sexta-feira, 29 de julho de 2011

Conto

Oi gente, com ujm pequeníssimo atraso rs. Em breve postarei as demais coisas. Abraços e excelente leitura a todos que conseguirem.


Mal



            Ele andava com o passo apertado. Quem o visse na rua o acharia um estranho, pois ele olhava para todos os lados a todo o momento. Demonstrava nervosismo, contudo, em São Paulo ninguém se importa com ninguém, assim ele nem era notado.

            Seu nome é Itamar. Jovem com 29 anos, sem muita coisa que lhe chame a atenção, como todos os homens dessa idade.

            Ele aparentava um nervosismo frenético. Onde foi que tudo aquilo começara? Sim, ele estava preocupado. Talvez preocupado nem fosse o termo, até porque esta é sua natureza. Sempre fora assim, porque mudaria agora? Mas a situação em que vivia o fazia ficar pior do que sempre fora...

            Pode-se dizer que Itamar é um rapaz prudente, sempre com um pé atrás. Na verdade, e esta é a verdadeira verdade, é um medroso, Sempre cauteloso, mas isto por temer. Temer a tudo e a todos...

            Começara em sua infância, por medo de seu pai, um gorducho, rechonchudo que amedrontava a criança com seus berros guturais. E assim, fizera Itamar crescer com medo do mundo...

            E neste dia não fora diferente. Andava com o passo apertado. Mas quando aquela situação ridícula começara? Ele já não aguentava mais aquilo. Já havia um mês que toda aquela situação constrangedora durava. Era horrível tudo aquilo. E porque ele passava por isso? Porque se permitia ao ridículo?

            Chegou a uma cabine telefônica disponível e quase avançou sobre a mesma, não sem antes olhar para todos os lados e ver se ninguém o observava ou algo do tipo. Notou que um varão o olhava até com certo ar de deboche, contudo, este homem aparentava estar muito longe da realidade, demonstrava um nervosismo maior que o dele.

            Pegou o telefone e com as mãos trêmulas discou alguns números. Ouviu-se o som de espera natural dos telefones e logo uma voz sensual atendendo:

            - Alô?

            - Oi. Já fiz o que me pediu...

            Do outro lado da linha se ouviu uma risada feminina se deliciando com aquelas palavras.

            - Excelente trabalho meu querido. Volte para cá imediatamente.

            Itamar desligou o telefone naquele instante e ficou fitando o vazio. Porque aquilo com ele? Ele, sempre tão prudente!

            Saiu apressado da cabine e tomou seu caminho, rumo a uma casinha numa rua escondida, ao lado de uma escola, num bairro tão movimentado, mas ainda sim tão apagado, que maior descrição não haveria...

            Poupá-los-ei de descrever todo o trajeto e dos pensamentos desse rapaz, por conta disso, pulemos um pouco na história e chegamos ao momento em que ele chega a essa casa, na Rua Canção dos Olhos...

            Ao entrar naquela casa, o jovem sentiu uma vertigem. Odiava aquele lugar e todas as sensações que aquilo o fizera lembrar.

            A mulher que falara com ele ao telefone se encontrava na sala, assistindo a uma entrevista na televisão sem dar muita atenção ao que via. Ao ver Itamar, começou a rir malignamente, mas ainda sim de forma adorável, como só as mulheres sabem fazer, e estendeu a mão a ele.

            - Olá querido, senti saudades de você. Você faz tanta falta pra mim...

            Itamar por sua vez continha uma raiva desenfreada dentro de si.

            - Oh, não vai me responder? Então por favor, vá fazer a janta e não fique parado na minha frente feito um dois de paus...

            Ele foi... Com os pensamentos e a raiva a flor da pele. Ele já não aguentava mais aquilo... E pensar que tudo aquilo começara por culpa de sua mãe...

            Dona Esmeralda sempre fora uma mulher comum a todos, sem muito que descrever. Sim caro leitor, esta é a mãe de Itamar. Cuidava de sua casa com uma dedicação sobre-humana. Amava seu pequeno filho, apesar de não amar mais o pai do mesmo. Fazia de tudo pelo bem de sua pequena família, e ainda sim toda uma tragédia acontecera...

            Adamastor o pai de Itamar, morreu quando ele tinha 17, segundo o rapaz, deveria ter morrido bem antes, e invés de levar ao caixão consigo, deixou para a família uma dívida tremenda em jogos, ao qual fez com que Esmeralda e Itamar fossem a luta para pagar essa dívida.

            Venderam imóveis, deram tudo de si, mas a dívida sempre os devorava.

            Por sorte, uma amiga de Esmeralda os ajudou, dizendo que só cobraria o valor mais tarde e que a família nem levasse isso em consideração, até porque, amigo de verdade ajuda os outros. E assim, a família se viu livre de um fardo imensurável, ou pensaram que assim seria...

            Esmeralda morreu quando Itamar tinha 28 anos, e quando este completara 29, a mulher como num passe de mágica, retornou e voltou a atormentá-lo pedindo seu dinheiro de volta. Ele sem saber o que fazer, até porque nunca fora criado para viver uma situação daquelas, resolveu se tornar criado da moça, que não era tão mais velha que ele.

            Assim sucedeu, e agora eis o tempo presente desta narrativa, onde Itamar não aguenta mais se sujeitar as ordens dessa mulher, que sempre pede coisas absurdas dele, que sempre quando possível o humilha e adora fazer isso.

            Itamar por toda sua vida foi um assustado, acuado e nunca sabendo o que fazer, mas agora isso era diferente... Se tivesse lido Crime e Castigo de Dostoievski, caberia que era um reflexo de Raskolnikov, o personagem principal da trama, que vivia um duelo interior com ele mesmo.

