Minha Dona
Talvez
meu jeito de ser, bem no âmago, seja muito ao estilo de Vinícius de Moraes: um
homem que ama a beleza da mulher. Porém, ainda sim, sinto-me no dever de dizer
que eu possuo um faro muito mais “apurado”, pois há um jeito de ser nas
mulheres, em algumas, que me atrai em demasia, e é a essa beleza, que tributo
minhas palavras. É para a beleza delas... Contudo, seria demasiado insano dizer
que apesar deu olhar com uma maior atenção a um tipo de mulher, eu nunca seria
enlaçado por uma dessas. Na verdade, o que eu sempre quis ao admirá-las era que
uma delas me olhasse, e foste tu quem me olhou. E é a ti que lanço minhas
palavras mal construídas...
A
outras, dum passado nebuloso, eu dissera que eram filhas dos grandes deuses do
Olimpo, ou melhor, disse que se eles fossem reais, elas seriam filhas de
determinados deuses. Mas contigo, não uso desse método. É falho, é torpe, é
bobo. A ti eu daria o nome de Helena, não aquela que gerara a guerra entre os
gregos e os troianos, mas a simbologia do nome, pois o nome Helena em grego,
significa “grego”. Dar-lhe-ia o nome Helena, pois seria você o motivo do
declínio dos próprios deuses (se eles fossem reais, lembremo-nos disso), seria
a racionalidade, expressa numa simplicidade violenta, que são características
marcantes em ti.
Eu
poderia passear por toda a História do ser humano, e em nenhum momento eu
encontraria alguma mulher que se comparasse a ti... Ou melhor, encontrei, mas
de um jeito que os mais “cultos” (e não entremos no mérito de tentar entender o
que é ser isso, pois de fato creio que ninguém é culto, sendo que há ainda um
mundo inteiro pra descobrirmos), diriam que eu sou louco, biruta. Pois eu
achara você em Monteiro Lobato. O nome
dela é Lúcia, mas ganhara o apelido de Narizinho por ter o nariz arrebitado...
És
Narizinho, não pelo fato do nariz, pois o teu apesar de o ser levemente
arrebitado, é fantasticamente bem desenhado e lindo, como todos os detalhes que
há em você. Não é também pelos olhos de jabuticaba, que sim, você também o tem,
e que brilha de uma forma tão única e incrível quando me vê, que faz meu ser
disparar. Não és Narizinho por ser travessa (do seu jeito é claro). Não é
Narizinho por diversas razões a não ser um: a tua simplicidade. Simplicidade
revelada em uma criança, os seres mais fantásticos e complexos que existem. Nós
“mais velhos” temos o estranho dom de complicar tudo, mas para a criança não.
Nada de pensar muito, nada de sofrer pensando, vive-se. E você é assim.
Eu
queria que este fosse o melhor texto que eu já produzira... Eu quisera que
minhas palavras fossem como as lindas flores do campo, que tomam o olhar de
quem passa, que penetra dentro do ser, e toca a alma, e não simplesmente a mera
visão. Quisera que minhas palavras fossem como o teu abraço, que apesar deu não
o tê-lo neste exato segundo, eu o sinto, pois ele é único e o que eu amo; quem
dera minhas palavras fossem “infinitas” assim... Quem dera que esse texto
gerasse o teu riso. Quem dera...
Buscara a resposta nas coisas vãs dessa
vida. Viveu, comeu, bebeu, riu, mentiu, se disfarçou. Viveu insatisfeito. O
sonho de menino não se realizava sabe-se lá por que. Ele cria que era pelo fato
da “certa” não haver chegado. Mas ela não chegava. Desde os sete anos a
aguardando, e nem o menor sinal dela. Ele não desistiu. Prosseguiu...
Encontrou novas dúvidas, novos
medos, sua mente era areia movediça, o prendia e o levava a ser idiota, o
levava a nunca ter respostas, mas só novas dúvidas.
Viveu, desvivendo a todo o momento.
Aprendeu mentir a si mesma e assim a mentir para todos a sua volta...
Aguardou por anos, para que os
sonhos de sua vida começassem a se realizar... Eles começaram, sem que ele
percebesse, de um jeito que ele não entendeu, de um modo em que as coisas
aconteciam a partir de uma desconstrução. Ele começara a conquistar quando
achou estar perdendo...
Agora, a vida lhe pregava peças
corriqueiras. Enganava seus sentidos, gerava-lhe falsas alegrias, mas também
falsas tristezas. E o que é a vida se não uma bela fábula? Uma fábula que
sempre há uma moral ao fim dela... E às vezes a moral nada nos diz de
significação.
Ele era feliz... Pois encontrara
aquela que chamara de “Minha Dona”, aquela que ele
ansiava passar todo instante ao lado
dela. Não sabia se era recíproco, queria que fosse, mas não imporia isso, não
era possível se impor algo assim. Ele aprende que quem perde às vezes é o maior
vitorioso. Ele queria que ela aprendesse isso. Mas também não exige. Somente
sorri ao tê-la ao seu lado.
Era incerto tudo... Havia muitas
questões... Unir vidas não é tão simples quanto se pensa, todavia, quando se
vive essa união os dois juntos, dispostos a cederem, dispostos a arriscarem,
haja visto que apesar de nem tudo ir bem sempre, as coisas dão certas, pois o
amor prevalece. Ele sabia que seria assim com eles, pois eles pareciam engrenagens
que quando bem montadas, funcionam perfeitamente, fazendo uma máquina maior ter
vida.
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