sábado, 25 de junho de 2011

Diário

Istambul, 25 de Junho de 2011

Prezado Diário

            Não me declaro uma mulher apaixonada pelas coisas mundanas, até porque elas me assombram, me assustam e me calam sempre que tento me expressar. Bom, isso fora até 1960 época de grandes incertezas ainda pra todo o globo, época em que eu menina, via uma terra cinza, pulando sem pára-quedas ou qualquer outro tipo de coisa que amenize a queda, num buraco sem volta...
            Por conta disso, me refugiei em minha imaginação, criei um mundo só meu e esse mundo me confortava. Ele me guiava em minhas escolhas, e o globo cinza a minha volta se deturpou de tal forma que deixei de vê-lo, deixei de analiso e de sofrer por ele. Só via a mim, só via o meu mundo, que não era cor de rosa, mas era de todas as cores, formas e tamanhos diferentes.
            Não digo que isto fora de todo o mal, pois eu amava meu mundo, mas ele foi prejudicial, porque quando dei por mim, não tinha ninguém ao meu lado.
            Não me importei com isto também e achei novos amigos: os livros. Que delícia eles eram, que maravilha sem igual. Começa a lê-los pela manhã e para na madrugada. Eu me deliciava com eles, e foi eles, que fizeram o meu mundo aumentar sem igual.
            Contudo, um dia a realidade fez com que eu voltasse a ela... Fora a perda dos meus pais... Um acidente... Um ônibus passando em cima dum humilde carro... O fim, ou o começo, não sei explicar... Só sei que isso ao mesmo tempo em que me fez mal, me fez um bem imensurável...
            Vi que ler é muito bom, mas ficar só na leitura não basta, tem que se viver... E eu comecei a viver...
            Hoje, sou casada, tenho dois filhos maravilhosos, um esposo fabuloso, e uma vida estável com beiras ao declínio e também ao topo...
            O que eu aconselharia a todos é a não viver só de sonhos, que eles sejam o impulso pra você ir adiante, pra que você lute e conquiste... Não deixe de sonhar, mas vá muito mais além do seu sonho...

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