Se tudo der certo, enquanto eu naum bolo algo legal pra novela, irei postar toda quarta um conto (se for possível, então nem esperem rs)
Fantasia
Lá pelo sertão das tantas, terra aflita, que sofre com a seca – ou a quem preferir, com a falta da chuva -, que sofre com a desigualdade brasileira, que se acaba pelo fato de mães - por vezes-, deixar de comer para dar de alimento a seus filhos – e o mais triste, essas crianças morrem de fome-. É nessa terra ferida, rasgada pelos gritos, lágrimas e desespero do povo sem esperança do porvir; É nessa terra onde a “ordem” foi deixada de lado, e o “progresso”, nunca chegou naqueles lados. É nessa terra que vive Clotilde, sempre chamada de “Crotilde”, até mesmo pelos pais, e apelidada de “Cro”.
Essa menina, de sete anos, é deveras inteligente, entretanto por viver num lugar como o que vive, nem tão cedo – muito menos tarde – terá acesso a chamada “educação”, o que de fato é um mito; É uma guria prendada, ajuda a cuidar de seus três irmãos mais novos, cuida da limpeza da casa, e apesar da dureza da qual vivi, jamais se vira frustrada, chegando até a sorrir por alguns momentos.
É morena de natureza, cabelo tonhonhoim, cheia de sardas pelo rosto, estas meio alaranjadas, meio marrom; Os dentes, apesar da pouca idade, eram amarelados por não haver a devida higiene bocal; Não tem muitas roupas, e as que possui já se mostravam rasgadas pelo uso em excesso. Seu vestidinho mais bonito parece mais com o vestido de quem dança frevo, do que qualquer outra coisa. É uma mistura de cores surreal, uma amostra do finado Dadaísmo, todavia ela não se importava com isso, pois ganhara o vestido de dona Justine, uma estrangeira que se dizia jornalista (Clotilde nunca virá a saber o que é isso), boa gente, morava em São Paulo e em um ato de amor por aquele povo, gastou parte de seu dinheiro comprando roupas para as pessoas daquele local.
A garota não tinha muitos amigos, e nem tem, por ter de cuidar dos irmãos e mal sair de casa. Sua melhor amiga é Madalena, uma boneca de pano mediana que dividia com os irmãos, o único brinquedo deles.
A casa de Clotilde é feita de taipa de sopapo, sem nenhum luxo, sem encanamento, sem luz, sem muitos objetos e principalmente, sem achar algo de bom no futuro.
Nesse dia, o hoje para ser mais franco, a pequena está na frente de sua casa, contemplando o chão de barro, rua de sua residência. Se vê acompanhada de sua melhor amiga, segurando esta em seu colo, como a um bebê; Sua amiga usa um vestidinho azul-marinho com pequenas “meias-luas” amarelas, por sobre esse azul; É de pano como já mencionado e com apenas um olho, sendo este de vidro, o outro caiu por culpa da irmã menor de Clotilde.
- Já, já meus irmãos acordam Madalena – Sussurra a criança para a boneca.
Clotilde sabia que em poucos minutos seus irmãos se levantariam, e por isso iria brincar com sua amiga.
Sua brincadeira favorita era imaginar, e fazia isso com excelente maestria...
Veja só Madalena, começou a devanear a guria, Plério está indo para seu barco, tomara que hoje ele pegue um peixe cheio de dente e que morda ele. Ele é bem chato viu, vive falando mal dos outros, onde já si viu, falta di educação dessi homi...
Mas imagine só Madalena, prosseguiu em pensar a criança, imaginando que falava com a outra por telepatia, uma chuvarada caindo do céu, moiando a gente e nóis ficando tudo moiados... Ai o barro fica macio e afunda a gente, igual aconteceu com o Felisberto daquela vez, se si lembra? Ai os pescador viria tudo salva nóis duas e também afundariam junto da genti, ai teria qui ser nóis qui salva eles. Nisso nóis virava tipo herói e Justine ia vim faze um monte de pergunta pra gente, igual da vez qui ela veio aqui. Ai mamãe ia chora, igual da outra vez também, i a gente ficaria famosa, igual as estrelas que tem na TV que a Justine me falou.
Depois disso dali, nóis ia i pra São Paulo, a terra qui tem dinhero sobrando. Ai a gente ia anda naquela minhoca prateada gigante qui a Justine mostrou pra gente, ia naqueles negócio alto qui ela falou qui é igual casa, imagina só Madalena, ai a gente anda di “inlevador”, é isso né? Pois então, nóis anda nele i conheci toda São Paulo, já pensou?
Ai a gente vai em “restaurante”, nossa que nome chiqui, come do bom i do milhor, ai volta pra vá i busca meus irmão e mainha pra i pra lá também. Pensou? Ai mainha casa com um homem cheio di grana e vamo ser feliz.
Isso memo Madalena! Ai eu também fico rica porque vou conta as lenda de nossa terra pra eles, i dipois eu conheço os político e eles me ensina a menti e eu a conta história, já pensou Madalena, a vida boa que a genti vai te lá em São Paulo ? E tudo isso porque salvamo os homi do barro.
Mais olha isso vai é demora pra acontecer, porque nem chove mais por aqui viu...
Ai Madalena, eu tava matutando aqui i... Nessa hora a mãe de Clotilde a chama, pois seus irmãos acordaram e vai cuidar deles.
Infelizmente, ela só pensara por míseros dois minutos.
Clotilde descalça, habitual, se vira e vai pra dentro de casa sabendo que nada mudara, pois a esperança, naquele lugar não há.
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