Até Loguinho
E ao sair do metro eu olhei para
dentro dele, ai então vi seus olhos marejados e pensei “essa é a ultima vez...”.
Talvez esse fosse o fim de uma história, eu mesmo cheguei a pensar assim, mas percebi
que não, era só uma breve pausa, ou coisa assim.
Por favor, não me odeie, sei que é
chato ficar lembrando do passado, contudo lembrar de coisa boa é válida, é ou
não é?
Confesso que ao pensar na escrita
desse texto eu chorei, sei lá porque, talvez nem motivo tenha, mas chorei, como
é para um menino fazer. O mundo não nos ensina a dizer “adeus”, e eu aprendi
quando pequeno assistindo “O caminho para El Dourado” que amigos nunca dizem adeus, e é o que eu me recuso a fazer, porque é
um “até breve” nada de adeus.
Eu lembro o dia em que você chegou,
era uma festa, festa da qual o pessoal nem saiu da sala pra participar, só os
chefes, porque chefe tem permissão, os que tomam as chibatadas não. Então você
se sentou numa cadeira e ficou nos ouvindo dizer bobagens, eu olha pra você e
pensava “ela deve estar realizada, entrou em dia de festa, deve ta achando que
nem trabalho tem”, essa foi a sua recepção, não muito acalorada, digo até que
abafada, festa bendita.
Quando chegou seu ex-atual lugar era
ocupado, dessa forma, o único lugar que sobrou foi do meu lado. Eu me lembro de
você toda séria aprendendo a mexer no programa, e eu sempre de vez em quando
lhe enchia, fazia uma brincadeira, e pouco a pouco, mal nos demos conta que a
nossa amizade se tornava muito mais forte.
Ai eu me recordei do dia em que não
almoçamos e compramos um lanchão, cada um o seu, e você comprou uma garrafa
pequena de coca e dividiu comigo, eu tinha prometido que faria o mesmo da
próxima vez... Mas não houve uma próxima.
Foi você que me deu metade do seu
lanche do subway, e foi a primeira vez que comi, sem ser uma mordida, e sim um
pedaço mesmo. Foi muito bom, mais ainda ao saber que foi você quem me deu.
Agora eu me recordo, e tudo em
flashes, dos nossos episódios naquele lugar, das pessoas que falávamos, e a
como falamos: da sem moral, da maluca, da conduta, do Harry, do namoro do
Harry, do namoro da sem moral, da insanidade do povo, ou era mania de
perseguição? Sei lá, das dedadas, não terá mais um “obrigado” daquela voz
insuportável, não vai ouvir mais falar da esposa e da amante, entretanto essas
pessoas nem importam, o que realmente importa é a distância...
Sabe, eu fico realmente triste, porque
a vida irá nos abocanhar e ficará cada vez mais difícil de nos falarmos, mas
por sorte, ou não sei lá me eu, eu tenho várias histórias na cabeça.
Como no seu aniversário, e que festa
hein?, nós no ponto de ônibus por quase duas horas aguardando a bosta de um
busão, e quando quase chego no lugar, achamos que a estação estaria fechada,
quase entrei em desespero e você viu isso e riu. E riamos, como rimos desse
episódio.
Eu lembro também de você do nada
dizendo que ia pro Rio de Janeiro só pra ver o povo que fazia uma série, Jesus,
você é mais maluco do que eu, e eu gosto dos malucos, não, eu os amo, na
verdade - sei lá se você lembra de quem
fala isso -.
Vou parar agora, já falei muito e
meus olhos estão prestes a derrubar lágrimas, e isso nunca é legal.
Vou sentir muito a sua falta, às 18h
nunca mais serão as mesmas, nunca mais vou mandar pra alguém o single do
momento “Sai Capeta”, era você que me inspirava a fazer piada ali dentro, agora
serei um beija-flor, mas sem a flor.
Espero que seja feliz, e como diria
a tia “ela vai ser muito feliz!”, e eu acredito nisso ardentemente.
No dia seguinte ao aniversário, a
despedida.
Mas eu não digo adeus, pois a vida
não me ensinou isso.
A vida tentou me ensinar a dizer “até
loguinho”, mas eu também não me atrevi a aprender, ou não consigo aprender, já
nem sei ao certo.
Porém, não importa se eu aprendi ou
não, agora é tarde, ou cedo.
Então...
Até Loguinho.
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