domingo, 20 de janeiro de 2013

Gracejo


Minha Dona
            Talvez meu jeito de ser, bem no âmago, seja muito ao estilo de Vinícius de Moraes: um homem que ama a beleza da mulher. Porém, ainda sim, sinto-me no dever de dizer que eu possuo um faro muito mais “apurado”, pois há um jeito de ser nas mulheres, em algumas, que me atrai em demasia, e é a essa beleza, que tributo minhas palavras. É para a beleza delas... Contudo, seria demasiado insano dizer que apesar deu olhar com uma maior atenção a um tipo de mulher, eu nunca seria enlaçado por uma dessas. Na verdade, o que eu sempre quis ao admirá-las era que uma delas me olhasse, e foste tu quem me olhou. E é a ti que lanço minhas palavras mal construídas...
            A outras, dum passado nebuloso, eu dissera que eram filhas dos grandes deuses do Olimpo, ou melhor, disse que se eles fossem reais, elas seriam filhas de determinados deuses. Mas contigo, não uso desse método. É falho, é torpe, é bobo. A ti eu daria o nome de Helena, não aquela que gerara a guerra entre os gregos e os troianos, mas a simbologia do nome, pois o nome Helena em grego, significa “grego”. Dar-lhe-ia o nome Helena, pois seria você o motivo do declínio dos próprios deuses (se eles fossem reais, lembremo-nos disso), seria a racionalidade, expressa numa simplicidade violenta, que são características marcantes em ti.
            Eu poderia passear por toda a História do ser humano, e em nenhum momento eu encontraria alguma mulher que se comparasse a ti... Ou melhor, encontrei, mas de um jeito que os mais “cultos” (e não entremos no mérito de tentar entender o que é ser isso, pois de fato creio que ninguém é culto, sendo que há ainda um mundo inteiro pra descobrirmos), diriam que eu sou louco, biruta. Pois eu achara você em Monteiro Lobato.  O nome dela é Lúcia, mas ganhara o apelido de Narizinho por ter o nariz arrebitado...
            És Narizinho, não pelo fato do nariz, pois o teu apesar de o ser levemente arrebitado, é fantasticamente bem desenhado e lindo, como todos os detalhes que há em você. Não é também pelos olhos de jabuticaba, que sim, você também o tem, e que brilha de uma forma tão única e incrível quando me vê, que faz meu ser disparar. Não és Narizinho por ser travessa (do seu jeito é claro). Não é Narizinho por diversas razões a não ser um: a tua simplicidade. Simplicidade revelada em uma criança, os seres mais fantásticos e complexos que existem. Nós “mais velhos” temos o estranho dom de complicar tudo, mas para a criança não. Nada de pensar muito, nada de sofrer pensando, vive-se. E você é assim.
            Eu queria que este fosse o melhor texto que eu já produzira... Eu quisera que minhas palavras fossem como as lindas flores do campo, que tomam o olhar de quem passa, que penetra dentro do ser, e toca a alma, e não simplesmente a mera visão. Quisera que minhas palavras fossem como o teu abraço, que apesar deu não o tê-lo neste exato segundo, eu o sinto, pois ele é único e o que eu amo; quem dera minhas palavras fossem “infinitas” assim... Quem dera que esse texto gerasse o teu riso. Quem dera...
           




            Buscara a resposta nas coisas vãs dessa vida. Viveu, comeu, bebeu, riu, mentiu, se disfarçou. Viveu insatisfeito. O sonho de menino não se realizava sabe-se lá por que. Ele cria que era pelo fato da “certa” não haver chegado. Mas ela não chegava. Desde os sete anos a aguardando, e nem o menor sinal dela. Ele não desistiu. Prosseguiu...
            Encontrou novas dúvidas, novos medos, sua mente era areia movediça, o prendia e o levava a ser idiota, o levava a nunca ter respostas, mas só novas dúvidas.
            Viveu, desvivendo a todo o momento. Aprendeu mentir a si mesma e assim a mentir para todos a sua volta...
            Aguardou por anos, para que os sonhos de sua vida começassem a se realizar... Eles começaram, sem que ele percebesse, de um jeito que ele não entendeu, de um modo em que as coisas aconteciam a partir de uma desconstrução. Ele começara a conquistar quando achou estar perdendo...
            Agora, a vida lhe pregava peças corriqueiras. Enganava seus sentidos, gerava-lhe falsas alegrias, mas também falsas tristezas. E o que é a vida se não uma bela fábula? Uma fábula que sempre há uma moral ao fim dela... E às vezes a moral nada nos diz de significação.
            Ele era feliz... Pois encontrara aquela que chamara de “Minha Dona”, aquela que ele ansiava  passar todo instante ao lado dela. Não sabia se era recíproco, queria que fosse, mas não imporia isso, não era possível se impor algo assim. Ele aprende que quem perde às vezes é o maior vitorioso. Ele queria que ela aprendesse isso. Mas também não exige. Somente sorri ao tê-la ao seu lado.
            Era incerto tudo... Havia muitas questões... Unir vidas não é tão simples quanto se pensa, todavia, quando se vive essa união os dois juntos, dispostos a cederem, dispostos a arriscarem, haja visto que apesar de nem tudo ir bem sempre, as coisas dão certas, pois o amor prevalece. Ele sabia que seria assim com eles, pois eles pareciam engrenagens que quando bem montadas, funcionam perfeitamente, fazendo uma máquina maior ter vida. 

