quarta-feira, 20 de julho de 2011

Conto

Perdão meus caros por não postar ontem... Saibam que nem postarei. =D

Abraços E excelente leitura


Vida

                Sem dúvidas ele se encontrava atônito. Sua mente parecia uma espiral, dando voltas e voltas, entretanto, nunca chegava ao centro do pensamento, sendo que este se rompia ao meio no trajeto.
            Sabia por que se encontrava assim, mas não conseguia se lembrar de muita coisa. Sua mente era um nó. Um nó cego.
            Seu nome é Sandoval, um moreno de 1,8m, olhos cor de jabuticaba – com a íris do mesmo tamanho –, cabelos negros e uma bondade sobre humana – o que muitos chamam de “banana” –.
            Andava pela rua e seu corpo o levava para sua casa, contudo isto era tão habitual que ele mal notava. Havia algo que o entorpecia, algo que o agoniava. Estava ansioso, mas ao mesmo tempo temeroso, poderia ser sua hora de honra ou o seu momento de fracasso total.
            Mas porque isto estava acontecendo? O que é que há com esse homem pra ele estar tão zonzo em pensamentos assim? Para ser franco, a resposta desta questão se dará na própria observação do que acontece...
            Caminhava a passos lentos, sem notar ninguém, esbarrava nas pessoas sem perceber e estas o ofendiam, e achavam que ele era um insano, porém ele mal os notava. Havia um breu em seus olhos, não que ele não observasse as coisas a sua volta, longe disso, mas é quando você não consegue fixar sua mente no que vê e não grava em seu ser nada do que virá, compreendem? Certamente já viveram uma situação similar.
            O interessante disso tudo, é que nem o esbarrão com as pessoas o despertava de seu torpor.
            Fazia caretas enquanto andava na rua, hora sorria, outrora fazia uma face de angústia e medo. Sua mente não o ajudava em absolutamente nada...
            Será que tudo está certo? Por que ela não me ligou? Por que ela não me deu nenhuma notícia? Ela sabe que me encontro ansioso pra saber e ainda sim faz isso, por quê? Deve ser porque ela está preparando uma surpresa... Isso! Uma surpresa! Tudo deve estar muito bem, e ela está fazendo esse jogo pra ver como irei reagir... Mas... E se ela sofreu algum acidente? Se caiu? Se desmaiou com a notícia? Oh meu Deus, ampare-a nesse instante. Em breve estarei em casa e saberei o que aconteceu. Eu só espero que não seja tão mal quanto aquele médico estúpido falou daquela outra vez...
                “Você não tem a mínima chance”, quem ele pensa que é pra falar assim? Tomara que ele se arrependa, que tudo dê certo e que ele engula todas as palavras podres que ele nos disse...
                E continuou em seu devaneio, todavia agora começou a observar as coisas a sua volta na tentativa de se desligar de tais pensamentos...
            Olha só aquela mulher que engraçada... Parece uma azeitona! Haha, os amigos dela devem chamá-la de “inchadinha”. E aquele menino, deve ser um cão... Olha como corre meu Deus, que perninhas. E a mãe, que cara de acabada, coitada! A verdade é que, eu não consigo me esquecer de que estou chegando à minha casa...
                E era assim mesmo, não conseguia por mais que se esforçasse se largar dos primeiros pensamentos que lemos há pouco...
            Passava em frente a uma cabine telefônica e achou engraçado o homem que lá estava. Este olhava para todos os lados, parecendo um espião que não queria ser visto. Sandoval achou que não fora visto pelo homem e se pôs a rir, mas a angústia o tomou novamente...
            Apertou o passo, não agüentava mais aquilo e queria duma vez saber a conclusão da história. Em menos de cinco minutos chegara a seu apartamento.
            Era um apartamento pequeno, simples, sem muita descrição, pois é do jeito que você está pensando agora.
            Adentrou em seu apartamento. Com o coração na mão, os olhos a procura dela, e uma ansiedade sobre-humana... Ia andando na ponta dos pés para que ninguém o percebesse, até que avistou ela...
            Ela estava assentada no sofá, com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos cobrindo o rosto. Ela soluçava em um choro que não era inaudível, entretanto, seu corpo balançava com os soluços, e isso era visível.
            Lorena era uma mulher de cabelo repicado até a nuca, cabelo este da cor castanha com as pontas de louro, olhos cor de mel, mudando de cor com a luz, estatura mediana e sem mais descrições para não pecarmos.
            Sandoval ao vê-la ficou em estado de choque. Arregalou seus olhos, e por alguns minutos ficou sem reação alguma, até ter forças pra se mover novamente e ir até ela, se assentando ao lado da mesma e passando seu braço em torno dos ombros dela e a puxando para perto de si...
            – Está tudo bem amor... – Falou ele com a voz embargada.
            – Está tudo ótimo querido... – Disse com um pouco de dificuldade a garota, tirando as mãos de seu rosto e olhando com um imenso sorriso ao seu amado.
            O rosto do varão se iluminou de imediato, ele viu na mesinha em frente deles um exame médico e antes de pegá-lo, notou nas mãos de Lorena um teste de gravidez de farmácia, que mostrava que era positivo.
            Sentiu seu corpo flutuando, sem este estar. Sentia-se leve, e ao mesmo tempo, como de costume, sem reação.
            Lorena por sua vez, ainda chorava e começou a sorrir, colocando a mão de Sandoval em seu estômago...
            – Estamos grávidos meu amor...
            A mais de três nãos tentavam e nesse dia, tão angustiante, Sandoval soube... Soube que seria pai!

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