quarta-feira, 13 de julho de 2011

Conto

Primeiramente quero esclarecer o porque do título do conto (Surreal 1.1).
Segundo o dicionário (da internet) Surreal significa: fora do comum, que foge da realidade.
E é por isso que o classifico em duas formas: O Surreal que retrata de coisas não humanas, como o pós-morte por exemplo (1._) e os que tratam de questão físicas mesmo, mas diferentes do padrão (2._).
Por isso, quando encontrarem algum conto cujo título for Surreal, lembrem-se: o 1._ retrata de coisas não humanas e os de 2._ retrata de coisas "fora do padrão" do personagem, ou até mesmo de vocês leitores...
Sem mais perca de tempo, eis o conto:

Surreal 1.1

            João Pessoa é uma terra esplêndida, onde o sol é o imperador absoluto brilhando naquele céu durante a manhã, e deixando o seu calor nas águas, sendo que esta, por sua vez durante a noite, solta na atmosfera seu calor, deixando esta cidade sempre aquecida, como um ninho de pardais, ou outro exemplo de algo quente e aconchegante que vocês se recordam.
            Poderia falar também da miséria que esta cidade vive, em certos pontos dela, mas de que vale falar sobre isso, sendo que em todo o globo sempre haverá essa distinção tão desigual entre o luxo num canto e a pobreza do outro num mesmo ambiente? Então, vamos ao que de fato nos importa... A história de Frederico Reis...
            Recordo-me de ter lido em um blog, uma postagem (do dia 5 de julho, uma terça-feira), alguém escrevendo numa espécie de Diário (algo realmente idiota), e falando sobre Frederico Reis, a “lenda”, que de fato não é lenda, mas fato. Esse varão que escreveu tais palavras, mal conseguiu expressar a essência da história, e é por isso que escrevo, tentando retratar e salvar a imagem de Frederico, e lhes narrar o fim desta história...
            Frederico Reis é um professor universitário, de uma inteligência fora dos padrões. Tem lá seus 40 e tantos anos e nunca se cansou de seu trabalho, apesar de aparentar ser um ser “cansado”.
            De aparência cadavérica, cabelos desalinhados, sempre arrumados com as mãos, umas roupas velhas, ultrapassadas, chegando até mesmo a lembrar o brega. De uma altura acima da média, mãos e todo o resto do corpo, sempre mostrando seus ossos, e uma pele acinzentada, olhos esbugalhados, negros e roxos, aparentando ser uma jabuticaba, mas sem vida... É esse o professor Frederico, professor da disciplina de Teoria da Literatura.
            Seu prazer é ler... Na realidade, sua vida é ler. Comia livros o dia todo, quem o visse o acharia um louco, pois andava lendo até mesmo na rua. Nascera para aquilo e isso o consumia, e era o que ele sempre quis... Lia de Homero a Paulo Coelho. De Dostoievski a Sidney Sheldon, e nunca se cansava.
            Era um critico fabuloso, apesar de sempre achar algo que se preze em qualquer leitura que seja. Sempre dizia “o livro pode é um reservatório de experiências ou vontades pessoais” e complementava dizendo que “todo livro sempre têm algo de bom, nem que seja uma única frase. Se não houver, acredite isso nunca seria publicado!”.         
            Faço uma pequena pausa nessa história para lhes deixar um aviso: Eu não sei escrever muito bem, na verdade, sei, todavia sempre me perco na colocação dos verbos, então, mil perdões... Ah, quase me esqueço de lhes avisar que sou um amante das vírgulas, pois elas fazem o leitor parar para respirar, ou ler com mais calma, como se “pisasse em ovos”, é assim que eu gostaria que vocês lessem... Mas enfim, leiam como bem entendem e perdoem as minhas falhas...
            O professor era alguém simples, metódico, porém cauteloso e perspicaz em suas decisões. Contudo, havia uma falha nele em que todos de João Pessoa relevassem: Não acreditava em vida após a morte... Sim, sempre criticou quem acredita nessa “palhaçada” e achava argumentos plausíveis e outros fantasiosos, mas ainda sim defendia ferrenhamente sua ideia.
            Embora a população de sua cidade não lhe desse ouvido quando o assunto era esse, havia seres que davam, e o odiavam... E esses “seres” dariam seu olá ao professor. E o fizeram numa madrugada de verão...
            Era início das aulas na faculdade federal, onde Frederico aplicava suas aulas. Sempre gostava de pegar os alunos do 1° semestre, e esse ano dera a sorte de ser professor de uma delas. Gostava de chocar os alunos, quebrando todos os paradigmas daqueles garotos, mostrando que em um simples texto, um conto qualquer, havia muita coisa implícita (não acredito que este seja um desses, mas há loucos pra tudo nesse mundo...).
