domingo, 13 de novembro de 2011

História

Amo-te



            É bem verdade que aquele dia estava calor, mas os dois pequenos mal se importavam com isso, e, aliás, o sol já estava se pondo, a brisa vinha com sua graça imensa, passando pelos rostos daquelas pequenas criaturas, e lá estavam elas, sorridentes, confidentes uma da outra. Felizes, porque não havia mundo, o mundo deles estava um ao lado do outro.

            A menina se chamava Gabriela, olhos grandes, castanho claro, que com a luz do sol aparentava ser mel, uma tonalidade única só dela, envolvente. Um cabelo de um vermelho enfraquecido, mas que no rosto dela cheio de sardas a deixava linda. Tinha apenas quinze anos, mas de que importa a idade neste caso?

            Ao seu lado estava Pedro, o menino de dezesseis anos, atlético, jovem, vistoso, sorridente para tudo e todos, um cabelo “grande” da cor preta a lá Justin, que nele fica muito bem.

            Ambos se encontravam diariamente na calçada da rua deles. Moravam no topo de uma ladeira, um de frente pro outro. Não se conheciam a tanto tempo, pois Gabriela havia se mudado para lá fazia pouco tempo, devido ao trabalho de seu pai. Talvez contar o histórico destes adolescentes seja desnecessário, o que é bom dizer é que um se sente atraído pelo outro e passaram a conversar diariamente durante as tardes na calçada, olhando para o céu, vendo as nuvens, aliás, essa era a brincadeira (pois os adolescentes amam brincar), preferida deles...

              E lá estavam eles, mais uma vez, como de costume, como amavam... Olhavam para o céu, mas naquele dia em especial estava difícil de se achar uma nuvem com algum formato, pois o céu estava de um azul total, mas numa parte ao oeste (o lado em que contemplavam), estava com uma imensa nuvem branca, sem forma...

            - Aparentemente não há nada que possamos ver hoje hein? – Disse Gabriela, triste.

            - É verdade... – Disse Pedro também decepcionado.

            - E agora o que faremos? – Indaga Gabriela, já ficando sem graça...

            - Espere mais um pouco, tenho certeza de que as nuvens irão se separar. – Sugere Pedro.

            E ficaram em silêncio... Mil coisas passavam na mente deles, afinal, não é todo dia que se vive um grande e primeiro amor... E assim ficaram por alguns minutos...

            - Hei você parou de chorar? – Disse Pedro, olhando para o chão, meio sem graça, com uma cara séria, escondendo um leve medo.

            - Sim... – Responde Gabriela olhando para o lado oposto ao que estava Pedro, ficando corada.

            - Ãhn? – Comenta Pedro, abrindo um imenso sorriso e passando a olhar para Gabriela.

            - É... Eu parei... Por que... Porque você me tem feito feliz...

            - E você tem me feito ver que o mundo pode ser muito melhor...

            - É... Bem, acho melhor pararmos de falar disso...

            -Eu até concordo Gabriela, mas a gente tem que falar do que sentimos um pelo outro, se não... Se não tudo isso pode acabar...

Ela faz sinal de silêncio para ele. Os olhos dela estavam cheios de lágrima e os deles por sua vez também... É tão diferente quando amamos não é? Tão confuso, tão bom, tão desgastante, tão reconfortante... Mas o triste é que nós com nossa mente fértil imaginamos inúmeras coisas e sofremos... Por hora ficamos felizes, porque pensamos que somos correspondidos, mas depois... E o sinal de silêncio dela fez isso com Pedro: por um momento ele tinha chegado ao extremo da felicidade quando ela disse que havia parado de chorar por causa dele e agora isso... É... Ela não o amava, ou amava? Isso doía na mente daquele púbere, e isto deixou ambos calados, cada um com os seus próprios devaneios e insanidades, até que o rapaz não aguentou mais, e delicadamente colocou a sua mão em cima da dela, sem que ela percebesse. Ela aceitou o gesto dele, mas não se virou para olhar, assim como ele, e continuaram em silêncio, mas unidos por esse singelo gesto, que fazia toda a diferença para eles.

Como o amor pode ser bobo não acham? Todavia é dessa bobeira que a vida ganha um novo significado...

Ficaram lá, quietos, por alguns minutos, até que Gabriela soltou um suspiro fundo e começou a falar:

- Eu tenho medo...

- Medo do que?

- De você me esquecer, de ter que ficar longe de você, de ter que me mudar novamente, de você estar mentindo para mim...

- Acho que lhe entendo... Eu também tenho medo, e principalmente de lhe enganar...

Novo silêncio, mas logo a mão deles se entrelaça... Algo novo estava acontecendo neles, no sentimento deles... Um completava o outro e só a presença do outro no mesmo local, transmitia paz... O amor é simples, não precisa de muitas palavras, nem de grandes gestos, precisa de sinceridade, assim como tudo na vida. E eis o amor florescendo cada vez mais no coração destes juvenis, que nos ensinam que amar é complicado sim, causa medo sim, parece impossível sim, entretanto, é a coisa mais prazerosa, pacífica, transformadora e benéfica que existe...

- Posso lhe dizer algo? – Indaga Pedro, totalmente encabulado.

- Ér... Sim! – Responde Gabriela.

Ele olha nos olhos dela, corado, e ela também...

- Eu Te Amo Gabriela...

Ela abaixa sua cabeça, dá um risinho sem graça, e diz como num sussurro:

- Eu também.

E desta forma, Pedro e Gabriela se beijam pela primeira vez...

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