ações provem dela, a Loucura, sendo assim, tudo o que provém do Amor, e de seus derivados, e aos olhos humanos parecer Louco, é uma dádiva. Assim um casal como o mencionado anteriormente, que não é esperado por ninguém, é totalmente bem aceito pela Loucura, sendo até gracejado por esta. Pois a discordância do mundo, mostra a concordância dos céus.

            O segundo motivo: Goethe, um precursor do Romantismo no mundo, nos mostra que o Amor é insano, é de dos lugares dos quais sequer se imagina. Isso ele mostrou, mas antes Shakespeare fez com grandessíssima maestria, seguido também, esse depois de Goethe na história, por Camilo Castelo Branco. Autores que escrevem sobre o amor e que todo escrito é pouco e que sequer prova algo, só prova que falta muito.

            O terceiro motivo: Se sentiam tristes porque tinham um ao outro, mas faltava à formalidade do namoro, e isso os entristecia, mas ali na escada, era um pouco pequeníssimo.

            E porque complicamos tanto assim nesse jogo que é a vida? É tão mais simples...

            E lá estavam eles. Em silêncio, de mãos dadas, que é o sinal mais perfeito, sublime e divino de que o amor é algo surpreendente, encantador, e sem igual.

            Eles viviam o novo: a garota, não sabia que podia sentir aquilo, era diferente, o medo da perca, o medo de que o menino se apaixonasse por outra, ou a largasse porque ela fora aquela que disse “sim” e num momento sem sequer se refletir. Aquele “sim” que mudou tudo, que os fizera felizes e sonhadores. Ela tinha medo em seus olhos, ao fitar o vazio ela tentava prever o futuro, e por mais que o agouro viesse consigo, ela não se desprendia da ideia de um futuro junto com ele...

            Ele... Oh céus, como é tolo, pensava naquele gesto que são as mãos dadas, ele nunca pensara antes em ser amado, e essa ideia quando veio de encontro a si, lhe causou choque, ele não soube lhe dar com aquilo. Sempre fora o desprezado, mas agora tudo era diferente, ele se sentia forte, vigoroso, ridículo, como todo apaixonado, mas será que ele era mesmo um apaixonado? A priori não, mas ali naquela escada, naquele dia, ele descobriu que era um enlouquecido pela garota que estava com ele. Ele não sabia lidar com o amor que lhe foi oferecido, mas ele abraçou isso com tanta força, que ele se sentiu o garoto mais realizado do mundo.

            Já não nos cabe julgar esses dois... Eles são o nós de verdade, o nós do povo, o nós que se perdeu, o nós da singeleza e delicadeza, elementos tais que o Amor sempre requisitou, mas que o mundo hoje mal consegue ver isso. O nós deles, é diferente do nós universal, é um nós atemporal, é um nós que não se materializa com a presença deles no mesmo local, mas é o tempo todo materializada. O nós deles tem força, força pra viver, pra voar, pra ser livre de tudo o que tentam dizer. O nós deles, é chamado pelos gentios de AMOR, pois eles são a matéria bruta desse sentimento universal mal interpretado. E não cabe a ninguém falar um A, pelo fato deles já não pertencerem a ridicularização da qual a sociedade embarcou atualmente.

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