            Chegara a sua casa naquela noite radiante (cerca de meia noite) embora seu jeito aparentasse ser o mesmo de sempre. Sua exultação era interna, e não se importava com isso...
            Estava sozinho como sempre... Foi à geladeira e pegou uma lata de coca-cola e foi ler um pouco o jornal. Lá encontrou uma matéria que realmente achou desnecessária, a manchete dizia “psicanalistas tentam provar a vida pós-morte”. Ao ler a manchete, começou a rir consigo mesmo e disse a si que aquilo era coisa pra idiota ler. Largou o jornal e foi dormir.
            Dormia como pedra. Sempre fora impossível de acordá-lo, entretanto eles estavam dispostos a acordá-lo naquela madrugada, para dizer que estavam lá, o vendo, o vigiando, o seguindo...
            3h00, como num passe de mágica, todo aquele apartamento (sim, ele morava em um pequeno AP) se ascendeu por inteiro... E o mais incrível daquilo: a televisão e o rádio se ligaram sozinhos no ultimo volume. A TV fora ligada num telejornal e dizia que “seis morreram num acidente de carro...” o rádio informava que “o fim estava próximo...”, e tudo isso foi capaz de acordar Frederico.
            Ele se erguera tremendamente assustado. Um barulho ensurdecedor lhe tomou os ouvidos, e desesperadamente ele começou a apagar as luzes e também desligou o rádio e a TV. Nunca havia visto aquilo, aquilo nunca acontecera, e como viria a acontecer? Tudo se ligar sozinho? Frederico achou que estava endoidecendo e que aquilo só deveria ser sonho. Voltou para a cama e dormiu, entretanto no outro dia não conseguiu esquecer daquilo.
            Uma semana se passara desde a primeira aparição. A segunda se revelaria ainda mais perturbadora. Não fora às 3h00 como da outra vez, e também, nem tudo se ascendeu, contudo foi algo mais perturbador: O espelho do professor estava escrito com algo similar a sangue “Viemos te buscar...”. É claro que ele não contou isso a ninguém.
            As visitas começaram a passos lentos, sendo uma vez por semana, depois duas, até que chegou a ser todos os dias. Frederico, não sabia mais como reagir, e isso foi lhe prejudicando seriamente em seu trabalho, já não dizia coisa com coisa, se sentia estarrecido e começou a ficar afoito às coisas a sua volta. Estava entrando em um buraco, e este era sem volta...
            Uma das visitas fora alguém gritando na rua que o agouro começara. O homem ao acordar foi até a janela e não havia ninguém ali...
            Outra vez, fora acordado por um barulho ensurdecedor vindo de sua televisão e fora ver o que era ao chegar a frente à mesma, contemplou Scar de O Rei Leão e este dizia com um olhar de desdém fundido em ódio “Fuja pra longe e não volte nunca!”. Não se assustou com aquilo, em si, mas por se recordar que o filme era um texto que dialoga com Hamlet de Shakespeare, e foi além, se recordou da frase célebre “Ser ou não ser? Eis a questão...”, sua mente em nó começou a se perguntar sozinho “Crer ou não que almas do outro mundo são reais?
            Frederico começou a se sentir nos livros de Stephen King e também em Fausto de Goethe, onde entregar a alma ao diabo era só um fator decisivo... E seu medo era crescente...
Começou a ler sobre o pós-morte, vendo a visão de cada religião, mas ainda sim achava que estava pirando e não que espíritos existissem... Até que chegou o dia fatídico...
Estava dormindo como de costume, mas tendo sonhos terríveis. Acordou todo suado e ao olhar para a parede em frente a sua cama, se depara com um vulto, que não corria, mas o olhava com olhos vermelho escarlate, que o envolviam e o conduziam para um caminho de morte. Sentiu uma vertigem, porém mal conseguia se mexer. De olhos esbugalhados, quase urinando em suas calças, viu o vulto indo para si e encostar o dedo em sua testa. No mesmo instante como em um flash se ascendeu uma luz em sua mente, escrito em negro “Nós somos mais reais que você!
            Após esta visita, Frederico sucumbiu e se auto internou em um sanatório. Estava lúcido, mas ainda sim, todos o achavam um pirado, pois ele mal conseguia controlar o que falava.
Todavia, as visitas não cessaram.
E em certo dia, por não agüentar mais as visitas, que já não eram visitas, mas na verdade uma moradia, pois os seres do além viviam ao seu lado, falavam com ele, embora ele não respondesse, Frederico se entregara... Rasgou suas roupas e se enforcou com elas...
É este o fim desta história, em que todos nós de João Pessoa, confiamos piamente, e acreditamos fielmente em vida após a morte... A quem não acredite, a quem acredite que eles não podem vir nos visitar como fizeram com Frederico, mas ainda sim, todos se calam quando ouvem esta história fatídica.

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