            Estava cogitando matar ou não a mulher. Mas sempre duvidava em conseguir tal coisa, porém já não aguentava mais aquilo. O que fazer e tal situação? Matar ou ser humilhado? Ele não sabia, só sabia que algo deveria ser feito...

            Esperou a noite cair, arrumou a cama da mulher para que esta fosse dormir, e como costumeiro, fez uma massagem nela para que ela dormisse. Saiu do quarto e esperou do lado de fora.

            Seus devaneios o levavam longe, estava em crise, estava em confusão. Sempre fora medroso, e agora iria se tornar um valente que luta pelos seus direitos a liberdade? Nem ele sabia qual a resposta.

            Pensou, e pensou por uma hora, até que pode ouvir o leve roncar da mulher.

            Itamar adentrou na penumbra daquele quarto. A mulher era esbelta, bela, e parecia um anjo dormindo. Aquela boca voluptuosa, aqueles olhos fechados que mesmo assim pareciam flechas a ferir o rapaz. Ele se aproximou da cama e ficou diante da mulher fitando a mesma, sem saber o que fazer. Sua cabeça doía, seu corpo tremia, e algo em seu peito parecia que iria explodir a qualquer momento. Ele queria, mas ao mesmo tempo não queria. Fechou os olhos por um momento. Quando os abriu um breu o envolveu...

            Quando a visão voltou a si, viu a mulher se debatendo, e ele com um travesseiro sobre o rosto da mesma. Ele colocava toda a sua força naquilo, uma força que nem ele mesmo sabia que nutria dentro de si. A mulher parecia estar em uma cadeira elétrica, se balançava convulsivamente, e também aparentava ter uma força monstruosa; Era uma luta pela vida, qual dos dois que vencesse sairia com a liberdade em mãos. Era uma luta sem voltas. Até que houve um suspiro.

            O jovem caiu no chão, respirando de forma ofegante. A mulher por sua vez parou de se balançar, o fôlego de vida se esvaiu dela, e a morte se tornara o melhor amigo dela, a levando para longe.

            É esse o fim? Itamar vencera? Ou este fora o princípio de suas dores? Quem é que sabe? Essa e muitas outras respostas, só virão com o futuro. E este, a Deus pertence...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Poema

Se escondam rapazes
A censura cá chegou
Veio para colocar terror
Veio para nos mostrar o que é dor

Corram para as suas casas
Onde a censura é mais forte
Onde os pais são os mandantes
E sempre serão os comandantes

Fujam para as ruas
Onde as velhas lhes criticam
Onde os pais dos amigos nos encontram
E de nós zombam

Sumam pelo mundo
Façam o que der na telha
Mas lembrem-se:
Da censura nunca esconde-se

Pra Pensar

Se o mundo é feito de sonhos, onde eles estão?


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Senhor Bandido.

Esse termo de senhor que estou usando é para evitar que macule sua
imagem ao lhe chamar de bandido, marginal, delinquente ou outro
atributo que possa ferir sua dignidade, conforme orientações de
entidades de defesa dos Direitos Humanos.

Durante vinte e quatro anos de atividade policial, tenho acompanhado
suas "conquistas" quanto à preservação de seus direitos, pois os
cidadãos, e especialmente nós policiais, estamos atrelados às suas
vitórias, ou seja, quanto mais direito você adquire, maior é nossa
obrigação de lhe dar segurança e de lhe encaminhar para um julgamento
justo, apesar de muitas vezes você não dar esse direito às suas
vítimas.

Todavia, não cabe a mim contrariar a lei, pois me ensinaram que o
Direito Penal é a ciência que protege o criminoso, assim como o
Direito do Trabalho protege o trabalhador, e assim por diante.

Questiono que hoje em dia você tem mais atenção do que muitos cidadãos
e policiais. Antigamente você se escondia quando avistava um carro da
polícia; hoje, você atira, porque sabe que numa troca de tiros o
policial sempre será irresponsável em revidar. Não existe bala
perdida, pois a mesma sempre é encontrada na arma de um policial ou
pelo menos a arma dele é a primeira a ser suspeita..

Sei que você é um pobre coitado. Quando encarcerado, reclama que não
possuímos dependências dignas para você se ressocializar. Porém, quero
que saiba que construímos mais penitenciárias do que escolas ou espaço
social, ou seja, gastamos mais dinheiro para você voltar ao seio da
sociedade de forma digna do que com a segurança pública para que a
sociedade possa viver com dignidade.

Quando você mantém um refém, são tantas suas exigências que deixam
qualquer grevista envergonhado.

Presença de advogados, imprensa, colete à prova de balas, parentes,
até juízes e promotores você consegue que saiam de seus gabinetes para
protegê-los. Mas se isso é seu direito, vamos respeitá-lo.

Enfim, espero que seus direitos de marginal não se ampliem, pois nossa
obrigação também aumentará. Precisamos nos proteger. Ter nossos
direitos, não de lhe matar, mas sim de viver sem medo de ser um
policial.

Dois colegas de vocês morreram, assim como dois de nossos policiais
sucumbiram devido ao excesso de proteção aos seus direitos. Rogo para
que o inquérito policial instaurado, o qual certamente será
acompanhado por um membro do Ministério Público e outro da Ordem dos
Advogados do Brasil, não seja encerrado com a conclusão de que houve
execução, ou melhor, violação aos Direitos Humanos, afinal, vocês
morreram em pleno exercício de seus direitos.