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Primeiro texto do ano rs


Ausência
            E ele sente as dores da saudade. Hoje é o terceiro dia deste novo ano e ele gosta desse número, mas nesse dia ele resolveu não gostar. Nosso personagem é um alguém sem rosto, sem nome, sem identidade, sem nada que nos atraia a não ser seu coração, que talvez tenha um pouco de nós ali, ou o seu exagero nos faça compreender-nos um pouco, ou não, quem é que o sabe?
            Ele sofre... A ausência dela o feria, o machucava e não porque ambos queriam, o desejo deles não era a distância, mas sim a proximidade, porém não dava pra ser assim.. E ai dentro dele, havia uma dor latente.
            Sabem como é essa dor de aguardar tanto pra ver uma pessoa e isso nunca chega? A dor do desapontamento, de esperar e esperar e no fim não dar certo? Pois é... Não é culpa de ninguém, a culpa é da falta da culpa. Ele sente saudades... Saudades dela.
            E ele percebe que a ausência, gera nele uma alma pessimista, ou melhor, ativa a sua alma pessimista que ele perdera por causa dela. De fato a vida dele nunca o ensinou a ver as coisas por um viés otimista, positivista, pelo contrário, sua vida lhe ensinou que nada vem fácil e que tudo parte muito rápido. Sua vida lhe ensinou que o mal chega mais rápido que a bondade. A vida lhe ensinou que era mais fácil sonhar sozinho do que com alguém, por que esse alguém dificilmente lhe dará ouvidos, ou irá lhe compreender. Que o amor dificilmente é retribuído, etc. e etc.
            Talvez o que doesse mais nele, era que ficar sem ela, era como estar sem nada. Ficar sem ela, gerava a cada instante nele um buraco, um vazio, que ia aumentando e que só ela podia preencher. Seu sono já não  é mais o mesmo, seu hábito alimentar também não, seu pensamento, muito pior, tudo por conta da falta que ela faz. E dói, só ele sabe como dói. A pior dor, é ver que sem ela, ele é fraco, mas ela não mostra isso. E como ele sabe disso? É que ele virou perito em saber da vida dela, em fuçar a vida dela. E sempre pareceu pra ele, que enquanto ele fica sem sorrir, entristecido e só pensando nela, ela pelo contrário, ri, se diverte, vive. Ela tem mais pessoas ao lado dela, ele não tinha ninguém que o fizesse se distrair. Os amigos dele eram cheios de outros amigos, e pra ser franco, ele não contava com seus amigos, não depois de tudo o que passou... E isso dói nele. Ela lá, feliz, ou aparentemente feliz, enquanto ele... Enquanto ele sem nada.
            É engraçado, pois ela gera nele uma força estranha, que lhe faz continuar, que lhe faz prosseguir. Estar com ela o desarmava, mas o fortalecia, e ficar sem ela ia definhando a pessoa dele, emocionalmente falando.
            Ele não sabe o que fazer. Queria ser forte. Queria saber resistir mais sem ela, pois em um tempo fora sem ela, contudo, ele provou da presença dela e o que ele mais queria é que isso não acabasse. Porém, ele teme que isso aconteça. Ela já o machucara, ela já negara a palavra dela pra ele. É claro que ele a perdoara, mas em tempos de saudade, essas coisinhas vem a tona, e dói mais. Ele também já a machucara, e como isso foi horrível...
            Saudades... Do sorriso dela, do sorriso sincero dela, dos olhos que chamavam por ele, dos lábios que mostravam aquele riso contido, aquele riso que ela reservara só pra ele. Quando estavam juntos, nem que fosse somente naquele momento, ela era só dele e queria isso, mas longe, ele sempre temia que ela mal lembrasse dele, que ela se distraísse com outro qualquer... Ele quer ser único, entretanto ele não sabe se é.
            A saudade está acabando com ele, todavia, ele sabe, que quando vê-la, vai valer a pena, pois cada segundo será fincado em sua mente e coração, e ele vai ter certeza de novo, que o amor dela, é só dele.