Chuva
Ela olhava pela janela o céu nublado. Chovia, e chovia muito. Um pé d’água caia sobre a cidade, e fora previsto a mais de uma semana, tudo estava encharcado, a televisão noticiava que arvores já haviam caído, que ruas estavam alagadas, entretanto não era isto que envolvia a mente daquela garota que olhava a chuva. A janela da qual ela olhava os céus, estava aberta. Como uma criança acuada, mas curiosa, ela lentamente foi colocando sua mão para fora da janela e repentinamente sentiu uma gota d’água batendo no seu indicador, logo em seguida, outro pingo, e mais tantos outros. Olhou para sua mão e sorriu. Sua mente lhe levou a sua infância, época em que ela tomava de chuva, corria pelo seu vasto quintal chamando sua mãe para que fosse brincar com ela, deslizava sobre o piso e se achava um leão-marinho. Ela era feliz. Não que agora não fosse, porém nos dias de hoje é tudo tão nublado, assim como o céu naquele dia. Voltou a olhar pro céu, tudo tão escuro, mas por sorte não trovejava. A chuva era tão majestosa, nada e ninguém a impedia de cair gloriosa dos céus, e ainda sim, tinha gente que não gostava dela.
Marjorie, a garota em questão, nutria um olhar tão cansado, tão desanimado, tão triste, e mais ainda, tão confuso. Ela queria ser como as nuvens: quando ficasse cheia, soltasse tudo sobre a terra, todavia não era assim, nutria tudo dentro de si, por mais que às vezes contava as amigas, elas pareciam não entende-la, e quem entenderia? “Ninguém é igual”, disse sua mãe certa vez. E neste instante ela se perguntou: “Porque nasci?”.
Sem dúvidas, todos nós nos perguntamos isso, seja como for, essa dúvida ronda a mente humana e parece nunca ter resposta. E para Marjorie não é diferente... E o motivo pelo qual ela se perguntava isso, era o pior de tudo: pois amava um guri.
Ele não morava longe dali, mas mesmo assim, parecia a anos luz de distância...
Não me proponho a explicar o porquê de você ter nascido ou não, caro leitor, entretanto, o pensamento de Marjorie cabe muito bem neste momento “Acho que nasci, porque tinha de ser assim. Nasci pra fazer bem a minha família – embora nem sempre pareça-, aos meus amigos – que às vezes parecem nem ligar para mim-, pra você – que sempre amei, mas antes não te conhecia, porém meu coração sempre teve necessidade de você, e agora ele está sendo preenchido-. Às vezes eu faço coisas que me arrependo, contudo, quem nunca errou? E porque não errar? O gostoso da vida é errar, é quebrar a cara, e usar o mercúrio que é o Tempo para nos sarar. Sofremos é bem verdade, mas sem sofrimento a vitória fica tão desgostosa. Porque nasci... Pra ser a melhor em tudo que eu colocar a mão, pra continuar fazendo a diferença na vida das pessoas, e eu sei, que por mais que não pareça, eu tenho influenciado a vida de pessoas, não porque sou melhor, todavia porque sou sincera, verdadeira, porque amo incondicionalmente sem esperar nada em troca, e por mais que espere, deixo de lado isso. E essa chuva maravilhosa que cai... A vida parece tanto com ela, ou pelo menos deveria ser: o que é ruim, deixa a chuva cair e levar embora. O que é bom, deixa ficar na nuvem branca e acolhedora, que forma desenhos fantásticos, paisagens surreais. É tudo tão mais fácil quando observamos a vida dum outro ângulo, mas é tão complicado não é? Vixe, com que estou conversando? Ai, ai, ai, acho que estou ficando louca... Enfim, acho que é o momento de deixar a chuva cair sobre mim e deixar tudo o que não me faz bem ir embora com ela...” e se baseando nele digo: deixa a chuva cair!
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