Cabul, 06 de Maio, de 2011
Olá Diário
Agora são 2h40min da manhã. As coisas aqui na cidade, como você bem sabe, não estão nenhum pouco bem. Entretanto, não pego minha caneta para falar da desgraça dessa terra, tampouco para falar da morte de Osama. Escrevo é para narrar o sonho funesto que tive a pouco e da estranheza que tomou meu quarto.
Dormi normalmente no mesmo horário que estou habituado, as 22h00, meu sono é pesado, e meu corpo relaxava, quando estranhamente meu inconsciente me trouxe um sonho aterrorizante, que eu até chamo de pesadelo.
No sonho eu me encontrava num local aberto, parecendo vazio, o único sinal de vida era alguns ossos já amarelados largados pelo chão, e os ossos variavam, tinha cabeças, braços, quadris, pernas, e todo o resto de corpos, todos espalhados sobre aquele chão de terra, avermelhado. Contudo esse chão vermelho, mais parecendo barro, se dava por conta do céu: o sol era laranja-avermelhado, as nuvens eram de cor rosa, e a parte que deveria ser azul, era dum vermelho sangue, horrendo.
Eu vagueava naquele local, sem rumo, não estava calor, mas eu me encontrava sem o meu jalabiyah e também sem o meu taqiyah. Assim, eu só estava usando uma bermuda, de sandálias, mas sem nenhum tipo de blusa e sem o meu “chapéu”, o que é uma desonra. Mas o estranho nisto era que eu não me importava de andar daquele jeito em meu sonho.
Repentinamente enquanto caminhava pela estradinha de terra, enquanto em procurava alguém, atrás de mim surgiu uma imensa sombra. Virei-me para fitar o que era, e era o ser mais grotesco que vira, se é que aquilo era um ser.
O monstro usava uma roupa similar ao dos frades, só que a diferença era na cor: enquanto a deles é marrom, a do monstro a minha frente era negra. Sua veste cobria seu rosto, e ia até os pés, cobrindo o mesmo. Seu rosto eu não podia ver, por mais que tentasse, e suas mãos eram similares os dos esqueletos que estavam jogados naquele chão, mas não eram amareladas e sim negras, com unhas enormes. E o mais estranho: aquele ser levitava.
Eu me arrepiei por inteiro, tentava e queria fugir, mas o meu corpo me impedia. Até que o ser falou:
- Até que enfim chegou, meu caro! Já são 3h00.
Neste instante eu quase desmaio, minhas pernas ficaram bambas, porém elas ainda não me obedeciam. A voz daquele ser era uma mistura da do Jig Saw dos Jogos Mortais, com o som de uma trovoada. Eu quase urinei nas calças, e assim eu estava quando acordei.
- E qu... Quem, é você? – Por incrível que pareça eu consegui falar algo.
- Eu? – Respondeu aquele ser com voz apavorante e estrondosa. – Isto não importa, meu caro. Apenas venha.
E involuntariamente eu comecei a segui-lo, e ele foi me mostrando todo aquele lugar horrendo. Enquanto andava eu percebi que quanto mais longe as coisas estavam de mim, mas escuras elas ficavam. Notei também, que fora da estrada, havia milhares de covas e as pessoas apareciam caindo do céu, entrando nelas com violência. Estremeci quando vi isso.
Algo que também vale a pena falar é que as covas tinham nomes, e os nomes aparentavam estar escritos com sangue. Ahhh e também que essas pessoas quando caiam faziam um som de foguete caindo em disparada sobre o solo, e quando tocavam o chão, o som era de explosão.
Não sei se estou conseguindo lhe mostrar o que vi no sonho, Diário, mil perdões.
E por fim, vi também milhares de corvos passeando naquele céu maldito.
No fim das contas, chegamos a uma cova, a princípio eu não conseguia ler o que estava escrito, assim, olhei para o meu guia e esperei que ele falasse. Ele mal me olhava nos olhos.
- É aqui o seu lugar!
Quando fui entender o que ele falara era tarde demais: A cova tinha o meu nome. Tentei fugir, mas os corvos vieram pra cima de mim e começaram a me atacar, rasgando minha pele, me devorando vivo. Eu senti que estava podre. Eu ainda lutava por minha vida, mas uma foice atravessou o meu peito e eu senti minha vida saindo de mim.
Cai na cova, e os corvos começaram a pegar terra envolta da cova e a lançar sobre mim. Foi nesta hora que acordei.
Estava com falta de ar, havia urinado nas calças, feito um bebe acuado, todavia o fato mais assustador vem agora: minha cama estava cheia de terra avermelhada, o que me fez me jogar no chão assustado e ficar olhando incrédulo para a minha cama.
Levantei do chão num salto e fui ao banheiro: No vidro de lá, vi uma folha colada na mesma com algo escrito. Peguei e vi algo que me assustou ainda mais: uma mensagem com o escrito “As 3h00 eu venho lhe pegar!”, escrita com sangue...
Agora são 2h58min, espero pacientemente até as 3h00 para ver o que irá acontecer...
Creio que isto é um adeus Diário, e se não for, amanhã saberás...
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