Autor:

Wilson  Ronaldo Monteiro
Delegado da Polícia Civil do Pará

Vídeo da Semana

Aproveitem =D

Diário

Santos, 26 de Julho de 2011

Querido Diário

         O mundo ignorou minha existência. O mundo sabe que cá estou, mas finge que mal me vêem. Passam seus dias inteiros fazendo inúmeras coisas, tendo tempo para amigos e coisas do presente, sem se importar com o porvir.
         O mundo sabe que eu os amo, sabe que espero por eles, mas ainda sim, fingem que me amam.
         Meu coração dói por isso. Meu ser se constrange ao ver pessoas falando do meu nome como se não fosse absolutamente nada. Mas quem sou eu pra dizer algo, sendo que existe o livre-arbítrio?
         Eu espero por pessoas que possam me ver, pois eu sou acessível a essas pessoas, não só 24h por dia, mas há tempo e fora de tempo.
         Eu realmente evito escrever muito, pois aguardo que o mundo venha a minha procura, e ai sim, relevarei a eles quem sou, o que faço, e falarei com eles, e os ajudarei. Mas não depende só de mim, o mundo precisa dar o primeiro passo...

Poema

Bom pessoal, irei postar aqui as postagens que não foram postadas (OHH Q BELEZA? XD)

Vamos lá:

De todas as formas inconformadas
És tu a mais bem modelada
Feita sob medida
Oh ser querida.

És uma bailarina
Superas o tempo da brilhantina
Passas por cima destas rimas
Ser de atitudes finas.

Tu só o sabes como és
Já deixará o convés
Mulher de respeito

Agora vive a vaguear
O mundo a espantar
Mulher de peito.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Conto

Perdão meus caros por não postar ontem... Saibam que nem postarei. =D

Abraços E excelente leitura


Vida

                Sem dúvidas ele se encontrava atônito. Sua mente parecia uma espiral, dando voltas e voltas, entretanto, nunca chegava ao centro do pensamento, sendo que este se rompia ao meio no trajeto.
            Sabia por que se encontrava assim, mas não conseguia se lembrar de muita coisa. Sua mente era um nó. Um nó cego.
            Seu nome é Sandoval, um moreno de 1,8m, olhos cor de jabuticaba – com a íris do mesmo tamanho –, cabelos negros e uma bondade sobre humana – o que muitos chamam de “banana” –.
            Andava pela rua e seu corpo o levava para sua casa, contudo isto era tão habitual que ele mal notava. Havia algo que o entorpecia, algo que o agoniava. Estava ansioso, mas ao mesmo tempo temeroso, poderia ser sua hora de honra ou o seu momento de fracasso total.
            Mas porque isto estava acontecendo? O que é que há com esse homem pra ele estar tão zonzo em pensamentos assim? Para ser franco, a resposta desta questão se dará na própria observação do que acontece...
            Caminhava a passos lentos, sem notar ninguém, esbarrava nas pessoas sem perceber e estas o ofendiam, e achavam que ele era um insano, porém ele mal os notava. Havia um breu em seus olhos, não que ele não observasse as coisas a sua volta, longe disso, mas é quando você não consegue fixar sua mente no que vê e não grava em seu ser nada do que virá, compreendem? Certamente já viveram uma situação similar.
            O interessante disso tudo, é que nem o esbarrão com as pessoas o despertava de seu torpor.
            Fazia caretas enquanto andava na rua, hora sorria, outrora fazia uma face de angústia e medo. Sua mente não o ajudava em absolutamente nada...
            Será que tudo está certo? Por que ela não me ligou? Por que ela não me deu nenhuma notícia? Ela sabe que me encontro ansioso pra saber e ainda sim faz isso, por quê? Deve ser porque ela está preparando uma surpresa... Isso! Uma surpresa! Tudo deve estar muito bem, e ela está fazendo esse jogo pra ver como irei reagir... Mas... E se ela sofreu algum acidente? Se caiu? Se desmaiou com a notícia? Oh meu Deus, ampare-a nesse instante. Em breve estarei em casa e saberei o que aconteceu. Eu só espero que não seja tão mal quanto aquele médico estúpido falou daquela outra vez...
                “Você não tem a mínima chance”, quem ele pensa que é pra falar assim? Tomara que ele se arrependa, que tudo dê certo e que ele engula todas as palavras podres que ele nos disse...
                E continuou em seu devaneio, todavia agora começou a observar as coisas a sua volta na tentativa de se desligar de tais pensamentos...
            Olha só aquela mulher que engraçada... Parece uma azeitona! Haha, os amigos dela devem chamá-la de “inchadinha”. E aquele menino, deve ser um cão... Olha como corre meu Deus, que perninhas. E a mãe, que cara de acabada, coitada! A verdade é que, eu não consigo me esquecer de que estou chegando à minha casa...
                E era assim mesmo, não conseguia por mais que se esforçasse se largar dos primeiros pensamentos que lemos há pouco...
            Passava em frente a uma cabine telefônica e achou engraçado o homem que lá estava. Este olhava para todos os lados, parecendo um espião que não queria ser visto. Sandoval achou que não fora visto pelo homem e se pôs a rir, mas a angústia o tomou novamente...
            Apertou o passo, não agüentava mais aquilo e queria duma vez saber a conclusão da história. Em menos de cinco minutos chegara a seu apartamento.
            Era um apartamento pequeno, simples, sem muita descrição, pois é do jeito que você está pensando agora.
            Adentrou em seu apartamento. Com o coração na mão, os olhos a procura dela, e uma ansiedade sobre-humana... Ia andando na ponta dos pés para que ninguém o percebesse, até que avistou ela...
            Ela estava assentada no sofá, com os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos cobrindo o rosto. Ela soluçava em um choro que não era inaudível, entretanto, seu corpo balançava com os soluços, e isso era visível.
            Lorena era uma mulher de cabelo repicado até a nuca, cabelo este da cor castanha com as pontas de louro, olhos cor de mel, mudando de cor com a luz, estatura mediana e sem mais descrições para não pecarmos.
            Sandoval ao vê-la ficou em estado de choque. Arregalou seus olhos, e por alguns minutos ficou sem reação alguma, até ter forças pra se mover novamente e ir até ela, se assentando ao lado da mesma e passando seu braço em torno dos ombros dela e a puxando para perto de si...
            – Está tudo bem amor... – Falou ele com a voz embargada.
            – Está tudo ótimo querido... – Disse com um pouco de dificuldade a garota, tirando as mãos de seu rosto e olhando com um imenso sorriso ao seu amado.
            O rosto do varão se iluminou de imediato, ele viu na mesinha em frente deles um exame médico e antes de pegá-lo, notou nas mãos de Lorena um teste de gravidez de farmácia, que mostrava que era positivo.
            Sentiu seu corpo flutuando, sem este estar. Sentia-se leve, e ao mesmo tempo, como de costume, sem reação.
            Lorena por sua vez, ainda chorava e começou a sorrir, colocando a mão de Sandoval em seu estômago...
            – Estamos grávidos meu amor...
            A mais de três nãos tentavam e nesse dia, tão angustiante, Sandoval soube... Soube que seria pai!

