Indomável
Cap. 06
- Escuta aqui Sergio, as coisas não estão nada fáceis. – O rapaz que dizia essas palavras, tinha um cabelo curto, despenteado, sem gel e negro meio marrom, olhos castanhos intensos, um corpo esguio e sedutor, fora seu sorriso faiscante. – Não tenho dinheiro pra mais nada!
- E quem é que tem dinheiro hoje em dia? – O outro, um varão de pele morena escura. Um jeito típico de um sambista, malandro de guerra. Cabelo curtíssimo, corpo atlético, inteligente por natureza, como seu outro amigo, o “branquela”. – Ta tudo ficando caro, o branquela. O governo aumenta o preço de tudo cara. Isso é horrível. Minhas mulheres mal conseguem me sustentar hoje em dia.
Os dois que se encontravam num bar do Butantã, simples, bem perto do centro do bairro, assentados numa mesinha, afastada de toda a clientela. Deram risada das palavras um do outro, e ficaram dando pequenos goles em seus copos de cerveja.
- Sabe o que é Sergio? É que ta difícil achar alguma mulher riquinha disponível. – Este homem sorria. – Você sabe que eu prefiro as jovens, elas são mais fáceis de tapear, se apegam mais rápido, porém, topamos qualquer negócio. Regras da empresa.
- Você é esperto em safadão? – Ria Sergio, olhando seu amigo. – Mas diga ai Cesar, quando irá mudar de vida?
- Bom... Eu já pensei nisso sim cara. – Dizia Cesar, pegando seu copo e bebendo um gole de cerveja. – Na realidade, eu quero mudar de verdade. Quero parar de ficar com várias mulheres, e elas me sustentarem. Agora eu quero um negócio sério...
- HÁÁÁ. – Sergio pula de sua cadeira e começa a rir alto. – Você? – Ele começa a se controlar aos poucos. – Cara, se é pilantra pra caramba hein? É isso que eu gosto em você... Você mente até pra você mesmo!
- Não minto porcaria nenhuma. – Cesar ficara irritado com as palavras de seu amigo. – E eu vou lhe provar isso Sergio.
- Ah branquela! Deixa de besteira – Ele ria cada vez mais. – Eu acredito em você isto basta poxa...
- Não eu vou ti provar. E você vai ver...
Cesar se levanta da mesa, pega seu copo e o vira, tomando toda a cerveja que ali havia. Ia saindo, mas seu amigo Sergio tenta impedi-lo, segurando seu braço.
- Espera cara, já vamos...
- Não... – O rapaz se solta das mãos do mulato e se vira para sair. – Vou a luta, meu camarada.
Sergio ficou em seu lugar rindo, vendo seu amigo ir embora. A manhã era esplendorosa, o sol inundava todo lugar, um tempo ideal para uma cerveja. Cesar, não pensava muito, sua mente não queria fazer isso. Ia saindo do bar, e quando se virou para ver seu amigo, que ainda ria, mais silenciosamente, ouviu um barulho agudo, ensurdecedor, e se virou para a rua para ver o que acontecera.
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