sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Algo


Ama-me

Ah, o que é o amor? Na história e em todo o tipo de ciência, tenta-se explicar o que é isso, contudo, sempre pecaram em suas vãs tentativas.
            É muito mais que palpitações no coração, muito mais que frio na barriga, bem mais que ter o ser amado o tempo todo, dia e noite, noite e dia, esta pessoa em sua cabeça. É bem mais que a razão, é mais complexa que a emoção, é quase, se não a base, do que é divino, é única e tão somente o que denominamos como Amor, esse que cria, esse que destrói, que é faca, mas que é curativo, que é felicidade, mas também desgraça... Amor, o que nós precisamos...
            Na Literatura, a arte que conheço, o amor também é tentado ser explicado, e em diversos momentos mostra-se a sua manifestação em momentos históricos.
            Primeiro com os pais do pensamento ocidental, os gregos, com o seu amor a pátria, que por vezes chegava até a contrariar as suas divindades. Havia também o amor a honra, este mais forte do que quase tudo; pouco se há do amor pleno ao lermos Hesíodo e Homero, os tragediógrafos frisaram isso, mas também mostraram brilhantemente o amor ao povo, tem-se ai Édipo Rei, a melhor tragédia para Aristóteles.
            Ah passemos do amor ao povo, que perdemos faz tempo, este não me interessa. Após os gregos vieram os romanos e com Constantino a propagação do amor Ágape, este que é divino. E estranhamente ao se propagar esse tipo de amor, que o homem soube manipular, o mundo entrou em trevas, ou se preferirem, o período Medieval.
            Nesse período brotam os trovadores, sujeitos tidos como a cigarra daquele período, até porque, a música nunca tem o seu devido espaço e reconhecimento. Eles foram belíssimos, declaravam seu amor pelas mulheres e esse amor tinha força, tanta força que os Renascentistas, Barrocos, neoclássicos (Árcades), Românticos e todo o resto baseia-se neles, idealizando a mulher amada.
            Pulemos o Humanismo, e já digo de antemão que pularei o Barroco também, nada de amor Ágape, só o Filia e o Eros, porém o amor Filia nunca teve muita força, sempre o Eros foi mais forte, pois o homem só ama o que lhe falta, aquilo que lhe traz alegria é pouco valorizado; enfim, é do Clássico que queremos falar, é de Camões, é de outros que foram bons, mas nem sei seus nomes, esses que tentaram explicar o que é o amor: “é tudo e é nada”, “é o céu, mas pode ser o inferno”, esse que deu uma legitimidade ao amor Eros. Fora um período fértil nessa temática, contudo parece que ele não tinha tanta foram o que também não ocorreu com os Árcades, dai então vem os Românticos.
            Ah esses Românticos, os dramáticos, os que pelo amor iam até as últimas consequências, os que são vistos atualmente como os babacas. Muitos os odeiam, porém são todos como eles, eu particularmente os amo, os admiro, sou quase igual a eles, adepto de seus ideias, menos a parte da morte, pois a modernidade me deu a opção da depressão que definha a pessoa.
            Mas porque tento mostrar o amor na história, se no meu tempo ele não é valorizado? Talvez eu só queira fazer isso pra que entendam que quando amo, amo de verdade, todavia provar isso a vocês é tolice, não é mesmo? Porém eu amo e queria explicar o que é o amor na minha torpe concepção: é a junção do Eros e da Filia, é o que me falta quando estou longe de ti, mas é o que me traz alegria quando estamos um do lado do outro.
            Amor, é algo que se sente e não algo que se explica, entretanto é por senti-lo que tentamos explicá-lo. Mas amor é como o vento, vem de repente, envolvente, não se vê, mas o sente, não o segura nas mãos, porém prende-se em seu ser, mas precisamente no coração, ele pode sumir, porém quando volta sabemos bem que é ele.
            Hoje eu não tenho a necessidade de explicá-lo, mas tento, só para ver um sorriso surgindo em seus lábios, rindo da minha redundância com este assunto, e isto é amor, pensar no ser amado primeiro. Talvez alguns achem que isso nos torna fracos, mas sem isso não teríamos chegado à lugar algum.
            É por isso que só sei dizer:

Chega de mansinho,
Bem devagarzinho,
E arrebata meu coração.

É algo inexplicável,
Algo admirável,
A negação da razão.

É o que não se explica,
Pois se não se complica,
Chamam isso de Amor.

Mas ele é mais que isso,
Constitui-se disto,
E de momentos de torpor.

Contudo és mais bela
Bem melhor que a tal de “Cinderela”,
É a personificação desse sentir.

És quem eu amo,
E disso não me engano,
Ao teu lado, encontro resposta para o existir.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Historinha

Sonho


Ele foi a passos pequenos até ela. Sorria, sereno e idiota como sempre. Parou na frente dela, e ela com aqueles olhos inquisidores, olhos de jabuticaba, belíssimos. Ela sorriu levemente também. Um pouco constrangido o garoto estende sua mão para ela e nesta palma havia um bombom.

- O que é isso? - Indaga ela.
- Aceitas,
Aceitas,
Que é de coração. - Responde ele.

Ela em resposta sorri, pega o alimento e se serve deste. Ele vira-se lentamente e vai indo embora serenamente, mas sôfrego. Queria ter causado uma boa impressão ou sabe-se lá o que.
Já longe, ele ouve alguém o chamando, porém como estava perdido em si, não deu atenção. Até que, repentinamente, surge diante de si a garota, sorrindo, estendendo para ele sua mão, contendo nela um anel feito com a embalagem do Sonho de Valsa.