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pra Pensar...

Postagem bem cedo hoje =D

Aproveitem ^^


Pensar já é um começo, mas a ação é que determina se o seu pensamento foi o correto!



Minha Liberdade

Dentre o que posso te oferecer
Te ofereço minha liberdade
Ainda tímida, recém saída
Do invólucro da invisibilidade
Que a mantinha prostrada
Débil , escondida


Te ofereço meus sentimentos inacabados
Ainda não burilados
Em minhas portas e janelas
                                  Há muitas crenças abauladas
                                  Muitas vontades
                                  Em becos fétidos guardadas


Preciso sorver a essência da amenidade
O brilho tenaz da humildade
Não há sapiência
Na vaidade
Não há vida
Sem verdadeira serenidade


Interessa-me a alma
Despretensiosamente vestida
Quero trocar o casaco de pele
Pela blusa velha , puida
Leve e despojada
Num encontro decisivo com o nada


Calço a consciência
Com chinelos surrados
Desafrouxo os cintos apertados
Deixo os pés descalços simplesmente
Ainda que por um evaporável instante
Do meu caminhar errante


                            * Úrsula A. Vairo Maia *

domingo, 17 de julho de 2011

Vídeo da Semana

Oi gente, com um singelo atraso, mas ainda sim estamos aqui =D

Eu curto pakas essa música, mas sei láá neh, tem loco pra tudo =)

Abraços e até amanhã

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Diário

Franca, 15 de Julho de 2011

Diário...

                Hoje eu realmente não tenho muito que escrever por aqui, entretanto vamos lá...
                Essa semana realmente foi diferente, até porque meus sentimentos voltaram a estar num turbilhão constante. Não sei bem explicar o porquê disso, o porquê dos meus sentimentos serem tão irracionais e me fazerem perder a razão, mas ainda sim, sinto que isso se deve a um fato que nunca passou: Me sinto só, onde quer que estou, com quem seja.
                Não sei bem se isso se deve por alguns amigos no passado terem zombado da amizade que a eles eu entreguei, ou se é pelo fato de eu achar que sou auto-suficiente, só sei que isso tem acabado comigo.
                De fato é horrível essa sensação de não ter importância pra ninguém, de ninguém lhe conhecer por inteiro. Mas o que realmente eu não compreendo é o porquê de algumas pessoas se tornarem amigas de outras sem de fato querer ser amiga dessa pessoa. Complicado isso não?
                Ah, isso não me importa mais viu... Sei que um dia alguém que se preze vai achar a mesma coisa que eu e ai sim, terei um amigo de fato!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Poema

Minh'alma adjeta
Não se cansa de farfalhar
Esbraveja sem cessar
Tola obsoleta

Música aos meus ouvidos
É o enganar dos subalternos
Se envolvem em ternos
Ternos mal vestidos

Se engana quem me engana
Pois é este que está a cair
E eu como hiena
Estou a rir

Mas ainda sim sofro
Sou um jovem lúcido
Contudo, caio com um sopro
Sopro desse mundo moribundo

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Conto

Primeiramente quero esclarecer o porque do título do conto (Surreal 1.1).
Segundo o dicionário (da internet) Surreal significa: fora do comum, que foge da realidade.
E é por isso que o classifico em duas formas: O Surreal que retrata de coisas não humanas, como o pós-morte por exemplo (1._) e os que tratam de questão físicas mesmo, mas diferentes do padrão (2._).
Por isso, quando encontrarem algum conto cujo título for Surreal, lembrem-se: o 1._ retrata de coisas não humanas e os de 2._ retrata de coisas "fora do padrão" do personagem, ou até mesmo de vocês leitores...
Sem mais perca de tempo, eis o conto:

Surreal 1.1

            João Pessoa é uma terra esplêndida, onde o sol é o imperador absoluto brilhando naquele céu durante a manhã, e deixando o seu calor nas águas, sendo que esta, por sua vez durante a noite, solta na atmosfera seu calor, deixando esta cidade sempre aquecida, como um ninho de pardais, ou outro exemplo de algo quente e aconchegante que vocês se recordam.
            Poderia falar também da miséria que esta cidade vive, em certos pontos dela, mas de que vale falar sobre isso, sendo que em todo o globo sempre haverá essa distinção tão desigual entre o luxo num canto e a pobreza do outro num mesmo ambiente? Então, vamos ao que de fato nos importa... A história de Frederico Reis...
            Recordo-me de ter lido em um blog, uma postagem (do dia 5 de julho, uma terça-feira), alguém escrevendo numa espécie de Diário (algo realmente idiota), e falando sobre Frederico Reis, a “lenda”, que de fato não é lenda, mas fato. Esse varão que escreveu tais palavras, mal conseguiu expressar a essência da história, e é por isso que escrevo, tentando retratar e salvar a imagem de Frederico, e lhes narrar o fim desta história...
            Frederico Reis é um professor universitário, de uma inteligência fora dos padrões. Tem lá seus 40 e tantos anos e nunca se cansou de seu trabalho, apesar de aparentar ser um ser “cansado”.
            De aparência cadavérica, cabelos desalinhados, sempre arrumados com as mãos, umas roupas velhas, ultrapassadas, chegando até mesmo a lembrar o brega. De uma altura acima da média, mãos e todo o resto do corpo, sempre mostrando seus ossos, e uma pele acinzentada, olhos esbugalhados, negros e roxos, aparentando ser uma jabuticaba, mas sem vida... É esse o professor Frederico, professor da disciplina de Teoria da Literatura.
            Seu prazer é ler... Na realidade, sua vida é ler. Comia livros o dia todo, quem o visse o acharia um louco, pois andava lendo até mesmo na rua. Nascera para aquilo e isso o consumia, e era o que ele sempre quis... Lia de Homero a Paulo Coelho. De Dostoievski a Sidney Sheldon, e nunca se cansava.
            Era um critico fabuloso, apesar de sempre achar algo que se preze em qualquer leitura que seja. Sempre dizia “o livro pode é um reservatório de experiências ou vontades pessoais” e complementava dizendo que “todo livro sempre têm algo de bom, nem que seja uma única frase. Se não houver, acredite isso nunca seria publicado!”.         
            Faço uma pequena pausa nessa história para lhes deixar um aviso: Eu não sei escrever muito bem, na verdade, sei, todavia sempre me perco na colocação dos verbos, então, mil perdões... Ah, quase me esqueço de lhes avisar que sou um amante das vírgulas, pois elas fazem o leitor parar para respirar, ou ler com mais calma, como se “pisasse em ovos”, é assim que eu gostaria que vocês lessem... Mas enfim, leiam como bem entendem e perdoem as minhas falhas...
            O professor era alguém simples, metódico, porém cauteloso e perspicaz em suas decisões. Contudo, havia uma falha nele em que todos de João Pessoa relevassem: Não acreditava em vida após a morte... Sim, sempre criticou quem acredita nessa “palhaçada” e achava argumentos plausíveis e outros fantasiosos, mas ainda sim defendia ferrenhamente sua ideia.
            Embora a população de sua cidade não lhe desse ouvido quando o assunto era esse, havia seres que davam, e o odiavam... E esses “seres” dariam seu olá ao professor. E o fizeram numa madrugada de verão...
            Era início das aulas na faculdade federal, onde Frederico aplicava suas aulas. Sempre gostava de pegar os alunos do 1° semestre, e esse ano dera a sorte de ser professor de uma delas. Gostava de chocar os alunos, quebrando todos os paradigmas daqueles garotos, mostrando que em um simples texto, um conto qualquer, havia muita coisa implícita (não acredito que este seja um desses, mas há loucos pra tudo nesse mundo...).
            Chegara a sua casa naquela noite radiante (cerca de meia noite) embora seu jeito aparentasse ser o mesmo de sempre. Sua exultação era interna, e não se importava com isso...
            Estava sozinho como sempre... Foi à geladeira e pegou uma lata de coca-cola e foi ler um pouco o jornal. Lá encontrou uma matéria que realmente achou desnecessária, a manchete dizia “psicanalistas tentam provar a vida pós-morte”. Ao ler a manchete, começou a rir consigo mesmo e disse a si que aquilo era coisa pra idiota ler. Largou o jornal e foi dormir.
            Dormia como pedra. Sempre fora impossível de acordá-lo, entretanto eles estavam dispostos a acordá-lo naquela madrugada, para dizer que estavam lá, o vendo, o vigiando, o seguindo...
            3h00, como num passe de mágica, todo aquele apartamento (sim, ele morava em um pequeno AP) se ascendeu por inteiro... E o mais incrível daquilo: a televisão e o rádio se ligaram sozinhos no ultimo volume. A TV fora ligada num telejornal e dizia que “seis morreram num acidente de carro...” o rádio informava que “o fim estava próximo...”, e tudo isso foi capaz de acordar Frederico.
            Ele se erguera tremendamente assustado. Um barulho ensurdecedor lhe tomou os ouvidos, e desesperadamente ele começou a apagar as luzes e também desligou o rádio e a TV. Nunca havia visto aquilo, aquilo nunca acontecera, e como viria a acontecer? Tudo se ligar sozinho? Frederico achou que estava endoidecendo e que aquilo só deveria ser sonho. Voltou para a cama e dormiu, entretanto no outro dia não conseguiu esquecer daquilo.
            Uma semana se passara desde a primeira aparição. A segunda se revelaria ainda mais perturbadora. Não fora às 3h00 como da outra vez, e também, nem tudo se ascendeu, contudo foi algo mais perturbador: O espelho do professor estava escrito com algo similar a sangue “Viemos te buscar...”. É claro que ele não contou isso a ninguém.
            As visitas começaram a passos lentos, sendo uma vez por semana, depois duas, até que chegou a ser todos os dias. Frederico, não sabia mais como reagir, e isso foi lhe prejudicando seriamente em seu trabalho, já não dizia coisa com coisa, se sentia estarrecido e começou a ficar afoito às coisas a sua volta. Estava entrando em um buraco, e este era sem volta...
            Uma das visitas fora alguém gritando na rua que o agouro começara. O homem ao acordar foi até a janela e não havia ninguém ali...
            Outra vez, fora acordado por um barulho ensurdecedor vindo de sua televisão e fora ver o que era ao chegar a frente à mesma, contemplou Scar de O Rei Leão e este dizia com um olhar de desdém fundido em ódio “Fuja pra longe e não volte nunca!”. Não se assustou com aquilo, em si, mas por se recordar que o filme era um texto que dialoga com Hamlet de Shakespeare, e foi além, se recordou da frase célebre “Ser ou não ser? Eis a questão...”, sua mente em nó começou a se perguntar sozinho “Crer ou não que almas do outro mundo são reais?
            Frederico começou a se sentir nos livros de Stephen King e também em Fausto de Goethe, onde entregar a alma ao diabo era só um fator decisivo... E seu medo era crescente...
Começou a ler sobre o pós-morte, vendo a visão de cada religião, mas ainda sim achava que estava pirando e não que espíritos existissem... Até que chegou o dia fatídico...
Estava dormindo como de costume, mas tendo sonhos terríveis. Acordou todo suado e ao olhar para a parede em frente a sua cama, se depara com um vulto, que não corria, mas o olhava com olhos vermelho escarlate, que o envolviam e o conduziam para um caminho de morte. Sentiu uma vertigem, porém mal conseguia se mexer. De olhos esbugalhados, quase urinando em suas calças, viu o vulto indo para si e encostar o dedo em sua testa. No mesmo instante como em um flash se ascendeu uma luz em sua mente, escrito em negro “Nós somos mais reais que você!
            Após esta visita, Frederico sucumbiu e se auto internou em um sanatório. Estava lúcido, mas ainda sim, todos o achavam um pirado, pois ele mal conseguia controlar o que falava.
Todavia, as visitas não cessaram.
E em certo dia, por não agüentar mais as visitas, que já não eram visitas, mas na verdade uma moradia, pois os seres do além viviam ao seu lado, falavam com ele, embora ele não respondesse, Frederico se entregara... Rasgou suas roupas e se enforcou com elas...
É este o fim desta história, em que todos nós de João Pessoa, confiamos piamente, e acreditamos fielmente em vida após a morte... A quem não acredite, a quem acredite que eles não podem vir nos visitar como fizeram com Frederico, mas ainda sim, todos se calam quando ouvem esta história fatídica.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Poema

