sexta-feira, 20 de maio de 2011

Diário

Goiânia, 20 de Maio de 2011

Perdão Diário...

            Sei que tenho faltado  de zelo para contigo. Também sei que faz dias que não escrevo em tuas fabulosas linhas. Entretanto, nada é como antes, e isto lhe contarei nas linhas que se seguem...
            O trabalho como sempre, - e tu bem sabes disto - tem consumido os meus dias, minha interação com o mundo a minha volta e tudo o mais. Porém, nessa semana que se passou, da qual fora extremamente corrida, devido a um evento que estava organizando, as coisas não ocorreram em seu percurso natural, o que muito me pasmou.
            A começar por Charlotte minha assistente que há anos vinha lutando para conseguir engravidar e nunca conseguia, conseguira de forma surpreendente engravidar, e tudo isto porque mudou seu modo de alimentação – assim ela diz -.
            Depois, um aumento inesperado do meu chefe, alegando a altíssima competência do meu trabalho, e a excelente dedicação da qual me disponho para o meu serviço.
            Enfim, tudo isto – apesar de surpreendente- não se compara em nada com o que estava para acontecer comigo...
            Na quarta-feira, voltando do meu trabalho para casa, vi em frente a porta da minha casa um pequeno. Ali ele dormia agachado, parecendo um caracol. Eu não pude ver como era o garoto, da distância que estava, até porque a rua se encontrava escura.
            Me aproximei do pequeno e me abaixei para acordá-lo. De sobressalto ele se ergueu e ficou me encarando. Não era uma face maligna, mas tentava ser, e apesar de tudo, seu olhar guardava uma tristeza profunda. Seu corpo estava sujo, de igual modo as suas vestes se encontravam assim e pior ainda: se encontravam rasgadas.
            Sorri para ele de forma agradável e amigável, ele por sua vez começou a tremer vendo que era mais fraco que eu, e que estava numa área que não era a dele.
            Tentei começar um diálogo com ele, mas ele parecia temeroso demais para tal, todavia, eu conseguira persuadi-lo a ponto dele começar a conversar comigo.
            Descobri que seu nome era José, menino de rua desde que se conhecia por gente. Não tinha pais, e se tinha não os conhecia. Andava com um bando pela cidade, contudo por não querer mais roubar, após aprender com algumas pessoas que isto era errado, fora expulso pelo líder do grupo, e não tinha para onde ir.
            E chegamos ao pé que estávamos um falando com o outro.
            Eu por minha vez mal sabia o que fazer, nunca havia encarado uma situação como aquela, e havia me comovido pelo garoto que parecia ser sincero. Então num surto que ainda não sei explicar, peguei o garoto, mandei com que ele tomasse banho e em seguida fomos comprar roupas para ele.
            Eu não quero me estender tanto, Diário, só gostaria que estivesse ciente de que por vezes deixarei de aparecer por aqui, pois agora sou pai! Pai de José Ferreira Santos, um ex garoto de rua. E agora tenho a família que sempre sonhei, pois daqui a 6 meses me casarei com Anita, a minha querida noiva.

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