- O que é isso? - Pergunta ele, meio sem reação.
- Aceitas,
Aceitas,
Que é meu coração. - Respondeu ela.

domingo, 7 de outubro de 2012

Pra você *-*


1 + 1

            Tão confusos, tão bobos, tão imaginários, mas também, estupendamente reais. São babacas, mas no fundo no fundo, é isso que os torna tão fantásticos como o são.
            E como tudo começara? De uma forma estranha: Eles já haviam se visto algumas vezes, mas nunca, e enfatizo o NUNCA, haviam se falado. Todavia naquele dia sete de outubro de 2011, o maluco e insano decidiu tomar partido da coisa. Ela por sua vez, estava na sala de informática, quieta, com sua postura séria, estava mexendo no computador, e ele a observara e a achara “linda”, o que num curto espaço de tempo mudou radicalmente de concepção achando a muito mais do que isso; Quando ela fora sair da sala, ele por sua vez estava para entrar, se encontraram, e ele rindo como débil que é, fez uma singela brincadeira, apelidando-a de “Visita”, por “invadir”, na verdade estar ajudando sua amiga, no festival de teatro que estava próximo; Naquele ano ele seria a pseudo estrela e  estava com o ego inflamado, ela por sua vez, estava lá, dando apoio e suporte, porém mais discreta do que tudo; A fala dele causara o riso nela. Tudo começara assim, com o V de “Vistoso”, “Vantajoso”, “Vitória” e “Vacilo”, e com esses V’s é q a história deles fora se formando, se tecendo lentamente. O V de visita se tornou o V de Várias outras coisas.
            Naquele mesmo dia conversaram boa parte da madrugada pela internet, e estranhamente, um fora totalmente franco com o outro, havia algo que os ligava os fazendo ficar a vontade um com o outro. Algo que eu mesmo denominei como “necessidade”. Era preciso que isso acontecesse para que eles se tornassem próximos, era necessário, e um fora o crescimento do outro, pelo menos em alguma área.
            Não percamos tempo na história completa, pois ela pode tornar-se um romance no futuro, e se eu colocar tudo aqui perder-se-ia o gracejo das palavras em uma obra.
            O tempo é um enigma para todos, para eles não era diferente: a guria tinha medo de o sentimento esfriar; ele, de perdê-la.
            Houve risadas, brigas, encanto, desencanto, raiva, medo, tudo em grandes pratadas, pois ela se diz gorda, não o sendo, e ele é gordo de fato. Houve tudo, de verdade verdadeira.
            O tempo os distanciou, mas o que ao menos o garoto sentia não mudou, talvez tenha só se tornado mais forte. Por vezes a distancia dilacerou o menino, que é ingênuo e teimoso, que tentava não saber dela, mas as informações dela iam até ele. As informações eram como mísseis teleguiados, sempre o achavam. Mas ele não a queria mais, ou tentou se enganar com isso, que é de fato o mais correto. Ele fugiu, sabia arrumar belos esconderijos, mas ela sem querer o encontrava, mesmo não sabendo.
            Ele não sabe o que aconteceu com ela, na verdade sabe, mas não do todo, pois ele estava ferido, e como um bom guerreiro, saiu do campo de batalha para se reerguer.
            Foi um bom tempo longe, um tempo interminável, e oh que falta de graça, e essa graça em tom divino, que é seres que se completam estarem longe, mesmo estando próximos. Tudo dizia que havia acabado que de fato o sentimento estava esfriado, mas uma vez ele dissera para ela “se meu sentimento esfriar, eu o coloco em bolsa térmica” ou em outra ocasião “se meu sentimento sumir, é que eu o escondi”, e era isto o que realmente aconteceu. Ele camuflou tudo, até para consigo mesmo. Fora sábio, porém a saudade venceu...
            Estão ai...
            Ele voltou até ela, e ela estava lá, séria, em seu canto. Séria não no sentido de brava, mas no sentido de “eu lhe esperei, mesmo sem saber que foi isso que fiz”.
            Hoje eles são um mais um, porque estranhamente eles se entendem, e parece que o mal que aconteceu, não aconteceu, ou melhor, serviu para validar o que a amizade deles significa...
            Ele a ama, mais não diz, por ser tonto. Ela o ama, mas tem vergonha de dizer, porém demonstra mais que ele.
            E hoje, faz um ano que a palhaçada deles existe, cada vez mais palhaça como tem que ser...
            E My Heart continua a tocar na mente e coração deles, fazendo um pensar no outro. E os telefonemas retornaram, sem nada pra falar, mas sendo crucial para a felicidade de ambos. Os carinhos imperceptíveis aos olhos dos outros ocorrem a todo o momento, seja no olhar que um lança o outro. Hoje, o tempo passou, mas na realidade, para eles o tempo parou, fez-se submisso, pois eles são melhores do que a grande maioria, mesmo parecendo ser idênticos a grande maioria. Eles sofrem, mas juntos, eles são dois, e dois é maior que um, e humanidade é no singular, eles já são no plural, logo, são maiores e melhores, mesmo que não seja isso que eles queiram, o que eles querem é só poder ser eles mesmos, plenos um com o outro, continuando com as singularidades um do outro, prosseguindo com o amor em silêncio que há entre eles, amor de amigo, amor de amantes, amor de irmãos, amor que eu não me proponho a esclarecer.
            Um ano, e a história parece ser muito maior, talvez seja porque a vida os preparou um pro outro, ou coisa assim...