Tire as pedras do caminho
Viva em desalinho
Sem complicação,
Mas não distante da razão.

Tire as pedras do caminho
Sinta o carinho
De quem lhe quer o melhor
Mesmo que isso seja algor...

Tire as pedras do caminho
E não se arrependa
Viva como o "filhinho"

Correndo, pulando
E aprenda
Só é feliz, quem vive lutando...

Pra Pensar...

Frustrações todos teremos... Mas se destaca aquele que consegue superá-las...


A nossa honra é como giz
Ao qual queiramos afiar,
A cada corte lhe feito...
Espalhamos o pó pelo ar!

A abelha pousa na flor
Sem o pólen massacrar,
O homem massacra o amor,
Sem nem ao menos pousar!

O passarinho faz o ninho
Sem a natureza incomodar,
O homem, sendo mesquinho,
Faz sua poluição imperar!

A formiga faz seu lar
Em união e eqüidade,
O homem a... Rapinar:
Direito e igualdade!

Até o animal predador
Satisfaz-se com a fartura,
O homem, em seu rancor,
Só para na... Sepultura!

O equilíbrio da vida
Tem por base o amor,
Sem disputa renhida
E sem almejar penhor.

Nem Jesus envelheceu
Neste mundo nefando,
Veio amar e... Morreu,
Como se estivesse pecando!

Pregou o eterno paraíso
Longe dos elos terrenos,
Profetizou o dia do juízo
Com julgamentos serenos.

Homens insensatos!
Copiem dos animais,
Não sejam ingratos
Acatem os seus iguais!

Sebastião Antônio Baracho.

sábado, 9 de julho de 2011

Video da Semana

Bom gente, o vídeo de hoje, tem gente que curte e tem gente que não curte... No meu caso, prefiro ficar com os que curtem ^^

Green Day Aeee gente \o HAUSAHASU


Semana que vem tem mais gentem =D
Excelente FDS ai ^^

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Diário

Algum Lugar, 08 de Julho de 2011

Ilustríssimo Diário

            Infelizmente não sei onde me encontro. Felizmente, fugi pra uma zona onde eu mesmo me desconheço, onde a minha imagem no espelho me revela um estranho... Sim, eu gosto disso... Esquecer do mundo, esquecer das pessoas, só me importar comigo!
            Realmente não sei como vim parar aqui, contudo, me sinto bem... Na realidade, me sentia bem, até agora a pouco, e é por isso, que escrevo.
            Aqui no meio do nada, onde areia é só um detalhe sem importância, me vi preso numa questão “E se o mundo acabasse agora?”; É claro que todos já ouviram isso e já se cansaram, pois o “mundo não vai acabar agora”, mas ainda sim, essa questão me pegou e foi mexendo comigo, mexendo a ponto deu começar a escrever sobre isso...
            “E se tudo acabasse agora?”, sim, é difícil imaginar isso, mas a vida para muitos acaba assim, do nada, sem explicação. Todavia, a questão não é eles e sim eu, ou no caso a quem ler “você!”.
            É complicadíssimo explicar sobre isso, mas sabe, o complicado mesmo é você ter a consciência de que deixou de fazer algo de extremo valor pra algumas pessoas, pensando só em si, e é isso que é complicado... E eu fui assim...
            Sabe, quanta coisa eu poderia fazer, quanta gente eu poderia ter ajudado, ou até mesmo, ter agido mais. Não, não quero parafrasear os titãs dizendo que deveria ter feito mil e uma coisas a mais, o que eu realmente quero dizer é que, faltou mais paixão pelas coisas, pelas pessoas, e mais ação quando amei...
            Não sei se me arrependo ou se fico na minha zona de conforto, o que sei, é que é possível eu prosseguir, mas de uma forma diferente. Porque o mundo também não tenta isso? Até porque “E se o mundo acabasse agora?”...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Poema

