segunda-feira, 23 de julho de 2012

Poema (Quando?)

Quando?

Quando foi que mudamos tanto?
Quando foi que abandonamos a meninice?
Quando deixamos de emprestar os brinquedos?
Quando passamos a pensar só no “EU”?
Quando deixamos de ser crianças,
E nos tornamos jovens?
Quando o nosso presente,
Virou passado?
Passado esse que sinto falta,
E queria viver novamente,
Vivê-lo eternamente.
Quando nos tornamos tão perfeccionistas?
Quando viramos tão racionais?
Quando paramos de crer em Papai Noel?
Quando deixamos a nossa essência se perder?
Quando?
Quando?
Quando eu perdi a novidade,
E cai na rotina?
Quando eu deixei com que,
Tudo o que amo se perdesse?
Quando perdi minha sensibilidade,
Métrica e rima?
Quando eu deixei tudo ir embora,
E virar cinzas?
Quando?
Quando?

Mural


Mural

            Eu me metamorfoseei em jovem, em corpo, estatura e trejeitos, contudo, isso não tirara a minha essência, a pequenez de outrora, o espírito. Ainda sou um menino, gosto disso, me alegro e me completo com isso. Não sou um Peter Pan e jamais o quis ser, só quero a ingenuidade dos pequenos, a leveza, a sinceridade, intensidade e também a essência criativa.
            Talvez as pessoas me deturpem por isso, talvez venham me rechaçar, mas não me importo. O homem é o animal mais irracional que existe.
            A vida é como um mural, repleto de lembretes, de textos corridos e incompletos, de fatos, etc. Tem horas que não cabe mais nada nele, e ai, retiramos aquilo que menos temos feito uso.
            Sei que há gente que vai contrariar tais palavras com fervor, já disse que não me importo, pois há aqueles que creem e se encontram aqui, e são estes que me inspiram a continuar, a prosseguir.
            Eu ando fazendo grandes alterações em meu mural: mudança de crenças, sentimentos e valores.
            Há algo nele que insisto em tentar tirar, mas ele se esforça em prosseguir por lá.
            Se trata de uma pessoa.
            Uma...
            A princípio ela tinha um rosto, um nome, características e singularidades próprias. Eras perfeita, e ao entender-se que não há perfeição, entendemos que ela era o mais próximo da excelência. Ela era, mas o tempo corrói, tira as máscaras e lhe mostra realmente quem é quem e o que é.
            Ela era a minha musa, mas minhas frustrações foram alterando quem ela era em minha mente, em minha consciência, e pior ainda: em minha inconsciência.
            Ao tempo que se chama hoje, ela ainda não saiu do mural, e sei que nem sairá, só que ela mudou; Agora é sem rosto, sem nome, sem características, sei cheiro, sem simplicidade, é um vazio, é uma incógnita, é talvez levando ao pé da letra, uma massa disforme, um nada. Mas eu ainda a amo.
            Amo como no primeiro dia que nos vimos, amo como quando cai em mim e entendi o que era amor, amo como a ciência e a razão, que andam juntas, não explica e nem soluciona. Meu peito ainda pulsa e joga a todo o meu corpo o que sinto por ela.          
            Mas ela não tem rosto, não tem nome, não é ninguém...
            É triste vermos que o que colocamos no mural vai se apagando, se recriando e coisas assim.
            Mas o Amor nunca mudou, é a mesma coisa, se mantém intacto (ao menos em mim é claro). É a pedra no sapato, a fraqueza revelada. Em decorrência disso, resolvi tirá-lo do mural.
            Por isso amo as crianças, no mural delas, não há um “papel” com Amor, o mural todo é Amor...
            E tirá-lo do mural implica em uma mudança drástica e precisa, todavia é a prova suprema que posso dar ao mundo de que amo...

Palavras


Palavras

            E há quem diga que a ação vale muito mais do que a palavra, entretanto, a palavra já não é por si só uma ação?
            Amo as palavras, pois ela é mais eficaz que qualquer outra ação, atinge o mais profundo, o mais oculto, arrebata os nossos sentidos, nos rouba as percepções naturais, aguça o nosso ser, eleva o nosso espírito. Ela explica, ou ao menos se esforça, para explicar o inexplicável.
            A ação, bruta, é a materialização de palavras refreadas, mas a ação não explica o intrínseco, não explica o que nos sonda, as palavras sim.
            A palavra é o eu, a palavra é o tu, a palavra é o nós. A palavra é vida, por isso eu a amo.
            Amo, não porque alguém disse que ela é bela, mas sim pelo simplório fato dela se tornar verdade em mim, transformar e completar algo em mim.
            Preciso delas, e ela não precisa de ninguém, porém ama e aceita a todos.
            Ela não faz seleção, abarca em si a todos, e todos deveriam respeitá-la como merece.
            É a palavra que preenche o vazio, ocupa a mente, e nos impulsiona a agir, ou não.
            Ela é quase que divina, é palavra, e sendo palavra, és perfeita, talvez a única perfeição que há nesse mundo babaca e errante.
            Por tudo isso, e muito, MUITO MAIS, é que as amo ou amo, como preferirem.