Indomável
Cap. 05
Estava prestes a começar o meu discurso, me sentia nervoso, não no sentido de raiva, mas sim no sentido de ansioso...
No instante em que ia falar, ela me estende uma porção de folhas... Eram os desenhos dela...
Como eu estava de cabeça baixa, fiquei assustado com a reação dela, mas nada falei, e passei a olhar os desenhos...
Eram grotescos... A primeira imagem que vi, fora de uma garota, de costas, entrando num túnel. Ela segurava uma faca nas mãos, e havia sangue nessa faca; Outra era de uma menininha num canto duma sala, toda contorcida, se guardando de algo, demonstrando ter medo, e era possível ver no desenho um dos olhos da garota. Um olhar assombroso todo azulado por conta da caneta. Enfim... Desenhos do mesmo estilo e outros ainda mais estranhos que os dois exemplos citados, eu vi naquela saleta, e não os cito, para zelar com vossas mentes.
Ela estava desenhando mais um, e este, ficou cravado em minha memória. Eu me lembro dele, detalhe por detalhe... Era a mesma menina de todos os outros desenhos, se aparentava muito com Alice, parecia estar com uma roupa de Barbie, delicada, mas ousada, num cenário noturno, uma lua grande no céu, cheio de nuvens em volta, e a lua até aparentava sorrir. O local aparentava ser um pântano, arvores destruídas, com folhas secas, e o chão do desenho aparentava estar molhado. A garota sorria, e tinha em suas mãos algo aparentando ser uma corda, isso foi o que eu pensara no primeiro momento, contudo ao olhar bem para a imagem, pude notar que eram as tripas dum homem que a garota segurava... Ela estava feliz... E tudo isto, me fez ficar arrepiado... Naquele instante o desenho ainda não estava completo, mas no meio da conversa sim, porém, adianto esta informação a vós para ganharmos tempo...
Fiquei admirando os desenhos por algum tempo, e Alice me perguntou:
- Gostou senhor? – A voz dela era doce e ao mesmo tempo firme, o que me fez temê-la, o que, por sua vez, me encheu de ódio. O médico ali era eu, eu não devia temer... Era ela quem devia!
- Ah sim... Bem diferentes.... – Respondi ainda olhando para os desenhos, todavia a observando de canto de olho.
Voltamos a ficar em silêncio... Eu a analisando e ela desenhando.
Perdão a quem lê estas palavras e já está farto de minha narração tola e cansativa... Passarei agora a narrar como fora a conversa que eu e ela começamos a ter...
- O senhor conheceu meu pai? – Questionou-me ela, ainda desenhando.
- Sim... – A respondi, hesitante.
- O senhor o achava um bom homem?
- Ah... Acredito que sim...
Ela me olhou com seus olhos negros, me desafiando por algum momento, até que abaixou os olhos e voltou a desenhar, quando falou:
- Mentiroso!
Fiquei sem reação. Ela me pegara... O pai dela era um cretino completo. Era um traidor.
- É... Menti...
Ela sorriu, ainda pintando seu desenho.
- Não precisa me agradar senhor.
-Tu... Tudo bem... – Falei e logo acrescentei: - Mas, mudemos de assunto... O que você veio fazer aqui?
- Não é óbvio? – Perguntou ela indiferente a minha dúvida.
- Claro que não. – Disse quase que no mesmo instante que ela. – O que é?
Ela colocou a caneta na mesa e ficou me fitando por um longo momento.
- Vim pedir ajuda. – Falou ela suspirando, e pegando a caneta novamente, voltando a desenhar. Tudo aquilo era tão estranho! – Não é óbvio isso?
Fiz uma careta e quase ri... Era mesmo óbvio, mas não no caso dela.
- Ai sim... – Eu sorria. – Mas ajuda para o que?
- De mim mesma. – Comentou ela.
Sim, leitores, fiquei pasmo, mais uma vez. A partir deste ponto, a verdadeira história terá início.
- O que foi que aconteceu? – Perguntei. Estava ficando cada vez mais interessante e a minha curiosidade, estava ficando ainda mais atiçada.
Alice termina o desenho... Ela vai começar a narrar a sua história, e eu a colocarei a minha maneira, pois havia momentos em que ela falava coisas sem sentido, mas que quando eu parei para analisar se encaixavam perfeitamente em sua narração.
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