Ausência
E
ele sente as dores da saudade. Hoje é o terceiro dia deste novo ano e ele gosta
desse número, mas nesse dia ele resolveu não gostar. Nosso personagem é um
alguém sem rosto, sem nome, sem identidade, sem nada que nos atraia a não ser
seu coração, que talvez tenha um pouco de nós ali, ou o seu exagero nos faça
compreender-nos um pouco, ou não, quem é que o sabe?
Ele
sofre... A ausência dela o feria, o machucava e não porque ambos queriam, o
desejo deles não era a distância, mas sim a proximidade, porém não dava pra ser
assim.. E ai dentro dele, havia uma dor latente.
Sabem
como é essa dor de aguardar tanto pra ver uma pessoa e isso nunca chega? A dor
do desapontamento, de esperar e esperar e no fim não dar certo? Pois é... Não é
culpa de ninguém, a culpa é da falta da culpa. Ele sente saudades... Saudades
dela.
E
ele percebe que a ausência, gera nele uma alma pessimista, ou melhor, ativa a
sua alma pessimista que ele perdera por causa dela. De fato a vida dele nunca o
ensinou a ver as coisas por um viés otimista, positivista, pelo contrário, sua
vida lhe ensinou que nada vem fácil e que tudo parte muito rápido. Sua vida lhe
ensinou que o mal chega mais rápido que a bondade. A vida lhe ensinou que era
mais fácil sonhar sozinho do que com alguém, por que esse alguém dificilmente
lhe dará ouvidos, ou irá lhe compreender. Que o amor dificilmente é retribuído,
etc. e etc.
Talvez
o que doesse mais nele, era que ficar sem ela, era como estar sem nada. Ficar
sem ela, gerava a cada instante nele um buraco, um vazio, que ia aumentando e
que só ela podia preencher. Seu sono já não
é mais o mesmo, seu hábito alimentar também não, seu pensamento, muito
pior, tudo por conta da falta que ela faz. E dói, só ele sabe como dói. A pior
dor, é ver que sem ela, ele é fraco, mas ela não mostra isso. E como ele sabe
disso? É que ele virou perito em saber da vida dela, em fuçar a vida dela. E
sempre pareceu pra ele, que enquanto ele fica sem sorrir, entristecido e só
pensando nela, ela pelo contrário, ri, se diverte, vive. Ela tem mais pessoas
ao lado dela, ele não tinha ninguém que o fizesse se distrair. Os amigos dele
eram cheios de outros amigos, e pra ser franco, ele não contava com seus
amigos, não depois de tudo o que passou... E isso dói nele. Ela lá, feliz, ou
aparentemente feliz, enquanto ele... Enquanto ele sem nada.
É
engraçado, pois ela gera nele uma força estranha, que lhe faz continuar, que
lhe faz prosseguir. Estar com ela o desarmava, mas o fortalecia, e ficar sem
ela ia definhando a pessoa dele, emocionalmente falando.
Ele
não sabe o que fazer. Queria ser forte. Queria saber resistir mais sem ela,
pois em um tempo fora sem ela, contudo, ele provou da presença dela e o que ele
mais queria é que isso não acabasse. Porém, ele teme que isso aconteça. Ela já
o machucara, ela já negara a palavra dela pra ele. É claro que ele a perdoara,
mas em tempos de saudade, essas coisinhas vem a tona, e dói mais. Ele também já
a machucara, e como isso foi horrível...
Saudades...
Do sorriso dela, do sorriso sincero dela, dos olhos que chamavam por ele, dos
lábios que mostravam aquele riso contido, aquele riso que ela reservara só pra
ele. Quando estavam juntos, nem que fosse somente naquele momento, ela era só
dele e queria isso, mas longe, ele sempre temia que ela mal lembrasse dele, que
ela se distraísse com outro qualquer... Ele quer ser único, entretanto ele não
sabe se é.
A
saudade está acabando com ele, todavia, ele sabe, que quando vê-la, vai valer a
pena, pois cada segundo será fincado em sua mente e coração, e ele vai ter
certeza de novo, que o amor dela, é só dele.
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