Princesinha
Ela segurava na mão daquele homem alto. O passo dele dava quatro ou cinco passos dela. Sem dúvidas ela era uma criança, e aquele homem para ela era um super-herói, Batman contra ele não tinha vez, Super-homem então nem se fale! Ela o via como a um gigante. A pequena gostava disso, se sentia tão protegida ao lado dele, contudo a mesma também já ouvira histórias de arrepiar o cabelo, histórias do tipo que quando se cresce só se convive com pessoas mentirosas, e só sobrevive o mais forte. Ela temia isso, mas ao lado daquele varão, tudo parecia ser nada...
- Papai? – Principiou a menina, mas ao erguer os olhos para o alto, teve de fechar os olhos fazendo uma careta devido ao forte sol que fazia.
- O que foi Princesinha? - Disse o varão, abaixando o seu olhar para fitar a criança. Ela por sua vez só pode ver seu sorriso, o riso angelical de seu pai, de seu protetor... – Diga meu bem...
- A gente já tá chegando?
- Você sabe bem que para chegarmos à sorveteria demora um pouco mais... – Ele fez uma leve pausa. – E todos os sábados a gente vai lá, você já sabe de cor o caminho. O que quer me falar mocinha?
- Ah papai... Não é nada...
- Fale Princesinha...
- Não é nada pai, é sério...
- Fale duma vez!
- Ai tá bem! A amiga da mamãe, a Joana, disse que a gente vive rodeada de gente mentirosa e que sempre estamos sozinhos, sem ninguém do nosso lado!
- É mesmo?
- É papai, e eu fiquei com medo sabe... Porque gente mentirosa é igual o lobo-mau, e eu não gosto dele.
- É filha, eu também não gosto. – O pai fez um leve silêncio. – E você está com medo de ficar sozinha quando crescer?
- É... Bem... Você me disse que não devo ter medo, pois medo é coisa de gente fraca, mas eu estou com medo sim papai... Muito medo! – Ela abraça solta a mão de seu pai e abraça a perna do mesmo.
- Acalme-se Princesinha... – Ele a pega pela cintura e a coloca em seu colo. Sorri para ela. – Eu nunca vou ti deixar minha lindinha!
- Eu não sou lindinha nada papai! – Ela faz uma careta. – Eu pareço mais a Fiona!
- E eu pareço o burro, mas encontrei o dragão que é sua mãe. – Ele começa a rir e ela também. – E você bem sabe que até a Fiona encontrou o seu Shrek, então pare com isso...
- Mas papai... Eu vou ficar sozinha mesmo?
- Não minha filha... Se você pra você ficar sozinha, não teria um porque de você ter nascido... Eu vou estar ao seu lado até ficar bem velhinho, e quando eu estiver bem velhinho, você terá amigos para cuidarem de você, já que é você quem vai ter que cuidar de mim...
- É verdade, igual você cuida do vovô não é?
- Exatamente...
Ele ainda a levava em seu colo e prosseguiu em rumo a sorveteria.
- Papai, pode me soltar... Já sou bem grandinha!
- Sete anos e já pensa ser grandinha é?
- Claro!
- Então está bem. – Ele se afasta dela e corre ao outro lado da rua, brincando com esta...
- Não papai... – Corre a menina desesperada até seu pai. – Não me deixa...
Ele segura na mão da pequena.
- Nunca ti deixarei, mesmo que não pareça minha filha... O amor que eu sinto por você às vezes eu mal demonstro, mas só o fato de olhar pra você, me faz ter a certeza que o amor que eu sinto por você jamais se acabará... Ah filha, chega desse papo que papai fica com vergonha viu...
Ela começa a rir.
- Não, fala mais...
- Só mais um pouco então. – Ele pigarreia ajeitando sua voz. – Eu amo a senhorita, pois você é uma das coisas que eu sempre quis pra minha vida... Não importa se eu não demonstro isso sempre, dizendo que te amo, lhe dando presentes, o que importa é que eu sempre penso em você... E embora eu não esteja ao seu lado sempre e nem diga palavras de conforto, e possa até mesmo te machucar, eu levo você em minha mente a todo o tempo... Eu te amo Princesinha...

Nenhum comentário:
Postar um comentário