sexta-feira, 29 de abril de 2011

Diário

Johanesburgo, 29 de Abril de 2011-04-29

Prezado Diário

            Já se passou um bom tempo em que a Copa do Mundo ocorreu aqui em nossa cidade. Que tempos foram aqueles: Pessoas de todo o mundo vindo para cá, os melhores jogadores da história pisando nessa terra marcada pela dor... Os fogos de artifício, o som das vuvuzelas soando por todo o canto, a beleza dos outros povos. E a nossa sorte é que falamos inglês.
            Mas tudo se passou...
            Hoje, já não somos mais lembrados, se esqueceram do povo que sofreu com a Apartheid e hoje voltamos a sofrer....
            Durante a copa, ocultaram a nossa miséria, esconderam as crianças que vivem nos cantos sem ter o que comer. E vejam que este pais é o mais desenvolvido de todo a África...
             As pessoas acharam que fazendo a copa aqui já resolveriam os nossos problemas. Tolos, ignorantes e também malignos, pois fingem se importar conosco, mas na realidade, debocha de nós pelas costas...
            Observo as crianças e vejo a lágrima nos olhos dela. Vejo mães sem esperança, sem saber o que fazer. Vejo homens desesperados com o dia de amanhã. Eu ando pelas ruas e o que sinto palavras mal podem descrever. A tristeza, a dor, o desespero, o anseio por algo novo, a falta de esperança de uns. Tudo isso é decepcionante!
             E a ONU, ou seja, o que for se quer estendem sua mão dizendo que irão nos socorrer. Meu coração sofre...
            Até quando vou ter que ver esta situação acontecendo? Até quando vou ter que derramar lágrimas e saber que nada mudou? Até quando esse continente irá gritar por socorro? Pois ainda hoje somos escravizados, humilhados, chutados, e conhecidos mundialmente, como um continente dos bichos...
            Eu me entristeço, mas não só pelo meu continente, e sim pelo resto do mundo, porque fingem conhecer uma realidade da qual eles nunca tiveram um contato de fato... Documentários não mostram nem a metade da situação em que vivemos, do que sofremos, do que pelejamos para sobreviver.
            Me entristeço pelo meu povo, o povo africano, pois amamos a nossa pátria, mas ela está manchada com sangue inocente...
            Espero que um dia tudo isso mude, espero que o mundo de a real atenção ao meu povo que está massacrado pela vida injusta e sem ajuda que sempre tivemos.

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