Tributo para ela
Estavam quedados, havia um tempo em que se encontravam
assim, entretanto antes disto ocorrera uma tormenta, ou melhor, um gracejo, uma
brincadeira, ele azucrinara a ela fazendo cócegazinhas, ela em resposta lhe
dera chutes com uma força de leoa, e isso ela fazia com maestria, porém “sem
querer”.
Ela com medo de tê-lo machucado o fez deitar-se em sua coxa
e ficou olhando o rosto dele. Sentaram no chão, ela recostada na parede e ele
na coxa dela. Ficaram quietos, se olhavam. Os cabelos dela escorriam pelo rosto
dela, deslizavam e caiam ficando perto do rosto dele.
- Hei... – Iniciou ele com voz fraca, como era costumeiro
quando iria elogiá-la.
- O que foi? –
Responde ela já corando, pois sabia o que viria...
- Sabe... Você é muito especial pra mim... É muito bom estar
do seu lado... – Ela corara definitivamente.
- Mas você não está do meu lado. – Diz ela com voz também
fraca, tentando não cruzar os olhos dela com os dele, abrindo um meio riso.
- Me olha... – Ela assim o faz. Ele eleva a sua mão e toca
no rosto dela. – Eu gosto tanto de tocar a sua pele...
- Ela tá cheia de espinha... Ela é feia, toda esburacada! –
Ela vira o rosto com pressa.
- Para com isso... – Diz ele com uma fineza, porém clareza
indescritíveis. Toca novamente o rosto dela e suavemente vai conduzindo para
que ela o olhe novamente. – Olha... Pode parecer muita ladainha minha, mas eu
tenho que falar... Eu... Eu... Eu sou agraciado por ter-te em minha vida...
Olha... Tua pele, mesmo que você ache feia e tudo o mais, ela é perfeita, é
delicada, é macia, é um deleite pras minhas mãos. Tocar-te é como se os céus estivessem
em minhas mãos... E teus cabelos... Eles são tão lindos, é como se estivesse em
minhas mãos o mais fino tesouro que existe nesta terra. E teus lábios... Quem
me dera eles fossem só meu...
- Para com isso... – Ela fala sem forças.
- Mas é sério... Quem me dera que eles fossem só meus, pois
um beijo teu é o paraíso que eu sempre desejei pra mim...
- Você está inventando demais...
- Então vem cá... – Ela se aproxima mais. – Você sabe que eu
te amo néh?
- Sei...
- Só isso?
- Ah... Eu... Eu...
- O quê?
- Eu... Também te amo...
Ele segurou a nuca dela e fez com que ela se curvasse
lentamente, fazendo assim o cabelo liso dela cobrir a face de ambos e deixá-los
em um mundo apenas deles.