quarta-feira, 6 de abril de 2011

Novela

Indomável

Cap. 05

           
OITO ANOS ATRÁS...

- Mãe... – Grita uma voz feminina de uma jovem. – Olha aqui o Gustavo... Eu vou arrebentar a cara dele.
            A mulher que estava na cozinha, Margaret, tomando o seu café da manhã, lendo o jornal da Folha, sorri com os berros da filha e pensa consigo “Começaram mais cedo hoje”, e prossegue em sua leitura.
            Era um formoso e luxuoso sobrado numa área isolada do Butantã, onde só os magnatas poderiam chegar. A casa parecia da Barbie, não por ser rosada, era uma casa feita de tijolinhos, mas lembrava e muito, uma casa infantil.
            Na parte de cima do sobrado, dois irmãos estavam brigando, coisa comum entre a maioria dos irmãos. A garota tinha longas madeixas louras. Era bela, tinha uma cara de inocência, que misturada com sua raiva, naquele momento, parecia ser uma devoradora. O homem só de cueca samba-canção, cabelo todo despenteado de cor castanha, era também um jovem, mas um pouco mais velho que a irmã. Ambos brigavam para ver quem usaria o banheiro.
            Não perderemos tempo com esta discussão infantil deles, o que lhes é necessário saber é que a garota venceu a briga e ficou com o banheiro. Tomou seu banho e logo desceu para domar seu café da manhã.
            Margaret, uma mulher magérrima, com ares de intelectual, um corpo jovem apesar dos 50 longos anos. Um cabelo castanho claro, mas não chegando a ser louro como o da filha. Já havia acabado seu café e agora estava lendo o seu jornal matinal.
            - Bom dia mamãe! – Fala a garota beijando a bochecha de sua mãe e se sentando ao seu lado. – Quais são as ultimas do dia?
            A mulher abaixa o jornal e fica a fitar a filha...
            - O que é que você quer Alice? – Pergunta ela com muita calma.
            - Ora mamãe, o que acha que eu quero? Só o seu amor...
            - Não me venha com essa garota. – O olhar fica frio, mas nutria um singelo sorriso no canto esquerdo dos lábios.
            - Mas eu não quero nada mamãe é sério...
            - Ótimo, assim eu não lhe darei nada... Muito bom minha querida. – O olhar frio se torna doce, e seu sorriso fraco se torna um verdadeiro sorriso. Ela ergue seu jornal e volta a lê-lo.
            - Sabe o que é mãe? – Fala a garota e morde uma torrada da Bauducco. Prossegue sua fala mesmo mastigando. – É que minha mesada acabou, estou precisando dum dinheiro.
            Margaret prossegue lendo o jornal e mal olha para sua filha.
            - Mãe é sério, é questão de urgência! Eu não pediria se não fosse extremamente necessário.
            A mulher abaixa novamente o jornal e olha sua filha com um sorriso nos lábios.
            - Você sempre fala isso querida, mas desta vez chega.
            - Mãe é sério, estou precisando. – Fala Alice com certo desespero.
            - Nenhuma calça vai acabar até o mês que vem, e  outra, seu pai me deixou aqui sem dinheiro nenhum.
            A menina olha sua mãe com fúria.
            - É claro que deixou mãe, ele sempre deixa. Eu sei que você não vai me dar porque ele mandou. Aquele velho.
            - Ele não mandou nada querida. – Contrapõe a mulher com fala doce.
            - É claro que mandou... Vocês dois se unem para acabar comigo... Aaaaah
            A garota se levanta repentinamente e vai para a porta de saída da casa, a fecha com força, fazendo um grande som ensurdecedor por toda a casa.

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