terça-feira, 26 de junho de 2012

Conto "Livre"

Livre

As coisas andavam quentes no cenário nacional. De igual modo como acontecera em 1964, os fatos prosseguem da mesma forma no “hoje”, em 2025, uma revolta, uma revolução, uma Ditadura. À esquerda contra a direita. Uma batalha voraz, mas ao mesmo tempo silenciosa, com muito em jogo, mas com nada em vista a não ser poder, e poder, é o caos da História.
            Se os fatos são quase similares, a prisão de alguns da esquerda é evidente, e a captura do embaixador americano da mesma forma. E é nesse ponto que a história de difere e toma um rumo novo...
            Alta Detenção de Franco da Rocha.
            O Sargento Josival Doravante acabara de receber o comunicado para libertar o preso Vicentino Costa e Silva, o maldito que fora pego tentando explodir uma parte dum parlamento militar no centro de São Paulo junto com seu bando de esquerda o PCJ – Partido das Causas Justas.
            Doravante assumira o comando da Prisão em Franco da Rocha, sendo esta uma das mais sombrias prisões de todo o Brasil, ou melhor, a mais bem cuidada e vigiada, a mais rigorosa e coisas do tipo. Não é a toa que ele assumira tal patente, sempre fora compromissado e conhecido no país como “o cão fiel do exército”, o mais temível de todos os sargentos, e rumores dizem que ele subirá de patente em breve. É alto, moreno de cabelos escuros, tem seu olho direito totalmente branco azulado devido a um exercício que falhou no exército em seu tempo de calouro. Sempre fora um ponto de referência para os iniciantes, é também impecável em tudo o que assume, desde as vestes quanto ao serviço exercido. Medo e terror são duas palavras que definem bem o que as pessoas sentem quando estão diante dele.
            Ele estava explodindo diante dos seus subalternos, a respeito da notícia que recebera para libertar o preso:
            - Mas que porra é essa? O cara tenta atacar o parlamento em São Paulo e o a República age dessa forma? Que governantes de merda nós temos lá? – Ele berrava com toda sua força, fazendo tremer a sala em que ele e os seus estavam reunidos. Ele também dava murros em sua grande mesa.
            - Senhor, a sua água... – Dizia Marli sua secretária.
            - Eu não quero essa merda!
            - Acalme-se Sargento, ficar assim só irá piorar as coisas. – Dizia Ancelmo, o mais chegado do Sargento.
            - Ok, ok. Dá essa água aqui...
            Em um só gole Doravante tomou a água e como uma bomba caiu em sua cadeira fechando seu olho esquerdo. A cena para os que o viam era horripilante, mas essa sensação de assustar os outros dava forças ao homem para que ele pensasse. Houve silêncio na sala, por cerca de quinze minutos todos estavam quietos, até que o mesmo varão dá um murro na mesa abrindo os olhos, assustando a todos, e horripilantemente sorridente:
            - Eureca! Tenho a resposta... – Todos o olhavam assustados, mas se recuperando. – Quero que liguem para o chefe do manicômio ao lado e peçam a ele que inicie a sessão de choque nos pacientes imediatamente, daqui a quinze minutos deem a hora de lazer dos presos. Não se esqueçam de pedir ao Bernardo que faça os loucos gritarem como nunca.
            Seus assistentes ficaram estatelados, de olhos esbugalhados sem reação, até que ele urrou um  “VÁ” tão forte que a porta a uns nove metros dele vibrara com intensidade, fazendo seus servos se dispersarem. E assim ocorrera, a hora de lazer dos presos acontecera e os gritos que vinham do manicômio eram sinistros, sendo que os presos não conseguiam ter lazer algum, mas sofriam tanto quanto os que levavam choque.
            Isso também acontecia com Vicentino, que já estava nauseado com aquilo, com o corpo marcado de golpes que recebera dos policiais. Estava espremido em um canto da imensa área. Todos os presos estavam em silêncio, complacentes a dor dos amigos insanos que se encontravam tão perto, todavia tão longe. A desigualdade sempre fora marca no Brasil, na Ditadura isso fica latente. E também o que é insanidade? Está mais em quem vê, do que em quem a possui...
            Da área onde os policiais ficavam observando, o Sargento, surge de postura impecável e diz ao seu braço, a breve frase: “prepare um furgão do exército, chame os mais chegados e um motorista de confiança”, ao que foi prontamente atendido. Após tal fala, o chefe, partiu como um raio no meio da área de lazer com um pano preto em sua mão direita, indo em direção de Vicentino, que nem o notará a não ser ao vê-lo de frente. Tentara se levantar, mas quando dera por si já estava em pé sendo segurado pelo Sargento, acompanhado dos urros do mesmo com uma espécie de saco preto em sua cabeça.
         Os presos não fizeram, sequer puderam fazer algo. Ficaram calados como se encontravam a cena composta pelos gritos dos malucos deram uma completude quase que infernal. Se aquilo fosse uma prova, certamente o inferno seria um alívio!
        Vicentino fora colocado no furgão, aos berros, claro. Sem entenderem nada os servos, obedientes e disciplinados como cães, começaram a berrar também. A ordem da viagem era até Francisco Morato, cidade vizinha, no meio dum morro, e assim fora. Viagem rápida, contudo macabra.
       Lá chegaram, saltaram do veículo e foram levando mata adentro o “liberto”. Ao chegarem lá, o Sargento tira as pressas o pano da cabeça do livre, e com um pontapé duma força incalculável, jogara o ex-preso à frente. Este por sua vez, fica de olhos arregalados com o corpo todo a tremer. Faz-se silêncio, o mundo gira, o mundo conspira, era o fim?
      Ouve-se o som de uma arma sendo preparada para o disparo, e a voz rouca, abafada e agourenta do Sargento em um tom baixo, mas sinistro:
      - Ande sem olhar para trás. Fique quieto...
      A reação de Vicentino é a mesma da anterior, pernas tremendo e falta de reação. O que incitara o ódio no Sargento:
     - VAI PORRA!
    O grito certamente assustara o pequeno homem, o reacionário falido, que por sua vez, com o corpo todo tremendo e lágrimas saindo de seus olhos se joga no chão aos prantos dizendo em desespero:
     - Por favor, não me mate! Eu conto a vocês tudo o que quiserem sobre os de esquerda, mas, por favor, me deixem vivo...

