Olhei-me no espelho. Figura degradante. Pra começar as olheiras sobre mim e aquele cabelo... Todo bagunçado, no alto da cabeça era liso, porém curto, mas dos lados era ondulado. Ah, ignoremos minha aparência, a minha pessoa!
É estranho se olhar no espelho. Ele não revê-la você de verdade, mas sim a imagem que se quer passar, uma espécie de ilusão. Só vemos o que é superficial, aquilo do qual nos esforçamos e almejamos ser, nunca nós de fato, nunca o essencial.
Agora que pensei nisso, penso em outra coisa: o quão falso nós, animais “racionais” herdeiros do Homo Sapiens, somos. Dissimulamos, simulamos e compomos mentiras – não que não sejam verdades, e quero deixar claro que muitas vezes o é – o tempo todo, por isso, só somos verdadeiros na dor...
... Mas isso o espelho não mostra.
Somos um bando de figuras vis. A espécie rara, que se multiplica e se auto-extermina – ah Schopenhauer se estivesse vivo, que discípulo teria -.
Isso também o espelho não mostra.
Realmente é deprimente viver e fazer parte da sociedade contemporânea, falamos muito, fazemos pouco. Somos tão solidários até nos machucarem, ai viramos bicho, e compomos, a negação da negação, que por meio da razão chamamos de verdade.
Ai, esse mundo me cansa...
... Mas no espelho, tudo é belo.
Lá o mundo é da verossimilhança, igual na Literatura. Tudo fingido, tudo nublado, tudo diferente do real, no real tudo tem um fim, mas lá não, há só uma imagem...
Queria ir pra lá. Talvez lá achasse esperança pra esse mundo de caducos!
O engraçado do espelho é que tudo é osrevni, ai o lixo vira luxo, e o ovo, ah, ainda é ovo.
Mas não há mais esperança. Corremos ansiosos para o nosso fim, cavamos e almejamos isso. É a única coisa da qual nascemos condicionados: irmos ao fim, outros chamam isso de morrer.
Somos tão idiotas que mal percebemos que a cada dia que passa, mais perto do fim estamos. A criança já nasce pra morrer. E isso não é triste, é vida, ou melhor, é morte!
Esqueçam isso, olhem no espelho e finjam que tudo é belo, que tudo está bem, enquanto caminhamos, a passos largos, para a derrota, para o suplício, estamos imergidos no agouro, e marchamos para o doce - e almejo que seja macabro, e sei que será- fim.
Um brinde a nossa ruína eminente raça de víboras, raça de abutres!!!

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