Inundado em um torpor
Se lançou na alcova
Buscava fugir de sua masmorra

Não havia fulgor que o erguesse
Estava tomado
A esperança, nem mais era necessário

Inundado em um torpor
Se viu em desalento
Acabara o seu tempo

Tudo findado foi
O desespero o tomou
E tudo propositalmente se findou...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Conto

Bom gente, eis ai uma novidade =D

Se tudo der certo, enquanto eu naum bolo algo legal pra novela, irei postar toda quarta um conto (se for possível, então nem esperem rs)


Fantasia

            Lá pelo sertão das tantas, terra aflita, que sofre com a seca – ou a quem preferir, com a falta da chuva -, que sofre com a desigualdade brasileira, que se acaba pelo fato de mães - por vezes-, deixar de comer para dar de alimento a seus filhos – e o mais triste, essas crianças morrem de fome-. É nessa terra ferida, rasgada pelos gritos, lágrimas e desespero do povo sem esperança do porvir; É nessa terra onde a “ordem” foi deixada de lado, e o “progresso”, nunca chegou naqueles lados. É nessa terra que vive Clotilde, sempre chamada de “Crotilde”, até mesmo pelos pais, e apelidada de “Cro”.
            Essa menina, de sete anos, é deveras inteligente, entretanto por viver num lugar como o que vive, nem tão cedo – muito menos tarde – terá acesso a chamada “educação”, o que de fato é um mito; É uma guria  prendada, ajuda a cuidar de seus três irmãos mais novos, cuida da limpeza da casa, e apesar da dureza da qual vivi, jamais se vira frustrada, chegando até a sorrir por alguns momentos.
            É morena de natureza, cabelo tonhonhoim, cheia de sardas pelo rosto, estas meio alaranjadas, meio marrom; Os dentes, apesar da pouca idade, eram amarelados por não haver a devida higiene bocal; Não tem muitas roupas, e as que possui já se mostravam rasgadas pelo uso em excesso. Seu vestidinho mais bonito parece mais com o vestido de quem dança frevo, do que qualquer outra coisa. É uma mistura de cores surreal, uma amostra do finado Dadaísmo, todavia ela não se importava com isso, pois ganhara o vestido de dona Justine, uma estrangeira que se dizia jornalista (Clotilde nunca virá a saber o que é isso), boa gente, morava em São Paulo e em um ato de amor por aquele povo, gastou parte de seu dinheiro comprando roupas para as pessoas daquele local.
            A garota não tinha muitos amigos, e nem tem, por ter de cuidar dos irmãos e mal sair de casa. Sua melhor amiga é Madalena, uma boneca de pano mediana que dividia com os irmãos, o único brinquedo deles.
            A casa de Clotilde é feita de taipa de sopapo, sem nenhum luxo, sem encanamento, sem luz, sem muitos objetos e principalmente, sem achar algo de bom no futuro.
            Nesse dia, o hoje para ser mais franco, a pequena está na frente de sua casa, contemplando o chão de barro, rua de sua residência. Se vê acompanhada de sua melhor amiga, segurando esta em seu colo, como a um bebê; Sua amiga usa um vestidinho azul-marinho com pequenas “meias-luas” amarelas, por sobre esse azul; É de pano como já mencionado e com apenas um olho, sendo este de vidro, o outro caiu por culpa da irmã menor de Clotilde.
            - Já, já meus irmãos acordam Madalena – Sussurra a criança para a boneca.
            Clotilde sabia que em poucos minutos seus irmãos se levantariam, e por isso iria brincar com sua amiga.
            Sua brincadeira favorita era imaginar, e fazia isso com excelente maestria...
            Veja só Madalena, começou a devanear a guria, Plério está indo para seu barco, tomara que hoje ele pegue um peixe cheio de dente e que morda ele. Ele é bem chato viu, vive falando mal dos outros, onde já si viu, falta di educação dessi homi...
            Mas imagine só Madalena, prosseguiu em pensar a criança, imaginando que falava com a outra por telepatia, uma chuvarada caindo do céu, moiando a gente e nóis ficando tudo moiados... Ai o barro fica macio e afunda a gente, igual aconteceu com o Felisberto daquela vez, se si lembra? Ai os pescador viria tudo salva nóis duas e também afundariam junto da genti, ai teria qui ser nóis qui salva eles. Nisso nóis virava tipo herói e Justine ia vim faze um monte de pergunta pra gente, igual da vez qui ela veio aqui. Ai mamãe ia chora, igual da outra vez também, i a gente ficaria famosa, igual as estrelas que tem na TV que a Justine me falou.
            Depois disso dali, nóis ia i pra São Paulo, a terra qui tem dinhero sobrando. Ai a gente ia anda naquela minhoca prateada gigante qui a Justine mostrou pra gente, ia naqueles negócio alto qui ela falou qui é igual casa, imagina só Madalena, ai a gente anda di “inlevador”, é isso né? Pois então, nóis anda nele i conheci toda São Paulo, já pensou?
            Ai a gente vai em “restaurante”, nossa que nome chiqui, come do bom i do milhor, ai volta pra vá i busca meus irmão e mainha pra i pra lá também. Pensou? Ai mainha casa com um homem cheio di grana e vamo ser feliz.
            Isso memo Madalena! Ai eu também fico rica porque vou conta as lenda de nossa terra pra eles, i dipois eu conheço os político e eles me ensina a menti e eu a conta história, já pensou Madalena, a vida boa que a genti vai te lá em São Paulo? E tudo isso porque salvamo os homi do barro.
            Mais olha isso vai é demora pra acontecer, porque nem chove mais por aqui viu...
            Ai Madalena, eu tava matutando aqui i... Nessa hora a mãe de Clotilde a chama, pois seus irmãos acordaram e vai cuidar deles.
            Infelizmente, ela só pensara por míseros dois minutos.
            Clotilde descalça, habitual, se vira e vai pra dentro de casa sabendo que nada mudara, pois a esperança, naquele lugar não há.
           

terça-feira, 5 de julho de 2011

Poema

Unir palavras é facil,
Expressar sentimentos, difícil,
Amar alguém, complicado

Sorrir, normal
Tristeza, anormal
Amar alguém, enamorado

Sim, não sei me expressar
Mal sei o que digitar
Ainda sim, de amor,
Eu sei falar...