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Poemas

Duas composições singelas a vocês:


Tuas unhas flagelaram meu ser,
Olhai pra elas e vês,
Não fique com “porquês”
Deixai tudo percorrer...

Veja a verdade estampada,
Está bem em nossa cara,
Oh alma desregrada,
Fizera feliz essa alma tapada.

Agora corro pra ti,
Diante de ti, só falo “si si”
Já não ser o que fazer.

Sinto-te me acariciando,
Meu ego se inflamando,
Isto não é sofrer.











E teus lábios se tocaram aos meus,
Explosão, insanidade, mesura.
Tudo o que supera essa minha vã,
- E pequena,
Loucura.

Já mal sei compor,
Sei pensar em ti,
Sei desejar-te,
Sei, que nada sei,
Ou melhor,
Sei que o que sei, é que lhe quero.

Não afaste de mim este cálice,
Nem que eu caia,
Nem que eu enlouqueça.
Pois a ausência é pior que tudo o que podes me fazer.

Agora olhai e vês o monstro que criaste,
Um velho em corpo jovem que somente anseia
Por sentir-te.


quinta-feira, 7 de junho de 2012

Poema


Por favor, não me peçais boas palavras,
Pois mal sei escrever.
Mal sei tecer,
Um texto de figuras aladas.

... Peço-te perdão,
Pois tudo o que falo é vazio,
Não possui nem um pio,
Um burro (ser), pior que um cão.

Ja perdera a minha métrica,
Não peçais que eu fale com a boca,
Pois só falo com o coração.

domingo, 3 de junho de 2012

My Lolita

DOCE

Fizeste- me sonhar...
Encantaste o meu viver,
Fizera transbordar o meu ser.
Conseguiu abrir um sorriso numa boca “fechada”.

Não és tudo o que espero,
Mas é o que preciso,
O que necessito,
É tudo o que eu mais quero.

Meus erros ti afugentaram,
Minhas palavras ti afastaram,
Lhe fiz infeliz.

Mas hoje peço desculpa,
Deixai de lado vossa repulsa,
E venha, em mim, ser feliz!