Pra Pensar

As vezes sonhamos tanto, que mal agimos...
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Para se roubar um coração, é preciso que seja com muita habilidade, tem que ser vagarosamente, disfarçadamente, não se chega com ímpeto,
não se alcança o coração de alguém com pressa.
Tem que se aproximar com meias palavras, suavemente, apoderar-se dele aos poucos, com cuidado.
Não se pode deixar que percebam que ele será roubado, na verdade, teremos que furtá-lo, docemente.
Conquistar um coração de verdade dá trabalho,
requer paciência, é como se fosse tecer uma colcha de retalhos, aplicar uma renda em um vestido, tratar de um jardim, cuidar de uma criança.
É necessário que seja com destreza, com vontade, com encanto, carinho e sinceridade.
Para se conquistar um coração definitivamente
tem que ter garra e esperteza, mas não falo dessa esperteza que todos conhecem, falo da esperteza de sentimentos, daquela que existe guardada na alma em todos os momentos.
Quando se deseja realmente conquistar um coração, é preciso que antes já tenhamos conseguido conquistar o nosso, é preciso que ele já tenha sido explorado nos mínimos detalhes,
que já se tenha conseguido conhecer cada cantinho, entender cada espaço preenchido e aceitar cada espaço vago.
...e então, quando finalmente esse coração for conquistado, quando tivermos nos apoderado dele,
vai existir uma parte de alguém que seguirá conosco.
Uma metade de alguém que será guiada por nós
e o nosso coração passará a bater por conta desse outro coração.
Eles sofrerão altos e baixos sim, mas com certeza haverá instantes, milhares de instantes de alegria.
Baterá descompassado muitas vezes e sabe por que?
Faltará a metade dele que ainda não está junto de nós.
Até que um dia, cansado de estar dividido ao meio, esse coração chamará a sua outra parte e alguém por vontade própria, sem que precisemos roubá-la ou furtá-la nos entregará a metade que faltava.
... e é assim que se rouba um coração, fácil não?
Pois é, nós só precisaremos roubar uma metade,
a outra virá na nossa mão e ficará detectado um roubo então!
E é só por isso que encontramos tantas pessoas pela vida a fora que dizem que nunca mais conseguiram amar alguém... é simples...
é porque elas não possuem mais coração, eles foram roubados, arrancados do seu peito, e somente com um grande amor ela terá um novo coração, afinal de contas, corações são para serem divididos, e com certeza esse grande amor repartirá o dele com você.
Luís Fernando Veríssimo

Diário

Mil perdões pessoas, mas cá está...

João Pessoa, 05 de Julho de 2011

Olá Diário

            Enfim, estou em férias. Descansando, repousando, visitando pontos turísticos desse lugar belíssimo, e aprendendo um pouco mais dessa cultura vastíssima.
            É engraçado que no próprio Brasil há diversos dialetos, diversas culturas, tão diferentes de uma cidade pra outra. Isso de fato me impressiona. Mas, não é disso que vim falar...
            Vim falar (escrever não é? – Risos -), sobre uma história diferente que ouvi aqui...
            O nome do homem é Frederico Reis, professor de uma universidade daqui de João Pessoa. Tem 46 anos, ou melhor... Tinha; morava sozinho, nunca se casara e só se importava com a sua disciplina: Teoria da Literatura.
            Era um homem fantasioso, e aparentava mesmo ser um: alto, cabelo até a nuca, bagunçado, pele morena, mas pálida, parecendo um morto vivo, olheiras, grandes olheiras, e mãos que tremiam de excitação quando o assunto era livros.
            Amava ler, devorava todo e qualquer livro que vinha pela frente. Mesmo abominando livros de auto-ajuda, os lia para saber de fato em que ponto criticar aquelas besteiras em que toda criança de três anos saberia dizer...
            Frederico, mesmo sendo muito inteligente, não acredita em seres de outro mundo, e também, não acredita em vida após a morte. E até blasfemava, debochando de pessoas em que acreditavam nisso. Chegou a um ponto em que ofendeu descaradamente as pessoas que acreditam nisso, os chamando de “bobocas, sem cultura e sem entendimento”, esse fora seu erro, pois não só mexera com as pessoas desse mundo, mas do pós-mundo, e sendo realmente franco, a vingança deles é bem maior do que a de um homem natural...
            Tudo começara em um dia em que o professor voltara para sua casa, 11h45, depois de um longo e estonteante dia de aula. Ele se sentia bem, mas cansada, por conta disso, fora repousar.
            Tinha um sono de pedra, contudo, as 3h00 as luzes de sua casa se ascenderam, o som e TV foram ligados no ultimo volume, apresentando um som grotesco e aterrorizador. Tudo isto, fizera o varão se erguer de sua cama, super assustado e quando fora desligar as coisas, tudo se desligou sozinho.
            Este fora o primeiro aviso deles.
            E isso voltou a acontecer uma semana depois, e fora aumentando, até todos os dias, no mesmo horário, tudo em sua residência se ligar inesperadamente.
            Frederico não dormia mais como antes, vivia assustado, algo o arrastava para um abismo que ele mal se deva conta... Seu fim estava bem próximo.
            Para encurtar a história, o professor enlouquecera, e hoje está preso em um manicômio, vendo todos os dias às 3h00 os espíritos, que agora são seus amigos...